A Síndrome de Down, causada pela trissomia do cromossomo 21, requer acompanhamento regular desde a infância
Redação* Publicado em 27/03/2026, às 06h00

O Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março, destaca a importância da inclusão e do acompanhamento da saúde de crianças com a condição, que resulta de uma trissomia do cromossomo 21, afetando uma em cada 700 nascimentos.
Crianças com síndrome de Down apresentam maior predisposição a comorbidades, como cardiopatias e cânceres hematológicos, exigindo atenção especial desde o nascimento para um diagnóstico precoce e tratamento adequado.
Profissionais de saúde recomendam acompanhamento multidisciplinar e exames regulares para monitorar a saúde dessas crianças, enfatizando a necessidade de cuidados preventivos e observação de sinais de complicações.
Celebrado em 21 de março, o Dia Internacional da Síndrome de Down chama a atenção da sociedade para a inclusão, o respeito e, principalmente, para a importância do acompanhamento integral da saúde das crianças com a condição. A data foi escolhida em referência à trissomia do cromossomo 21, alteração genética que caracteriza a síndrome.
Estima-se que uma em cada 700 crianças nasça com a condição, que é diagnosticada quando há a presença de um cromossomo extra no par 21, o que acontece ainda na formação do embrião.
Na infância podem apresentar maior predisposição a algumas comorbidades, como cardiopatias congênitas, alterações gastrointestinais, disfunções da tireoide, problemas auditivos e visuais, além de infecções respiratórias recorrentes. Outro ponto de atenção é o risco aumentado para determinadas doenças hematológicas, especialmente alguns tipos de câncer das células do sangue.
A Dra. Ana Carla Afonso, responsável pelo serviço de Síndrome de Down do Sabará Hospital Infantil, explica que o acompanhamento desde o nascimento com exames específicos para descartar o câncer na primeira infância é primordial. “As crianças com essa condição têm uma propensão de desenvolver a doença, principalmente no sangue, ao longo da vida. Por isso, o rastreamento desde o início é necessário para que aconteça o tratamento precoce e, consequentemente, a cura da doença”.
De acordo com a oncologista pediátrica, dra. Barbara Arantes, "as crianças que nascem com trissomia do 21 tem maiores chances de câncer das células do sangue e o diagnóstico deve ser o mais precoce possível e encaminhado ao oncologista rapidamente. Devemos manter essa atenção até os 5 anos de idade".
O tratamento oncológico em crianças com trissomia 21 requer cuidados específicos, já que elas podem apresentar maior sensibilidade à quimioterapia e risco elevado de infecções e efeitos colaterais. Por isso, o acompanhamento por uma equipe multidisciplinar é fundamental.
“Cuidar da criança com trissomia é olhar para ela de forma integral, com atenção à saúde física, ao desenvolvimento e à qualidade de vida. Consultas periódicas, exames de rotina e a observação cuidadosa de qualquer alteração ajudam a identificar precocemente possíveis complicações”, afirma a Dra. Ana Carla.
Entre os cuidados preventivos essenciais destacam-se: acompanhamento regular com pediatra e médicos especialistas; realização de exames de sangue periódicos, incluindo avaliação hematológica; monitoramento da função da tireoide; cumprimento rigoroso do calendário vacinal; atenção a sinais como palidez, cansaço excessivo, febre persistente, manchas roxas ou infecções frequentes; estímulo ao desenvolvimento global da criança, com apoio multiprofissional quando indicado.
* Edição por Lina Santiago.
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