Mariana Kotscho
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Prótese de quadril devolve mobilidade e qualidade de vida: quando a cirurgia é realmente indicada?

Especialista explica quem precisa do procedimento, explica avanços no tratamento e desmistifica a ideia de que a prótese é apenas para idosos

Redação* Publicado em 12/08/2026, às 06h00

Muitas pessoas convivem com for no quadril por anos acreditando que ele faz parte do envelhecimento. - Foto: Canva Pro
Muitas pessoas convivem com for no quadril por anos acreditando que ele faz parte do envelhecimento. - Foto: Canva Pro

A dor persistente no quadril pode dificultar atividades cotidianas, mas a cirurgia de prótese total de quadril se destaca como uma solução eficaz, melhorando a mobilidade e qualidade de vida dos pacientes. A crença de que a cirurgia deve ser evitada até a velhice é um mito, pois a indicação depende do impacto da dor na rotina do paciente.

A artrose é a principal causa que leva à necessidade de substituição da articulação, mas outras condições também podem requerer a cirurgia. A avaliação clínica e a dor sentida pelo paciente são fatores cruciais para determinar o momento adequado para a intervenção cirúrgica.

As técnicas cirúrgicas evoluíram para abordagens minimamente invasivas, que favorecem uma recuperação mais rápida e menos dolorosa. O diagnóstico precoce e tratamentos preservadores podem evitar a necessidade de próteses, ressaltando a importância de buscar avaliação especializada para gerenciar a dor no quadril.

Resumo gerado por IA

A dor persistente no quadril pode transformar atividades simples, como caminhar, subir escadas ou até dormir, em grandes desafios. Embora muitas pessoas convivam com o problema por anos acreditando que ele faz parte do envelhecimento, a medicina evoluiu significativamente nas últimas décadas e hoje oferece tratamentos capazes de devolver mobilidade, independência e qualidade de vida. Entre eles, a prótese total de quadril é considerada uma das cirurgias ortopédicas de maior sucesso no mundo.

Apesar dos excelentes resultados, ainda existem muitos mitos sobre o procedimento. Um dos mais comuns é acreditar que a cirurgia deve ser adiada ao máximo ou que ela é indicada apenas para pacientes muito idosos.

Segundo o ortopedista Dr. Luiz Henrique Silveira Rodrigues, cirurgião especializado em quadril, a indicação da prótese não depende exclusivamente da idade, mas principalmente do impacto que a doença causa na rotina do paciente.

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"A principal indicação para uma prótese de quadril é quando a dor limita a qualidade de vida e deixa de responder aos tratamentos conservadores. O paciente passa a ter dificuldade para caminhar, trabalhar, praticar atividades físicas e até realizar tarefas simples do dia a dia. Nesses casos, a cirurgia pode devolver autonomia e proporcionar um ganho significativo na qualidade de vida", explica.

Diversas doenças podem levar à necessidade da substituição da articulação. A artrose é a causa mais frequente, mas também estão entre as indicações a necrose da cabeça do fêmur, sequelas de fraturas, doenças reumatológicas, deformidades congênitas e algumas lesões decorrentes da prática esportiva.

Com o desgaste da cartilagem, o contato entre os ossos provoca dor intensa, rigidez e limitação dos movimentos. À medida que a doença evolui, tratamentos como medicamentos, fisioterapia e infiltrações podem deixar de apresentar os resultados esperados.

"A decisão pela cirurgia nunca é baseada apenas em exames de imagem. Muitas pessoas apresentam alterações importantes na radiografia e praticamente não sentem dor. Outras possuem um desgaste menor, mas apresentam limitações importantes. O que determina o momento ideal da cirurgia é a associação entre os exames, a avaliação clínica e o quanto aquela dor interfere na vida do paciente", afirma.

Outro conceito que mudou nos últimos anos é a própria técnica cirúrgica. Atualmente, muitos procedimentos podem ser realizados por meio de abordagens minimamente invasivas, que preservam músculos e tecidos ao redor da articulação, favorecendo uma recuperação mais rápida.

"As técnicas minimamente invasivas permitem menor agressão aos tecidos, menor sangramento, redução da dor no pós-operatório e uma reabilitação mais precoce. O objetivo é proporcionar uma recuperação mais confortável e acelerar o retorno às atividades, sempre respeitando as características individuais de cada paciente", destaca Dr. Luiz Henrique Silveira Rodrigues.

A evolução dos materiais utilizados na fabricação das próteses também aumentou significativamente sua durabilidade. Hoje, muitos implantes permanecem funcionais por décadas quando bem indicados e acompanhados.

"As próteses atuais apresentam excelente resistência ao desgaste. Com planejamento adequado, boa técnica cirúrgica e cuidados no pós-operatório, muitos pacientes conseguem utilizar a mesma prótese por 20 anos ou mais, mantendo uma vida ativa e independente", explica.

O período de recuperação também costuma gerar dúvidas. Diferentemente do que ocorria há alguns anos, o estímulo para que o paciente volte a se movimentar acontece logo após a cirurgia.

"Na maioria dos casos, o paciente inicia a fisioterapia e já começa a caminhar com auxílio nas primeiras horas ou no dia seguinte ao procedimento. Essa mobilização precoce reduz complicações, favorece a recuperação muscular e contribui para um retorno mais rápido às atividades cotidianas", afirma.

Além da cirurgia de substituição da articulação, o especialista destaca que muitos problemas do quadril podem ser tratados antes que o desgaste se torne irreversível. O diagnóstico precoce permite, em diversos casos, a realização de procedimentos preservadores, como a artroscopia do quadril, capaz de corrigir lesões esportivas e alterações estruturais sem a necessidade de implantar uma prótese.

"Nem toda dor no quadril significa que o paciente precisará de uma prótese. Existem diversas doenças que podem ser tratadas precocemente por meio de técnicas preservadoras, evitando ou adiando a necessidade da substituição da articulação. Por isso, a investigação correta é fundamental", ressalta.

Para o ortopedista, o maior erro é conviver durante anos com uma dor incapacitante por medo da cirurgia.

"Ninguém precisa aceitar a dor como parte natural do envelhecimento. Hoje dispomos de tratamentos modernos, individualizados e cada vez menos invasivos. O mais importante é buscar avaliação especializada para identificar a causa da dor e definir a melhor estratégia para cada paciente", conclui Dr. Luiz Henrique Silveira Rodrigues.

* Edição por Lina Santiago

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