Mariana Kotscho
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Cirurgia de catarata evolui e passa a mirar independência visual e menos óculos

Procedimento deixa de ser apenas corretivo e ganha planejamento personalizado para oferecer mais independência ao paciente

Redação Publicado em 12/01/2026, às 06h00

Rosto de mulher com olho em foco
Hoje, existem opções capazes de corrigir não só a catarata, mas também miopia, hipermetropia, astigmatismo e diminuir a necessidade de óculos para perto. - Foto: Canva Pro

A cirurgia de catarata evoluiu para um procedimento que visa não apenas a remoção do cristalino opaco, mas também a melhoria da qualidade visual e a redução da dependência de óculos, refletindo avanços nas técnicas e nas lentes intraoculares.

O planejamento cirúrgico se tornou crucial, considerando fatores como a anatomia ocular e o estilo de vida do paciente, para garantir resultados que atendam às expectativas individuais de visão.

Embora a redução da dependência de óculos seja possível, não é garantida para todos os pacientes, e a personalização do tratamento é essencial para alcançar uma visão de qualidade e conforto, respeitando as limitações de cada caso.

Resumo gerado por IA

A cirurgia de catarata já não é mais encarada apenas como a retirada de um cristalino opaco. Com os avanços tecnológicos e o refinamento das técnicas, o procedimento passou a ter um novo objetivo: planejar como o paciente vai enxergar depois da cirurgia. A ideia de devolver apenas a visão perdida deu lugar a um conceito mais amplo, que envolve qualidade visual, conforto e, em muitos casos, a redução da dependência dos óculos.

Segundo o oftalmologista Dr. Rodrigo Dalto, especialista em cirurgias da córnea, catarata e cirurgia refrativa, a evolução das lentes intraoculares mudou completamente o cenário. Hoje, existem opções capazes de corrigir não só a catarata, mas também miopia, hipermetropia, astigmatismo e, em situações específicas, diminuir a necessidade de óculos para perto. O médico explica que cada lente tem características próprias e que a escolha deve ser feita de forma criteriosa, levando em conta não apenas os exames, mas também o estilo de vida do paciente.

O planejamento cirúrgico, aliás, tornou-se uma das etapas mais importantes do processo. Avaliações detalhadas da córnea, da anatomia ocular e da saúde dos olhos ajudam a definir a melhor estratégia visual. Além disso, hábitos como leitura frequente, uso de telas, direção noturna e atividades profissionais ou esportivas entram na análise. Para o Dr. Rodrigo Dalto, operar bem é tão essencial quanto planejar bem. A cirurgia em si é apenas uma parte de um processo que começa muito antes do centro cirúrgico.

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Apesar dos avanços, o especialista faz um alerta importante: a redução da dependência dos óculos é possível, mas não acontece de forma automática. Nem todos os pacientes têm indicação para lentes que eliminam completamente o uso de óculos, especialmente para perto. Existem limitações anatômicas, expectativas visuais diferentes e condições oculares que precisam ser respeitadas. A boa medicina, nesse contexto, é aquela que alinha desejo, indicação e segurança.

Esse cuidado com expectativas é fundamental para alcançar bons resultados. O melhor desfecho não é necessariamente ficar sem óculos em todas as situações, mas enxergar com qualidade, previsibilidade e conforto. Para o oftalmologista, personalizar a decisão é o que diferencia a cirurgia moderna de catarata de um procedimento padronizado do passado.

No início do ano, quando muitas pessoas traçam metas de saúde e retomam atividades físicas, enxergar bem também passa a ter um papel central no desempenho e na segurança. Academia, corrida e esportes ao ar livre exigem boa percepção espacial, reflexos rápidos e estabilidade visual. Óculos que escorregam, embaçam ou quebram, assim como lentes de contato que ressecam ou causam desconforto, podem aumentar o risco de acidentes.

Nesse contexto, intervenções oftalmológicas, como a cirurgia de catarata bem indicada ou a cirurgia refrativa, devem ser vistas como ferramentas de autonomia, não como promessas milagrosas. O Dr. Rodrigo reforça que qualquer decisão nessa área precisa partir de avaliação detalhada, planejamento individualizado e responsabilidade médica.

A cirurgia de catarata deixou de ser um procedimento igual para todos. Hoje, ela representa uma escolha personalizada, focada em qualidade visual e independência, respeitando os limites e as características de cada olho. Afinal, enxergar bem também faz parte do desempenho, da segurança e da qualidade de vida.

* Com edição de Lina Santiago.

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