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Saiba como dar fim aos quilos extras que vêm com a menopausa

Exercícios de força, reposição hormonal e até canetas emagrecedoras podem ajudar com a menopausa

Vanessa Kopersz* Publicado em 02/02/2026, às 06h00

Segue os conselhos de Dra. Maysa Penteado Guimarães e Dr. José Bento para a perca de peso na menopausa - foto: pexels
Segue os conselhos de Dra. Maysa Penteado Guimarães e Dr. José Bento para a perca de peso na menopausa - foto: pexels

A menopausa provoca alterações hormonais que resultam no acúmulo de gordura abdominal, dificultando a perda de peso e gerando a chamada 'pochete do climatério'. Essa mudança no armazenamento de gordura e a desaceleração do metabolismo são consequências diretas da queda dos hormônios femininos, especialmente o estrogênio.

A diminuição do estrogênio e da progesterona leva a uma resposta metabólica menos eficiente, fazendo com que a mesma dieta que antes não causava ganho de peso agora contribua para o aumento da gordura abdominal. Além disso, a resistência à insulina e a perda de massa muscular são fatores que agravam essa situação.

Para lidar com essas mudanças, é essencial um plano de emagrecimento individualizado que inclua alimentação anti-inflamatória, exercícios de força e avaliação hormonal. A reposição hormonal, quando bem conduzida, pode ajudar na perda de peso, e medicamentos que controlam o apetite também podem ser utilizados como suporte temporário durante essa fase de transição.

Resumo gerado por IA

A maioria das mulheres na menopausa têm a mesma queixa: depois que as menstruações cessaram, surge uma barriguinha teimosa, que muitas vezes nem com exercícios é eliminada. Mas por quê desenvolvemos a famosa “pochete do climatério” e ganhamos quilos extras?

Essa barriguinha não aparece por acaso. "Na menopausa, ocorre uma queda importante dos hormônios femininos - especialmente o estrogênio - e isso muda a forma como o corpo armazena gordura. A mulher deixa de acumulá-la nos quadris e coxas e passa a concentrá-la mais no abdômen, um padrão ‘mais masculino’. Além disso, o metabolismo fica mais lento, há perda importante de massa muscular e maior resistência à insulina, favorecendo o aumento da barriguinha," explica a Dra. Maysa Penteado Guimarães, médica com foco em perda de peso, saúde hormonal e melhora da qualidade de vida.

Ela explica que os hormônios funcionam como maestros do metabolismo. Com a queda do estrogênio e da progesterona típica do climatério, o corpo passa a gastar menos energia, perde músculos com mais facilidade e responde pior à insulina. "Isso significa que o mesmo prato de comida que antes não causava impacto agora favorece o acúmulo de gordura, especialmente na barriga."

Ou seja, para os julgadores de plantão: não é falta de esforço - é uma mudança biológica real. "Por isso, o que funcionava para emagrecer aos 30 ou 40 anos muitas vezes deixa de funcionar agora," explica o ginecologista Dr. José Bento.

Mas o que fazer se a biologia atua contra nosso esforço, de modo tão cruel? Para a Dra. Maysa, "o plano precisa ser estratégico e individualizado. Não se trata apenas de "comer menos"."

Envolve:

1.) Alimentação anti-inflamatória (peixes, azeite, frutas vermelhas, aveia, canela, gengibre, abacate, sementes de abóbora, chá verde) e com muita proteína adequada para preservar músculo.

2.) Exercícios de força, fundamentais nessa fase da vida, para recuperar perda de massa muscular.

3.) Sono de qualidade e controle do estresse.

4.) Avaliação hormonal completa.

5.) Correção de resistência à insulina e inflamação

6.) Déficit calórico inteligente, sem dietas restritivas crônicas

Para o Dr. José Bento, "o erro mais comum é insistir em comer cada vez menos e fazer apenas exercícios aeróbicos-cárdio. Isso só acelera a perda muscular, reduz ainda mais o metabolismo e mantém a gordura abdominal," crava.

Na menopausa, a tarefa é hercúlea: emagrecer não é apenas "perder peso." É recompor o corpo – isso exige esforço, tempo, exames e controle hormonal.

Aliás, "quando bem indicada e bem conduzida, a reposição hormonal ajuda na perda de peso, e muito. Ela melhora a sensibilidade à insulina, preserva massa muscular, reduz inflamação e facilita a redistribuição da gordura corporal. O problema não é a reposição em si, mas doses inadequadas, hormônios mal escolhidos ou falta de acompanhamento especializado," explica a Dra. Maysa.

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Um entrave para o emagrecimento nessa fase é a famosa "dominância estrogênica," que ocorre quando há excesso relativo de estrogênio em relação à progesterona — algo comum na transição para a menopausa. "Esse desequilíbrio favorece retenção de líquidos, inflamação, dificuldade de emagrecimento e acúmulo de gordura abdominal. Por isso, não basta repor estrogênio, é preciso equilíbrio hormonal," afirma a Dra. Penteado.

Mas a equação não é tão simples: "no início do uso ou quando a dose não está adequada, a progesterona pode causar sensação de inchaço, sonolência ou retenção hídrica. Porém, quando bem ajustada, ela tende a fazer o oposto: reduzir retenção, melhorar o sono e equilibrar os efeitos do estrogênio. O segredo está na dose, na via de uso e na individualização."

Já a testosterona, em níveis adequados para a mulher, ajuda a preservar massa muscular, melhora a disposição, a libido e aumenta o gasto energético basal. Com mais músculo, o corpo queima mais gordura, inclusive abdominal. O problema é o excesso ou uso sem critérios, que pode gerar efeitos indesejados.

A Dra. Maysa ainda frisa que nesses casos de ganho de peso na menopausa, as famosas "canetas emagrecedoras" podem ajudar. "Esses medicamentos atuam no controle do apetite, na melhora da resistência à insulina e na redução da inflamação metabólica — fatores centrais da síndrome metabólica na menopausa. Em muitas pacientes, eles funcionam como uma ferramenta temporária para destravar o metabolismo, enquanto o corpo se reorganiza hormonalmente."

E de forma geral, não há interação negativa das canetas com a reposição hormonal. Ao contrário: quando bem indicados, os medicamentos para emagrecimento como tirzepatida e semaglutida e a terapia de reposição hormonal podem ser complementares. O ponto-chave é o acompanhamento médico, para ajustar doses, evitar excessos e garantir segurança e bons resultados.

*Vanessa Kopersz é jornalista

*Com edição de Marina Yazbek Dias Peres