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Janeiro Branco: como a cannabis medicinal tem sido considerada no cuidado com ansiedade e depressão

Especialista ressalta a importância de uma abordagem integrada no cuidado com ansiedade e depressão

Redação Publicado em 08/01/2026, às 06h00

Mulher sentada no chão segura a cabeça nas mãos em gesto de desespero
O tratamento visa garantir que quem lida com ansiedade, depressão e outros transtornos receba acolhimento e tenha qualidade de vida. - Foto: Canva Pro

Janeiro Branco destaca a importância da saúde mental, especialmente em Campinas, que ocupa a sexta posição em estresse entre grandes cidades do Brasil, refletindo um grave problema de saúde pública relacionado à ansiedade e depressão.

Com 9,3% da população brasileira afetada por ansiedade e 5,8% por depressão, a busca por alternativas terapêuticas, como a cannabis medicinal, cresce, com 30,8% dos usuários relatando benefícios para a saúde mental.

A Dra. Beatriz Jacob ressalta que a cannabis deve ser usada com acompanhamento médico e como parte de um tratamento integrado, enfatizando a necessidade de um suporte contínuo para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Resumo gerado por IA

Com a chegada de mais um Janeiro Branco, mês dedicado à conscientização sobre a saúde mental, a discussão sobre alternativas terapêuticas para transtornos como ansiedade e depressão ganha ainda mais relevância, sobretudo em cidades em que o sofrimento emocional é um desafio persistente.

Um levantamento recente da Blis Data de 2025 posiciona Campinas como a sexta cidade com maiores níveis de estresse no país, entre capitais e grandes centros urbanos, superada apenas por metrópoles como São Paulo, Brasília e Belo Horizonte, o que reflete um quadro preocupante de esgotamento mental na população local. No Brasil, os transtornos de ansiedade e depressão já são consideradas questões centrais de saúde pública. Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que o país tem uma das maiores prevalências desses quadros, com milhões de brasileiros afetados por ansiedade, em torno de 9,3% da população, e cerca de 5,8% acompetidos por depressão, números que confirmam a urgência de respostas amplas e eficazes no acolhimento e tratamento. 

Diante de um cenário em que muitos pacientes continuam a conviver com sintomas intensos apesar de abordagens convencionais, cresce o interesse por outras terapias, incluindo a cannabis medicinal, como parte de um plano terapêutico que vise não apenas aliviar sintomas, mas também promover qualidade de vida. Pesquisas no Brasil indicam que aproximadamente 30,8% dos usuários de cannabis medicinal relatam utilização da planta para cuidados com a saúde mental, abrangendo ansiedade, estresse, insônia e depressão, com níveis significativos de satisfação entre os pacientes. 

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A médica Dra. Beatriz Jacob, especialista em dor e estudiosa da cannabis para uso médico, ressalta que o tema precisa ser abordado com ciência, responsabilidade e acompanhamento profissional. “Embora ainda exista estigma em torno da cannabis, vimos ao longo dos últimos anos um crescente corpo de evidências e relatos clínicos que sugerem que compostos como o CBD podem modular respostas neuroquímicas ligadas à ansiedade e ao humor, promovendo alívio em pacientes que muitas vezes não respondem adequadamente às terapias tradicionais", afirmou a doutora. 

Segundo a especialista, a cannabis medicinal não é uma solução única, mas pode ser uma ferramenta complementar valiosa quando utilizada com acompanhamento médico adequado, considerando dosagem, perfil sintomático do paciente e possíveis interações com outros tratamentos.

A Dra. Beatriz Jacob enfatiza ainda que o uso medicinal deve sempre estar ancorado em uma abordagem integrada à saúde mental, envolvendo psicoterapia, suporte social, cuidados com sono e rotinas saudáveis. “Parte do que chamamos de saúde mental é a capacidade de viver com propósito, equilíbrio e bem-estar emocional. A cannabis medicinal pode ser uma das respostas nesse espectro, mas nunca deve substituir a atenção completa que cada indivíduo merece”, afirma.

À medida que Campinas e outras cidades brasileiras enfrentam índices elevados de estresse e sofrimento emocional, o Janeiro Branco se confirma como um momento oportuno para ampliar o debate sobre saúde mental em todas as suas dimensões. Seja por meio de terapias convencionais ou complementares como a cannabis medicinal, a prioridade permanece a mesma: garantir que quem lida com ansiedade, depressão e outros transtornos receba acolhimento, tratamento adequado e suporte contínuo para viver com mais qualidade de vida e bem-estar.

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