Pesquisa TALIS revela o Brasil como líder em agressões a docentes, destacando necessidade de apoio institucional e mudanças urgentes para lidar com o tema
Rosa Bernhoeft* Publicado em 15/10/2026, às 06h00

O Brasil enfrenta um aumento da violência e intimidação contra professores, conforme evidenciado pela pesquisa TALIS da OCDE, que coloca o país no topo do ranking internacional nesse aspecto, gerando um clima de medo nas escolas.
A crise da autoridade docente é exacerbada pela falta de apoio institucional, apesar de leis como a 13.935/2019 e a 14.819/2024 que visam integrar profissionais de saúde nas escolas, mas cuja implementação é lenta e insuficiente.
É crucial que as redes de ensino, tanto públicas quanto privadas, coloquem em prática protocolos de segurança e acolhimento, enquanto os professores devem buscar apoio entre colegas para enfrentar os desafios da profissão e garantir um ambiente de respeito e segurança.
Ensinar, hoje, exige muito mais do que dominar conteúdo. O professor administra emoções dos alunos, expectativas das famílias, metas da escola e, cada vez mais, situações de hostilidade. A pesquisa TALIS, da OCDE, já colocou o Brasil no topo do ranking internacional de intimidação e agressão verbal contra docentes, e episódios recentes de violência nas escolas ampliaram o medo dentro e fora da sala.
A geração atual cresceu com acesso ilimitado à informação e questiona tudo, inclusive quem ensina. Hannah Arendt já apontava a crise da autoridade na educação como reflexo de uma sociedade que perdeu referências. A autoridade docente, agora, precisa ser construída pela relação, pela coerência e pela competência. Em mais de cinco décadas acompanhando lideranças, aprendi que o questionamento pode ser aliado quando o professor explica o porquê das regras e firma acordos claros com a turma.
O ponto decisivo é o apoio institucional, e aqui o país avança de forma desigual. A Lei 13.935/2019 prevê psicólogos e assistentes sociais nas redes públicas de educação básica, e a Lei 14.819/2024 criou a Política Nacional de Atenção Psicossocial nas Comunidades Escolares. Nas escolas privadas, a NR-1 obriga o empregador a gerenciar riscos psicossociais. A legislação existe, mas a implementação é lenta, e muitos professores enfrentam agressões e esgotamento com respaldo limitado.
Cabe às redes pública e privada transformar a lei em prática: protocolos de segurança, acolhimento imediato após agressões, escuta qualificada, formação em gestão de conflitos e lideranças preparadas para perceber sinais precoces de burnout, reconhecido pela OMS como fenômeno ocupacional. Ao professor, cabe nomear o que sente e buscar redes entre colegas, porque essa travessia pede companhia.
Neste Dia do Professor, a homenagem mais valiosa é devolver a quem ensina segurança, respeito e reconhecimento. Uma sociedade que cuida de seus professores investe, com sabedoria, no próprio futuro.
* Rosa Bernhoeft é especialista em gestão de pessoas e CEO da Alba Consultoria.
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