Mariana Kotscho
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A saúde emocional de quem cuida dos nossos animais também importa

O desafio silencioso dos médicos-veterinários, que acolhem nossos animais, mas que também precisam de cuidado e saúde mental para seguir em frente

Redação* Publicado em 12/03/2026, às 06h00

Médica veterinária trata cachorro caramelo com colar elisabetano.
Plantões longos, decisões difíceis e o contato constante com o sofrimento de animais e de seus tutores fazem parte do dia a dia do médico veterinário. - Foto: Canva Pro

Veterinários no Brasil enfrentam uma rotina intensa e estressante, com mais de um terço dos profissionais afastados por problemas de saúde mental, refletindo a pressão emocional da profissão.

Com cerca de 200 mil veterinários no país, a discussão sobre suporte emocional e qualidade de vida para esses profissionais está ganhando destaque, evidenciando a necessidade de cuidar de quem cuida.

A iniciativa Vetlove surge como uma plataforma para oferecer apoio em saúde física e mental, além de capacitação, promovendo o bem-estar e o desenvolvimento profissional dos veterinários.

Resumo gerado por IA

Quem já passou por uma emergência veterinária conhece bem aquela cena: o médico de plantão que recebe um animal ferido, consola o tutor aflito e tenta, ao mesmo tempo, salvar uma vida. É um trabalho que mistura técnica e afeto, e que, muitas vezes, cobra um preço emocional alto. No Brasil, onde os pets ocupam cada vez mais o lugar de filhos nas famílias, os veterinários se tornaram figuras essenciais na rotina doméstica. Mas, como em tantas profissões de cuidado, pouco se fala sobre quem cuida deles.

A rotina desses profissionais costuma ser intensa. Plantões longos, decisões difíceis e o contato constante com o sofrimento de animais e de seus tutores fazem parte do dia a dia. Estudos do próprio setor apontam que o nível de estresse entre médicos-veterinários está entre os mais altos da área da saúde. Em um país com cerca de 200 mil profissionais registrados, mais de um terço já precisou se afastar do trabalho por questões relacionadas à saúde mental, um dado que acende um alerta importante sobre o bem-estar de quem dedica a vida ao cuidado.

Não por acaso, começa a ganhar espaço no setor a discussão sobre suporte emocional, qualidade de vida e desenvolvimento profissional para esses especialistas. Recentemente, surgiu no país uma iniciativa chamada Vetlove, plataforma proprietária do ecossistema Petlove voltada justamente para oferecer apoio aos médicos-veterinários em diferentes frentes da vida: da saúde física e mental à capacitação e gestão de carreira. A ideia é simples, mas poderosa: lembrar que o profissional que cuida dos nossos animais também precisa de rede de apoio, descanso e oportunidades para se desenvolver.

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A plataforma reúne desde programas de bem-estar e atividades físicas até cursos e soluções para ajudar veterinários a estruturar melhor seus consultórios ou clínicas. Mais do que uma ferramenta de carreira, a proposta dialoga com um tema cada vez mais presente na sociedade: a importância de cuidar da saúde emocional de quem trabalha em profissões de cuidado, muitas vezes conciliando jornadas exaustivas com a vida familiar.

No fundo, a reflexão que surge é a mesma que tantas mães, pais e cuidadores conhecem bem: ninguém sustenta o cuidado por muito tempo sem também ser cuidado. Se os veterinários estão ao nosso lado nos momentos mais delicados da vida dos nossos animais, faz sentido que exista também um movimento para garantir que eles tenham equilíbrio, apoio e bem-estar para continuar fazendo o que fazem de melhor: cuidar.

* Edição por Lina Santiago

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