Entenda a relação entre previsibilidade da rotina e a sensação de segurança emocional para reduzir ansiedade e estresse
Redação* Publicado em 20/02/2026, às 06h00

Estabelecer hábitos diários organizados é crucial para a saúde mental, especialmente após períodos de intensa atividade como o Carnaval, segundo a psicóloga Karine Brock.
A falta de rotina pode aumentar a ansiedade e o estresse, pois a imprevisibilidade é percebida como uma ameaça, levando a dificuldades emocionais e comportamentais.
A construção de uma rotina deve ser realista e flexível, priorizando pequenos hábitos que promovam autocuidado e organização, ajudando a reduzir a pressão e a melhorar a saúde mental.
Em meio a uma rotina cada vez mais acelerada e marcada por excesso de estímulos, cobranças e decisões constantes, estabelecer hábitos diários organizados pode ser um fator decisivo para a preservação da saúde mental. De acordo com a psicóloga cognitivo-comportamental Karine Brock, a rotina funciona como uma base essencial para o equilíbrio emocional, comportamental e cognitivo. Talvez esse momento em que termina o Carnaval e a maioria finalmente começa a se programar para as atividades de fato seja um excelente momento para isso.
Segundo a especialista, dentro da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), pensamentos, emoções e comportamentos estão interligados. “Quando a pessoa tem uma estrutura mínima no dia a dia, isso reduz a sobrecarga mental de precisar decidir tudo o tempo todo. O cérebro passa a funcionar com mais equilíbrio”, explica ela.
A organização cotidiana favorece a repetição de comportamentos saudáveis, como horários regulares de sono, alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos e pausas para atividades prazerosas. Esses hábitos contribuem diretamente para a regulação emocional e ajudam a prevenir sintomas como ansiedade, irritabilidade e desânimo.
Por outro lado, a ausência de rotina pode gerar efeitos significativos na saúde mental. Karine destaca que a falta de previsibilidade costuma ser interpretada pelo cérebro como uma ameaça. “Isso aumenta pensamentos ansiosos, preocupações excessivas, sensação de incapacidade e descontrole”, afirma. No comportamento, a desorganização favorece a procrastinação, alterações no sono e dificuldade de manter hábitos, enquanto emocionalmente pode gerar estresse, culpa e a sensação constante de estar ‘apagando incêndios’.
A psicóloga ressalta que a ansiedade está fortemente ligada à sensação de segurança. Uma rotina estruturada, ainda que simples, reduz decisões inesperadas, aumenta a previsibilidade do dia e diminui o estado de alerta do cérebro. O que contribui, de acordo com ela, diretamente para a redução do estresse e da ansiedade, além de permitir a inclusão consciente de momentos de descanso, lazer e autocuidado.
A previsibilidade da rotina também está associada à sensação de segurança emocional. De acordo com Karine, o cérebro humano busca padrões por uma questão de sobrevivência. “Quando sabemos o que esperar do dia, há menor ativação dos sistemas ligados ao medo e à ameaça. Isso gera estabilidade emocional e maior capacidade de lidar com desafios, inclusive os imprevistos”, explica.
Na abordagem da TCC, a construção da rotina deve ser realista e flexível, sem rigidez excessiva ou autocobrança. O objetivo não é criar uma agenda perfeita, mas uma estrutura adaptável à realidade da pessoa. “Trabalhamos com metas pequenas, possíveis e progressivas, respeitando o momento emocional, a energia disponível e o contexto de vida”, destaca a psicóloga, que também atua na desconstrução de crenças ligadas ao perfeccionismo e à produtividade extrema.
Pequenos hábitos diários, segundo a profissional, podem promover mudanças significativas na saúde mental. A TCC valoriza os chamados ‘micro comportamentos’, como estabelecer horários regulares para dormir e acordar, fazer pausas para respirar ao longo do dia, organizar tarefas e incluir atividades prazerosas na rotina. “A repetição e a constância dessas ações fortalecem a sensação de competência, autocuidado e controle sobre a própria vida”, afirma ela.
Para quem enfrenta esgotamento emocional ou ansiedade, a orientação é começar pelo essencial. A recomendação inicial inclui três pilares básicos: organização do sono, estrutura mínima de refeições e a inclusão de pelo menos uma atividade de autocuidado ou prazer diário. A partir disso, a rotina pode ser ampliada aos poucos, sempre respeitando o ritmo individual. “A rotina precisa ser sustentável e leve. Não pode ser mais uma fonte de pressão. Quando bem construída, ela se torna uma grande aliada da saúde mental”, conclui Karine Brock.
* Edição por Lina Santiago
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