Entenda como a Inteligência Artificial pode ser aliada no ensino, respeitando o protagonismo do professor como mediador
Aline Ferrus* Publicado em 19/02/2026, às 06h00

A Inteligência Artificial (IA) está se integrando ao ambiente escolar, com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) promovendo seu uso seguro e respeitoso, visando melhorar a aprendizagem dos alunos.
Embora a tecnologia ofereça benefícios, o papel do professor como mediador é essencial para humanizar o ensino, garantindo que os alunos sejam vistos como indivíduos em desenvolvimento e respeitando a autoria e privacidade.
Para otimizar o uso da IA, é necessário investir em planejamento de aulas, personalização da aprendizagem e análise de dados, permitindo que os educadores se concentrem no processo de aprendizagem e discutam questões éticas relacionadas à tecnologia.
A Inteligência Artificial (IA) está cada dia mais presente na maioria das atividades realizadas e no ambiente escolar não é diferente. A própria Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento oficial brasileiro que define as aprendizagens essenciais, protege a implementação da computação e suas vertentes no contexto educacional, sendo a utilização da tecnologia digital de maneira segura e respeitosa um dos seus principais objetivos.
A presença do professor como mediador do uso dessas ferramentas tecnológicas é fundamental diante das necessidades individuais do aluno e da turma. Dessa forma, o uso da IA não deve ser visto como algo negativo, desde que a solução seja aplicada com intencionalidade pedagógica.
Entretanto, apesar dos benefícios da tecnologia, o professor tem o papel fundamental de humanizar o processo de ensino e aprendizagem, pilar crucial na educação. Diferentemente das soluções tecnológicas, o educador possui empatia e o olhar para o outro. Assim, mesmo dentro da sociedade hiperconectada, o estudante, por meio do olhar do educador, permanece sendo visto como ser humano em desenvolvimento.
Além disso, existem os riscos referentes a autoria no uso de Inteligência Artificial, na qual cabe ao professor abordar a necessidade do respeito ao processo criativo e autoral de outras pessoas, além do cuidado com a privacidade de dados. A IA pode ser a perfeita aliada para explorar a criatividade da turma, no entanto, é importante que os jovens tenham ciência de a solução ser apenas um apoio para a realização das tarefas. Dessa forma, a verdadeira revolução na educação não está na tecnologia, mas na parceria entre o lado humano do professor e o poder ampliado dessa inteligência.
Por meio do uso de IA, a sobrecarga operacional do professor se dissipa na agilidade e automatização da ferramenta, permitindo que o educador foque no essencial: o processo de aprendizagem do aluno. Ela pode ser utilizada como auxílio para o docente, tanto na organização de planos estratégicos, quanto na sugestão de práticas e adaptação de certos materiais para determinadas necessidades.
Para que os educadores tenham ciência sobre o quanto a IA pode expandir suas habilidades e facilitar certas rotinas, é importante investir em:
1- Planejamento de aulas, com a IA buscando por sugestões de atividades, sequências didáticas, perguntas problematizadoras e planos de aula alinhados e adaptados à realidade da sala de aula;
2- Personalização da aprendizagem e apoio na criação de atividades de diferentes níveis de complexidade, que respeitem o ritmo e a necessidade de cada aluno;
3- Produção e revisão de textos com a ferramenta, que auxilia na elaboração de rascunhos, na revisão ortográfica, na sugestão de vocabulário e na reestruturação do texto;
4- Análise de dados de aprendizagem, com a solução auxiliando na leitura dos resultados de avaliações e na identificação de dificuldades, além do acompanhamento do progresso dos estudantes, tornando as intervenções pedagógicas mais assertivas e que gerem, de fato, um impacto no processo de ensino e aprendizagem;
5- Utilizar a IA com intuito acadêmico, sendo fundamental abordar discussões sobre o funcionamento da IA, questionando seus limites, vieses, questão de autoria e a responsabilidade do aluno.
* Aline Ferrus é assessora pedagógica da plataforma par.
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