O transplante capilar é uma solução eficaz para mulheres que buscam recuperar a autoestima e a imagem refletida no espelho
Dra. Rosa Maria Spalvieri* Publicado em 19/02/2026, às 06h00

A queda de cabelo em mulheres, frequentemente associada à alopecia androgenética, impacta profundamente a identidade e a autoconfiança, como demonstrado por figuras públicas que compartilham suas experiências, ajudando a desestigmatizar o tema.
A alopecia feminina se manifesta de forma difusa e pode levar anos para ser diagnosticada, resultando em insegurança prolongada antes que as pacientes busquem ajuda profissional.
O tratamento envolve uma avaliação detalhada e, em casos avançados, o transplante capilar é uma opção eficaz, complementada por cuidados pós-operatórios que garantem a estabilidade e a qualidade dos fios transplantados.
Ao longo da minha trajetória na cirurgia e na tricologia médica, aprendi que a queda de cabelo raramente é apenas uma questão estética. Para muitas mulheres, ela atinge algo muito mais profundo: a identidade, a autoconfiança e a forma como se reconhecem no espelho.
Recentemente, vimos mulheres públicas como Xuxa Meneghel, e anteriormente as cantoras Maiara e Maraisa, compartilharem suas experiências com a alopecia androgenética e com o transplante capilar. Quando figuras conhecidas tornam esse tema visível, elas ajudam a romper um silêncio histórico que ainda envolve a perda capilar feminina. E isso é extremamente importante.
A alopecia androgenética nas mulheres costuma se manifestar de forma difusa, com afinamento progressivo dos fios, muitas vezes sem a formação de áreas totalmente calvas no início. Por essa razão, o diagnóstico pode ser tardio. Em consultório, recebo pacientes que já convivem há anos com a insegurança antes de buscar ajuda.
Meu papel começa pelo acolhimento. Cada caso exige uma investigação detalhada, com avaliação clínica criteriosa, exames laboratoriais, análise hormonal e mapeamento capilar. Só após compreender a causa e o estágio da condição é possível indicar o melhor tratamento.
Em situações em que já existem áreas rarefeitas ou falhas consolidadas, o transplante capilar se torna uma alternativa segura e eficaz. Trabalho com técnicas modernas, como FUE e FUE-DHI, utilizando implantes que preservam a vitalidade e a integridade dos folículos durante a implantação. Em megassessões, podemos transplantar mais de 4 mil folículos em um único procedimento.
A cirurgia é realizada em ambiente adequado, com acompanhamento de anestesiologista, e dura, em média, oito horas. Durante esse período, extraímos cuidadosamente os folículos da área doadora, preparamos cada unidade sob microscopia e implantamos fio a fio nas regiões afetadas. A construção da nova linha capilar respeita direção, angulação e densidade naturais, garantindo um resultado harmônico.
No entanto, sempre explico às minhas pacientes que o processo não termina na cirurgia. O pós-operatório é fundamental para a qualidade do resultado. Realizamos reavaliações periódicas e, quando indicado, associamos tratamentos complementares, como MMP (Microinfusão de Medicamentos na Pele) e terapia com LED. O acompanhamento pode se estender por até um ano, assegurando fortalecimento e estabilidade dos fios transplantados.
Quando uma mulher decide tratar sua alopecia, ela não está buscando apenas melhorar a aparência. Está buscando reconectar-se com sua imagem, recuperar segurança e sentir-se novamente inteira.
Recuperar os fios é, muitas vezes, recuperar uma parte da própria história.
* Dra. Rosa Maria Spalvieri é cirurgiã geral, pós-graduada em dermatologia, tricologia médica e transplante capilar no Brasil, e está à frente da Clínica Spalvieri Cirurgia Integrada.
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