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É preciso cuidar da saúde mental de quem cuida

Estudo mostra que 36% dos profissionais de educação relatam sofrimento psicológico. Quem cuida precisa ser cuidado

Sonia Simões Colombo* Publicado em 12/04/2026, às 06h00

Entenda a importância de ter a promoção do bem-estar em instituições de ensino
Entenda a importância de ter a promoção do bem-estar em instituições de ensino

A saúde mental dos educadores no Brasil é alarmante, com uma média de 95 afastamentos diários em São Paulo em 2025, refletindo um problema que afeta tanto o bem-estar dos profissionais quanto o aprendizado dos alunos.

Uma pesquisa nacional revelou que 36,58% dos professores enfrentam sofrimento psicológico, com fatores como a redução da vitalidade e dificuldades de concentração contribuindo para esse quadro, especialmente entre educadores da educação básica.

O estudo destaca a necessidade de políticas institucionais que promovam o bem-estar no ambiente de trabalho, evidenciando que a saúde mental dos profissionais é crucial para a sustentabilidade das instituições de ensino e para o futuro da educação no Brasil.

Resumo gerado por IA

A saúde mental dos profissionais da educação está no centro das discussões sobre o futuro do ensino no Brasil. Em 2025, só o Estado de São Paulo teve uma média de 95 afastamentos diários de professores por questões de saúde mental, de acordo com levantamento do Centro do Professorado Paulista.

Os dados são alarmantes por si só. Quem educa está adoecendo e é preciso olhar para isso e traçar estratégias de gestão para que esse quadro seja revertido, pensando no bem-estar dos profissionais e no aprendizado das crianças e jovens.

Do ponto de visto de negócio, o impacto também é relevante. No ano passado, o INSS registrou 546 mil afastamentos em função de transtornos mentais. Foram US$ 78 bilhões perdidos no ano em decorrência de baixo rendimento relacionado à depressão.

É diante deste cenário que surge o Panorama da Saúde Mental e do Bem-Estar nas Instituições de Ensino Particulares no Brasil, pesquisa nacional inédita realizada pelo Instituto Semesp, FENEP, HUMUS Consultoria e Happy Academy.  

O levantamento ouviu 1.285 profissionais da educação em todo o país e foi apresentado durante o GEduc 2026, principal congresso brasileiro de gestão educacional, trazendo um retrato aprofundado sobre como educadores percebem sua saúde emocional, o ambiente de trabalho e o nível de engajamento profissional.  

A pesquisa aponta que 36,58% dos profissionais da educação apresentam algum nível de sofrimento psicológico, evidenciando que mais de um terço da amostra enfrenta dificuldades relacionadas à saúde mental no ambiente de trabalho.

Entre os fatores associados a esse quadro está a redução da vitalidade, entendida como energia emocional e capacidade de lidar com as demandas diárias. Entre os participantes que apresentam sofrimento psicológico, 47,83% indicam queda significativa na vitalidade, acompanhada por dificuldades de concentração e redução da autoconfiança profissional.

Os dados também revelam diferenças entre níveis de ensino. Educadores da educação básica apresentam maior vulnerabilidade emocional quando comparados aos profissionais do ensino superior. Podemos associar esses números à intensidade da interação cotidiana e às diferenças de contexto entre os níveis de ensino.

Outro ponto de atenção identificado pela pesquisa é a percepção de bem-estar psicológico entre os profissionais da educação. O estudo mostra que 52,12% dos participantes apresentam níveis reduzidos de bem-estar emocional, enquanto 47,86% relatam níveis mais positivos. Esse resultado indica que o desafio não está apenas em episódios de adoecimento, mas também em um estado contínuo de desgaste e baixa recuperação emocional ao longo da rotina profissional.

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Entre os aspectos institucionais analisados, a segurança psicológica aparece como um dos pontos mais críticos. A análise revela que 57,65% dos profissionais relatam baixos níveis de segurança psicológica no ambiente de trabalho, indicando que muitos não se sentem plenamente confortáveis para expressar opiniões, dúvidas ou preocupações dentro das instituições. Outros 29,68% apontam níveis intermediários, enquanto apenas 12,67% afirmam perceber um ambiente de alta segurança psicológica. E sabemos que ambientes com baixa segurança psicológica tendem a reduzir a troca de ideias, aumentar o estresse ocupacional e limitar processos de inovação e melhoria pedagógica.

No entanto, mesmo diante das dificuldades emocionais relatadas, a maioria dos profissionais demonstra forte engajamento com o trabalho. De acordo com o estudo, 59,82% dos participantes apresentam alto nível de engajamento profissional, enquanto 29,21% registram engajamento moderado.

O sentimento de dedicação à profissão aparece como um dos fatores mais consistentes do levantamento, indicando orgulho pela atividade exercida e forte envolvimento com o propósito educacional.

Durante muito tempo falamos sobre inovação pedagógica e transformação digital sem dar a devida centralidade às condições humanas que sustentam essas mudanças. A pesquisa mostra que cuidar das pessoas passou a ser uma estratégia essencial para a própria sustentabilidade das instituições de ensino.

O objetivo do estudo, portanto, é contribuir para ampliar a discussão sobre políticas institucionais de prevenção e promoção do bem-estar nas instituições de ensino, reforçando que o futuro da educação depende também da construção de ambientes de trabalho mais saudáveis e sustentáveis para quem ensina.

* Sonia Simões Colombo é CEO da Humus, consultoria educacional, head de conteúdo do GEduc, congresso de gestão educacional, e presidente do Instituto ELA Educadoras do Brasil

*Com edição de Marina Yazbek Dias Peres