Uma história de como a visão da neta trouxe esperança a esta avó preocupada com o futuro
Neusa Japiassú* Publicado em 03/04/2025, às 06h00
Ser avó é uma experiência única, um amor que transcende o tempo e se fortalece a cada dia. É um vínculo que não conhece limites de espaço e distancia as dificuldades físicas, especialmente quando se mora longe. No meu caso, a distância geográfica entre mim e meus dois netos, ambos fruto de uma vida vivida após os 60 anos, é significativa. Um, Rafinha, vive no Canadá, e Laurinha, minha neta mais próxima, mora em outra cidade do mesmo Estado. Apesar disso, sempre me senti muito próxima deles, principalmente através das trocas de mensagens e, mais recentemente, das expressões artísticas que têm se revelado.
Laurinha, que hoje tem 12 anos, é uma criança de uma inteligência e sensibilidade que me enchem de orgulho. Desde cedo, mostrou um grande interesse pelo mundo dos livros e das palavras. A curiosidade dela vai além das fronteiras da língua portuguesa: ela também se dedica ao inglês, o que já é uma conquista notável.
O que mais me encanta em Laurinha, porém, não é apenas sua habilidade intelectual, mas sua visão profunda da vida. Ela é uma jovem com um olhar cheio de amor, empatia e um desejo genuíno de transformar o mundo em um lugar melhor. Esses traços foram evidentes em uma poesia que ela escreveu recentemente, como parte de uma tarefa escolar. O conteúdo do poema não só me emocionou, mas também me fez refletir sobre o impacto que as novas gerações podem ter no futuro do nosso planeta.
Na poesia, ela imagina um mundo onde não há guerras, discriminação ou solidão. Laurinha descreve um lugar onde os livros são tratados como tesouros, onde os animais têm um lar seguro e onde as pessoas se respeitam e se cuidam mutuamente. Suas palavras são um reflexo puro de seu coração generoso, repleto de um desejo ardente de ver a humanidade florescer.
Assim que terminou a composição, Laurinha enviou o poema por celular. Ouvir sua voz ao recitar os versos e depois transcrevê-los para ler com calma me fez acreditar que, apesar de todos os desafios que enfrentamos, o futuro ainda pode ser promissor. Crianças como minha neta são a esperança de um mundo mais humano, justo e compassivo. Como avó, sinto-me imensamente honrada em poder acompanhar o crescimento de uma jovem tão especial, mesmo com a distância que nos separa.
Ser avó de Laurinha é um presente diário. Sua poesia é um lembrete de que, mesmo diante das adversidades, há amor, sonhos e esperança nas novas gerações.
Se este mundo fosse meu
Seria muito diferente
Todos seriam leitores
Vários livros incríveis seriam livros famosos
Sobre primavera, flores e amores!
Se este mundo fosse meu
Não teríamos discussões.
Acabem as guerras, abaixem as armas,
Fiquem em paz como as primaveras.
Se este mundo fosse meu
Todos os animais teriam casa,
Todos teriam lar, nenhum na rua
Mas todos com um lugar para se amar.
Se este mundo fosse meu
Todos teriam seus direitos
Sem racismo e discriminação
Sem bullying e solidão
Todos com amor no coração.
*Neusa Japiassú é jornalista
*Com edição de Marina Yazbek Dias Peres