Como o excesso de tempo em frente a aparelhos digitais pode impactar o desenvolvimento infantil
Redação* Publicado em 17/03/2026, às 06h00

O uso excessivo de dispositivos eletrônicos por crianças está gerando preocupações entre especialistas, que apontam impactos negativos no desenvolvimento físico, emocional e cognitivo, como déficits de atenção e dificuldades de concentração.
Além de afetar a aprendizagem, o uso prolongado de telas prejudica a qualidade do sono e a saúde física, alterando o ritmo circadiano e contribuindo para irritabilidade e cansaço.
Para mitigar esses efeitos, especialistas recomendam que os pais estabeleçam limites no uso de tecnologia e incentivem atividades offline, promovendo um equilíbrio que favoreça o desenvolvimento integral das crianças.
O uso de tablets, celulares e computadores se tornou parte do cotidiano das crianças, mas especialistas alertam que o excesso pode trazer consequências para o desenvolvimento físico, emocional e cognitivo dos pequenos.
A professora Gabriela Mazaro, diretora escolar e neuropsicopedagoga, explica que os impactos começam a aparecer na atenção e na capacidade de concentração das crianças. "O uso prolongado de telas pode contribuir para déficits de atenção, interferindo na aprendizagem e no desempenho escolar. Crianças acostumadas a estímulos rápidos e constantes têm mais dificuldade de se concentrar em atividades mais longas e estruturadas", afirma.
Além disso, Gabriela destaca que o excesso de tecnologia afeta também o sono e a saúde física. "O hábito de utilizar telas próximas da hora de dormir prejudica a qualidade do sono, e isso reflete diretamente no crescimento e na saúde emocional. A exposição contínua à luz azul dos dispositivos eletrônicos altera o ritmo circadiano e pode provocar irritabilidade, cansaço e até queda no rendimento escolar", observa.
O desenvolvimento social também sofre alterações. A neuropsicopedagoga comenta que o contato constante com aparelhos digitais pode reduzir a capacidade de interação face a face. "Crianças que passam muito tempo conectadas apresentam dificuldade em estabelecer relações interpessoais saudáveis e em desenvolver empatia, o que é fundamental para o convívio em grupo e a construção de vínculos afetivos", ressalta Gabriela.
Para equilibrar o uso da tecnologia, Gabriela Mazaro sugere que os pais estabeleçam limites claros e incentivem atividades offline. "É importante criar rotinas que incluam brincadeiras ao ar livre, leituras, jogos de tabuleiro e momentos de conversa em família. Dessa forma, a tecnologia passa a ser uma aliada, sem comprometer o desenvolvimento integral da criança", orienta.
Segundo a especialista, a presença consciente dos pais é determinante. "O monitoramento do tempo de tela, aliado ao incentivo de atividades criativas e físicas, ajuda a proteger a saúde mental e emocional das crianças e contribui para um aprendizado mais consistente e prazeroso", conclui Gabriela Mazaro.
Investir na educação digital de forma equilibrada é, portanto, uma estratégia essencial para garantir que o uso da tecnologia se torne um recurso de aprendizagem, sem prejudicar o desenvolvimento global das crianças.
* Edição por Lina Santiago
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