Descubra como a leitura em família contribui para o desenvolvimento emocional e cognitivo das crianças, com amor e troca
Redação* Publicado em 20/05/2026, às 06h00

A leitura na infância é fundamental para o desenvolvimento emocional e cognitivo das crianças, promovendo vínculos afetivos e descobertas do mundo ao seu redor.
Estudos indicam que a leitura compartilhada entre adultos e crianças melhora a comunicação e fortalece laços emocionais, mas apenas 14% das famílias brasileiras realizam essa prática regularmente.
Iniciativas para incentivar a leitura devem focar em gestos simples e momentos de atenção, já que a presença dos adultos é mais impactante do que a sofisticação dos materiais utilizados.
A leitura, na infância, vai muito além do aprendizado das letras.
Antes mesmo de compreender o código escrito, a criança já é capaz de experimentar a leitura como afeto, vínculo e descoberta do mundo.
Quando a família apresenta livros para as crianças desde a tenra idade favorece o desenvolvimento da linguagem, da criatividade, da atenção, da memória e da capacidade de comunicação das crianças.
Além disso, quando um adulto lê para uma criança, não está apenas contando uma história: está oferecendo presença, escuta, imaginação e memória afetiva. Muitos estudos têm demonstrado que os momentos de leitura em família ampliam as interações verbais, fortalecem vínculos emocionais e contribuem significativamente para o desenvolvimento infantil.
Isso é muito importante porque o livro, nesse contexto, torna-se um espaço de encontro. Encontro entre pais e filhos, entre a criança e a linguagem, entre a fantasia e a realidade. É no colo, na pausa da voz, nas perguntas feitas durante a história e no olhar compartilhado sobre as imagens que a criança começa a construir sua relação com a leitura e, também, consigo mesma.
A criança que escuta uma história antes de dormir aprende, silenciosamente, que existe alguém disposto a parar o tempo para estar com ela.
Em uma sociedade marcada pela pressa, pelas telas e pela fragmentação da atenção, ler para uma criança é também um gesto de desaceleração. É dizer, sem palavras: “você importa”. Talvez por isso a leitura compartilhada tenha um impacto tão profundo na formação emocional das crianças. O livro deixa de ser apenas um objeto pedagógico e passa a ser um mediador de afetos.
Ao mesmo tempo, é importante reconhecer que o hábito da leitura não se constrói de forma igual para todas as famílias. Dados recentes divulgados pela OCDE mostram que 53% das famílias brasileiras raramente ou nunca leem para crianças de 5 anos, enquanto apenas 14% realizam leituras compartilhadas entre três e sete vezes por semana — número muito abaixo da média internacional, de 54%.
A leitura não depende apenas de grandes bibliotecas ou rotinas perfeitas. Ela começa, muitas vezes, em pequenos gestos: uma história inventada, uma conversa sobre imagens, um livro emprestado, alguns minutos de atenção genuína. O que marca a infância não é a sofisticação do momento, mas a presença que existe nele.
Porque, no fim, crianças não se lembram apenas das histórias que ouviram. Elas se lembram de quem ficou ao lado delas enquanto o mundo era narrado.
*Edição por Lina Santiago
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