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Abraão Fidelis Pedroso, de apenas 14 anos, ganhou uma bolsa integral para estudar ballet em Princeton, nos Estados Unidos

Com talento reconhecido, o jovem Abraão vai ter a oportunidade também de passar por Nova Iorque para assistir a grandes espetáculos de ballet

Ivy Farias* Publicado em 16/05/2026, às 06h00

Abraão Fidelis Pedroso foi selecionado para estudar ballet nos Estados Unidos - Fotos: Claudia Fidelis/Divulgação
Abraão Fidelis Pedroso foi selecionado para estudar ballet nos Estados Unidos - Fotos: Claudia Fidelis/Divulgação

Abraão Fidelis Pedroso, um jovem bailarino de 14 anos, foi selecionado para estudar ballet na Universidade de Princeton, refletindo sua trajetória de superação após ser adotado e devolvido por uma família antes de encontrar um novo lar.

Com uma história de vida inspiradora, Abraão planeja apresentar um espetáculo de dança intitulado 'Vida Alegre', enquanto se dedica aos estudos na Escola de Dança de São Paulo e se prepara para uma temporada de verão nos Estados Unidos.

A família de Abraão, junto com sua professora, está mobilizando uma campanha de arrecadação para financiar sua viagem, enquanto ele mesmo vende bijuterias para ajudar a cobrir os custos, demonstrando determinação em aproveitar essa oportunidade única.

Resumo gerado por IA

Quando recebeu a notícia de que havia sido selecionado para estudar ballet numa renomada escola na cidade de Princeton, nos Estados Unidos, Abraão Fidelis Pedroso recorda que a sensação foi a mesma de quando foi adotado: “alguém viu potencial em mim”.

Aos 14 anos, Abraão tem uma história de vida que daria um filme, mas que ele prefere transformar em um espetáculo de dança cujo título provisório é “Vida Alegre: balé com movimentos fortes e rápidos”. Isso porque ele passou a primeira infância em um lar de acolhimento e chegou a ser adotado por uma família, que o devolveu em seguida. Mas, tal e qual a música que ele escolheu para a performance artística, Felicidade, de Seu Jorge, em seguida Abraão teve uma segunda e definitiva chance ao ser adotado por Luiz e Claudia.

Os sonhos deste ballet contemporâneo com cenário de casa e com figurino de “roupas do dia a dia”, Abraão realiza dia após dia nos seus estudos na Escola de Dança de São Paulo (EDASP), vinculada ao Theatro Municipal da Prefeitura de São Paulo. “Vou de metrô e aproveito para ir estudando inglês”, diz o jovem que se prepara para passar o verão americano estudando dança.

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“Ele é extremamente carismático e muito determinado. É impossível não notar o talento de Abraão”, lembra Nataly Sobah, a primeira professora de dança do jovem bailarino. Ela, ao final da aula, chamou a mãe e explicou que o “menino era muito maior que a escola do bairro e deveria ir para outra”. Assim foi feito. Emocionada e com lágrimas nos olhos, a primeira professora foi uma das primeiras a saber do resultado extraordinário nos Estados Unidos: “felicidade. Muita felicidade. A história dele mexe muito comigo porque Abraão acredita nos seus sonhos e é muito dedicado”.

Nataly, que também é atriz e professora de ballet infantil, é entusiasta da campanha de arrecadação de fundos para que Abraão vá para Princeton pelo impacto que a trajetória do bailarino possa ter para o Brasil. “Certamente ele vai nos trazer muito orgulho”, acredita. “Outros meninos vão tê-lo como inspiração: contribuir para a carreira do Abraão é fortalecer a nossa cultura e o nosso povo. A solidariedade é para o Abraão e para os que virão depois, pois um povo sem arte e sem cultura não evolui”, completa. O bailarino ganhou a bolsa integral para os estudos, mas precisa de dinheiro para passagem e estadia.

Enquanto a mãe, a comerciante Claudia Fidelis, e o técnico de linha branca Luiz Pedroso, se desdobram para custear a passagem e hospedagem de Abraão, ele mesmo vende bijuterias para viabilizar sua viagem para Princeton. A família, que é católica praticante, não duvida que os próximos passos do filho serão em grandes companhias de dança do mundo, como a do cubano Carlos Acosta. “Tenho muita fé e já tive muitos milagres realizados por Deus”, conta Abraão. Para ele, além do inglês, o maior desafio vai ser mesmo a saudade da família enquanto estiver nos Estados Unidos: “Vou conversar com meus pais por vídeo chamada e com o meu irmão Fabrício, que é meu maior incentivador, meu grande companheiro. Mas como fazer carinho no meu cachorrinho?”, se questiona. Serão 5 semanas longe de casa.

Baki é literalmente o melhor "aumigo" de Abraão: o animal dorme com o bailarino, o acorda e o segue pela casa. Mas o estudante sabe que esta oportunidade é única e merece o sacrifício. “Poucas pessoas têm esta chance. E todas que eu tive, aproveitei”, explica. Desde a época do acolhimento, passando pelo processo de adoção e, agora, nas audições para espetáculos, Abraão teve muitos nãos em sua história. Mas, mesmo assim, continua se equilibrando com graça e leveza na ponta dos pés para fazer deles um grande sim nos palcos do mundo. Além de Princeton, sonha com o Royal Ballet, em Londres, e a companhia de Carlos Acosta. Mas a maior realização mesmo é apresentar seu próprio espetáculo, “Vida Alegre”, no abrigo em que viveu a primeira infância. Até lá, ensaia os passos mentalmente enquanto escuta Seu Jorge entoar os versos:

Felicidade é viver na sua companhia/ Felicidade é estar contigo todo dia/ Felicidade é sentir o cheiro dessa flor/ Felicidade é saber que eu tenho seu amor”

Para contribuir com a campanha de Abraão basta doar na chave PIX: claufidelis2013@gmail.com (NUBANK).

Contato direto com a família pela conta do Instagram @abraao.fp.bale

* Ivy Farias é advogada, jornalista e escritora. 

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