Mariana Kotscho
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A Síndrome de Down e a importância da terapia

Psicóloga destaca a importância da terapia para fortalecer autoestima, autonomia e inclusão

Redação* Publicado em 30/03/2026, às 06h00

A psicóloga Karine Brock destaca a relevância do acompanhamento psicológico para o desenvolvimento e autoestima. - pexels
A psicóloga Karine Brock destaca a relevância do acompanhamento psicológico para o desenvolvimento e autoestima. - pexels

O Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março, enfatiza a importância da inclusão e do cuidado emocional para pessoas com essa condição genética, destacando o papel da psicologia no fortalecimento da autoestima e autonomia.

A psicóloga Karine Brock aponta que os desafios enfrentados por essas pessoas muitas vezes decorrem de preconceitos e falta de oportunidades, o que pode afetar sua autoestima e senso de pertencimento.

O acompanhamento psicológico, incluindo a Terapia Cognitivo-Comportamental, é essencial em todas as fases da vida, e o atendimento online se mostra uma alternativa eficaz para apoiar famílias, promovendo um ambiente mais saudável e acolhedor.

Resumo gerado por IA

No último dia 21 de março, destacou-se o Dia Internacional da Síndrome de Down, momento dedicado à conscientização, ao respeito e à valorização das pessoas com a condição genética. Mais do que reforçar a importância da inclusão social, o momento também convida a sociedade a refletir sobre o papel do cuidado emocional no desenvolvimento dessas pessoas e no acolhimento das famílias. Segundo a psicóloga cognitivo-comportamental Karine Brock, o acompanhamento psicológico pode ser um aliado fundamental para fortalecer a autoestima, desenvolver habilidades sociais e promover maior autonomia ao longo da vida.

Do ponto de vista psicológico, ela explica que muitos desafios enfrentados por pessoas com síndrome de Down estão relacionados não apenas à condição em si, mas principalmente ao ambiente em que estão inseridas. “Muitas vezes, as dificuldades estão ligadas ao preconceito, à superproteção ou à falta de oportunidades de inclusão. Isso pode impactar diretamente a autoestima e o senso de pertencimento dessas pessoas,” afirma a especialista.

Karine destaca que, assim como qualquer pessoa, indivíduos com síndrome de Down vivenciam frustrações, desejos e sonhos. “Eles também desejam autonomia, construir vínculos, serem reconhecidos por suas capacidades e participar ativamente da sociedade. Quando o ambiente não favorece essas experiências, podem surgir sentimentos como insegurança, tristeza ou ansiedade,” explica.

Nesse contexto, a terapia surge como um espaço de fortalecimento emocional e reconhecimento das potencialidades. De acordo com a psicóloga, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) atua na relação entre pensamentos, emoções e comportamentos, auxiliando no desenvolvimento de habilidades importantes para o cotidiano. “No consultório, trabalhamos o reconhecimento das emoções, estratégias para lidar com frustrações, habilidades de comunicação e resolução de problemas. Tudo isso contribui para fortalecer a confiança e a independência da pessoa,” explica.

Para facilitar a compreensão, a terapia é adaptada às particularidades cognitivas de cada indivíduo. Entre os recursos utilizados estão atividades lúdicas, histórias, jogos terapêuticos, imagens e exercícios práticos do dia a dia. “A psicologia entende que cada pessoa aprende e se expressa de uma forma diferente. Por isso, utilizamos linguagem simples, recursos visuais e atividades concretas para tornar o processo mais acessível e significativo,” acrescenta.

Karine Brock ressalta que o acompanhamento psicológico pode trazer benefícios em todas as fases da vida, desde a infância até a vida adulta. Na infância, o foco costuma estar no desenvolvimento emocional, na socialização e no apoio às famílias. Já na adolescência, surgem questões relacionadas à identidade, autonomia, amizades e pertencimento social. Na fase adulta, as demandas frequentemente envolvem temas como independência, trabalho e projetos de vida. “O acompanhamento psicológico funciona como um espaço de apoio para atravessar cada uma dessas fases com mais segurança emocional,” afirma.

O diagnóstico da síndrome de Down costuma ser um momento delicado para muitas famílias. Segundo a psicóloga, é comum que pais e responsáveis vivenciem um turbilhão de emoções, como medo, insegurança, tristeza e dúvidas sobre o futuro. “A psicoterapia oferece um espaço seguro para que esses sentimentos possam ser acolhidos sem julgamentos. Aos poucos, os pais conseguem reorganizar pensamentos, compreender melhor a realidade e construir uma nova forma de olhar para o mundo,” explica.

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Com o tempo, muitas famílias passam a perceber que, além dos desafios, também existem inúmeras possibilidades de desenvolvimento, afeto e conquistas. “Existe muito amor, muito carinho e muito potencial nessas crianças,” destaca.

Com os avanços da tecnologia, o atendimento psicológico online também se tornou uma alternativa importante, especialmente para familiares e cuidadores. Segundo Karine Brock, a modalidade virtual pode ser tão eficaz quanto a presencial, principalmente quando se trata de orientação e suporte emocional para as famílias. “Muitas vezes, os pais têm uma rotina intensa e não conseguem sair de casa. O atendimento online oferece flexibilidade de horário, reduz deslocamentos e facilita o acesso a profissionais especializados,” explica. Para ela, o cuidado com a saúde emocional da família é essencial para fortalecer toda a rede de apoio da pessoa com síndrome de Down. “Quem cuida também precisa ser cuidado. Quando a família está emocionalmente fortalecida, o ambiente se torna muito mais saudável, acolhedor e seguro para todos,” conclui.

Neste Dia Internacional da Síndrome de Down, a mensagem reforçada pela especialista é clara: inclusão, respeito e apoio emocional caminham juntos na construção de uma sociedade mais humana e acessível.

*Com edição de Marina Yazbek Dias Peres