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Quando o comportamento é um pedido de ajuda

Compreender o comportamento infantil é essencial para uma educação eficaz e saudável

Larissa Fonseca* Publicado em 09/07/2026, às 06h00

Crianças frequentemente expressam por meio das atitudes aquilo que ainda não conseguem colocar em palavras. - Foto: Canva Pro
Crianças frequentemente expressam por meio das atitudes aquilo que ainda não conseguem colocar em palavras. - Foto: Canva Pro

Comportamentos infantis, como birras e agressões, muitas vezes são mal interpretados como falta de limites ou busca por atenção, mas podem refletir emoções que as crianças ainda não conseguem expressar verbalmente.

A Psicologia do Desenvolvimento e as Neurociências ressaltam que é crucial entender o que está por trás das atitudes das crianças, pois isso pode indicar dificuldades emocionais ou de aprendizado que precisam ser abordadas.

Educar envolve mais do que corrigir comportamentos inadequados; é essencial ensinar as crianças a expressar suas emoções de forma saudável, estabelecendo limites com empatia e vínculo, o que favorece seu desenvolvimento social e emocional.

Resumo gerado por IA

A cena é conhecida por quase todos os pais e professores. Uma criança se joga no chão porque ouviu um "não". Outra empurra o colega na escola. Um adolescente responde de forma agressiva a uma pergunta simples. Em poucos segundos, surgem os diagnósticos mais comuns: "Está fazendo birra." "É falta de limites." "Só quer chamar atenção."

Embora, em algumas situações, essas explicações possam fazer sentido, elas raramente contam a história inteira.

Todo comportamento comunica alguma coisa.

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Essa talvez seja uma das ideias mais importantes que a Psicologia do Desenvolvimento, as Neurociências e a Neuropsicopedagogia nos ensinam. Especialmente durante a infância, quando a linguagem emocional ainda está em construção, as crianças frequentemente expressam por meio das atitudes aquilo que ainda não conseguem colocar em palavras.

Isso não significa que todo comportamento inadequado tenha uma causa profunda ou que deva ser justificado. Significa apenas que, antes de corrigirmos uma atitude, vale a pena compreender o que pode estar por trás dela.

Uma criança pequena dificilmente dirá: "Estou frustrada porque ainda não consigo controlar meus impulsos." Ela simplesmente bate. Outra não dirá: "Estou insegura porque não estou acompanhando a aprendizagem da turma." Ela pode evitar as atividades, fazer brincadeiras fora de hora ou demonstrar desinteresse. Há também aquela que parece desafiar os adultos o tempo todo. Em alguns casos, o que existe por trás desse comportamento não é desrespeito, mas dificuldade para lidar com mudanças, necessidade de previsibilidade ou uma busca constante por conexão.

É importante dizer que compreender não significa concordar. Existe uma diferença fundamental entre acolher uma emoção e aceitar qualquer comportamento.

Toda emoção merece ser reconhecida. Nem todo comportamento pode ser permitido.

Uma criança pode sentir muita raiva. Mas precisará aprender que machucar outra pessoa nunca será uma forma adequada de expressá-la. Pode sentir tristeza. Mas precisará descobrir maneiras mais saudáveis de comunicar esse sentimento. Pode sentir frustração. Mas precisará desenvolver recursos para enfrentá-la sem destruir objetos, ofender pessoas ou desistir diante das primeiras dificuldades.

É justamente aí que entra o papel do adulto. Educar não é apenas interromper um comportamento inadequado. É ensinar a criança a substituí-lo por outro mais adequado.

Quando um adulto pergunta apenas "Como faço para ela parar com isso?", normalmente sua atenção está voltada para o problema imediato.

Mas a pergunta mais importante é outra: O que essa criança ainda precisa aprender?

Essa mudança de perspectiva transforma completamente a maneira de educar.

Em vez de enxergar apenas a birra, começamos a observar a dificuldade de esperar. Em vez de olhar apenas para a agressividade, percebemos a ausência de estratégias para resolver conflitos. Em vez de rotular uma criança como "desobediente", perguntamos se ela compreendeu a regra, se consegue segui-la ou se ainda precisa desenvolver habilidades de autocontrole.

Isso não elimina a necessidade de limites! Pelo contrário.

Limites são parte essencial do desenvolvimento infantil. Eles oferecem segurança, previsibilidade e ajudam a criança a compreender que viver em sociedade envolve considerar as necessidades das outras pessoas.

Mas limites produzem melhores resultados quando vêm acompanhados de vínculo. Uma criança aprende muito mais com um adulto que consegue ser firme e acolhedor ao mesmo tempo do que com alguém que apenas pune ou apenas protege.

Na prática, isso significa olhar além do comportamento. Significa perceber que o aluno que interrompe constantemente a aula pode estar tentando encontrar seu lugar naquele grupo. Que a criança que explode diante de pequenas frustrações talvez ainda não tenha aprendido a esperar. Que o adolescente aparentemente indiferente pode estar escondendo inseguranças que não sabe expressar.

Nem sempre descobriremos imediatamente a origem de um comportamento. E nem toda atitude terá uma explicação complexa. Algumas crianças simplesmente estão aprendendo os limites, testando regras e descobrindo como funciona o mundo. Isso também faz parte do desenvolvimento.

Mas existe uma pergunta que nunca deixa de ser útil:

O que este comportamento está tentando comunicar?

Quando fazemos essa pergunta antes de reagir, deixamos de enxergar apenas o problema e passamos a enxergar a criança. E essa é uma das maiores responsabilidades de quem educa. Porque comportamentos passam. As habilidades que ensinamos para substituí-los permanecem.

Educar não é apenas fazer uma criança obedecer hoje. É ajudá-la a desenvolver recursos para que, amanhã, consiga compreender suas emoções, fazer boas escolhas e construir relações mais saudáveis com o mundo e com as pessoas ao seu redor.

*Larissa Fonseca é Pedagoga e Neuropedagoga graduada pela USP, Pós Graduada em Psicopedagogia, Psicomotricidade e Educação Infantil. Autora do livro Dúvidas de Mãe.

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