As crianças com doenças autoimunes enfrentam desafios emocionais e sociais, necessitando de suporte de familiares e profissionais.
Dra. Katia Tomie Kozu* Publicado em 29/01/2026, às 06h00

Crianças com doenças autoimunes enfrentam desafios significativos, incluindo impactos na saúde mental devido ao tratamento frequente e à sensação de diferença em relação aos colegas. A falta de cura para essas condições exige um acompanhamento médico constante para minimizar a dor física e emocional.
As doenças autoimunes infanto-juvenis, como Artrite Idiopática Juvenil e Lúpus, podem levar a internações prolongadas, resultando em perda de ano escolar e isolamento social. Os sintomas incluem febre recorrente, dores articulares e perda de peso, e a maioria das condições não apresenta causas genéticas identificáveis.
Tratamentos variam de fisioterapia a medicamentos imunossupressores, dependendo da gravidade da doença. O acompanhamento regular com especialistas é crucial para garantir que as crianças possam ter uma vida semelhante à de seus pares, respeitando suas limitações.
As doenças autoimunes são condições nas quais o sistema imunológico ataca erroneamente células e tecidos saudáveis do corpo. Embora essas doenças possam afetar pessoas de todas as idades, as crianças que vivem com doenças autoimunes enfrentam desafios únicos, inclusive no que diz respeito à saúde mental.
As crianças, particularmente, experimentam uma gama de emoções complexas devido a sua condição e, portanto, é necessário ter uma rede de apoio como familiares, profissionais de saúde mental e educadores, para que elas possam desenvolver resiliência e ter uma vida plena. Além disso, claro, devem ter respaldo médico com acompanhamento e tratamentos para minimizar a dor física e psíquica.
A saúde mental é um tópico muito complexo em crianças, pois sofre impacto de vários fatores, como frequentar consultas médicas com mais frequência, realização de exames e ingestão diária de medicação. Por isso, principalmente no início do tratamento, elas se sentem diferentes dos seus colegas que não tem essa mesma rotina.
A gravidade da doença também influencia diretamente na sua saúde mental. São pacientes que tendem a ficar mais tempo internados, o que pode provocar perda do ano escolar e afastamento dos colegas da escola. No retorno às aulas, essas crianças podem se sentir deslocadas e desmotivadas a continuar os estudos.
Geralmente, são doenças que não têm cura, mas que podem ser controladas com ou sem medicação, associadas a terapias como imunoglobulina humana endovenosa, fisioterapia motora e hidroterapia. O tratamento e controle dependerão da doença e seu grau.
A criança ou adolescente com doença autoimune pode ter uma vida semelhante a seus pares, com a diferença que deve ter um acompanhamento periódico com seu reumatologista, para ser examinado e apresentar os resultados dos exames necessários. Especificamente para pacientes com Artrite Idiopática Juvenil (AIJ), as atividades físicas deverão ser realizadas com respeito à dor e da limitação de cada um.
Artrite idiopática juvenil (AIJ), febre reumática, vasculite por IgA, Doença de Kawasaki (DK), Lúpus, Dermatomiosite Juvenil e Febre Periódica, Estomatite Aftosa, Faringite e Adenite (PFAPA) são algumas doenças que atacam o sistema imunológico de crianças e adolescentes. Os pais devem ficar atentos quando a criança está tendo febre recorrente, dores nas articulações por dias seguidos sem melhora com medicamentos comuns - como dipirona e paracetamol -, manchas no corpo associadas a dor articular, perda de cabelo, fraqueza e perda de peso.
As causas dessas doenças não são necessariamente congênitas, pois não são identificadas mutações ou variantes genéticas em sua maioria, mas algumas crianças podem apresentar uma predisposição genética. Existem doenças reumáticas de causas genéticas e de causas hereditárias e, em sua grande maioria, a criança nasce sem apresentar sintomas - mas a doença começa a se manifestar nos primeiros anos de vida até a adolescência.
A seguir, veja exemplos de tratamentos para algumas das doenças mencionadas:
*Dra. Katia Tomie Kozu é médica assistente da unidade de Reumatologia do Instituto da Criança - Hospital das Clínicas - da Faculdade de Medicina da USP - FMUSP e faz parte do corpo clínico da EV Citi e do Hospital Sírio Libanês.
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