Caminhão movido a biometano parte de São Paulo para a COP30, provando que ambição pode se tornar ação para o povo
Patrícia Acioli* Publicado em 17/11/2025, às 06h00

Um caminhão Scania movido a biometano partiu de São Bernardo do Campo rumo à COP30 em Belém, simbolizando a transformação de ambições climáticas em ações concretas através da colaboração entre empresas e instituições.
O biometano, produzido a partir de resíduos, pode reduzir em até 90% as emissões de CO₂ em comparação ao diesel, e o Brasil possui potencial para quadruplicar sua produção atual, contribuindo para a descarbonização e dinamização econômica.
A Escola Móvel de Economia Circular do SENAI-SP, que promove um novo modelo de produção e consumo, está a bordo do caminhão, e a jornada destaca a importância da inclusão feminina na transição para um futuro sustentável, com a condução feita por uma motorista da LOTS Group.
Como sair de São Paulo e chegar a Belém (PA) carregado de propósito? Essa é a pergunta que nos move — literalmente — quando um caminhão Scania movido a biometano parte do nosso polo industrial em São Bernardo do Campo, rumo à COP30, levando consigo a Escola Móvel de Economia Circular do SENAI-SP.
Mais do que uma jornada de mais de três mil quilômetros, essa travessia representa uma mensagem concreta: é possível transformar ambição climática em ação. E quando empresas se unem em torno de um propósito comum, o impacto vai muito além da tecnologia embarcada.
A iniciativa é fruto da colaboração entre Scania, SENAI-SP, Ultragaz, LOTS Group e Itaipu Norte, parceiros que compartilham a visão de que a transição energética no transporte depende de inovação, investimento, coragem e diálogo entre setores. A rota cruzou o Sudeste, o Centro-Oeste e o Norte do país movida por um combustível 100% renovável.
Do resíduo ao combustível: o poder do biometano
O biometano é produzido a partir da purificação do biogás, gerado pela decomposição de resíduos agrícolas, urbanos e até do lodo de esgoto. O que antes era um passivo ambiental torna-se um ativo energético de alto valor, capaz de reduzir até 90% das emissões de CO₂ quando comparado ao diesel.
Hoje o Brasil conta com 14 plantas de biometano em operação, mas o potencial é imenso: segundo a Abiogás, poderíamos multiplicar por quatro a atual oferta e, a longo prazo, chegar a 120 milhões de metros cúbicos por dia. Essa energia limpa para descarbonização de frotas pesadas, geração de emprego e dinamização de economias locais.
Educação e transformação: a Escola Móvel do SENAI-SP
A bordo do caminhão Scania, a Escola Móvel de Economia Circular do SENAI-SP leva uma experiência imersiva sobre um novo modelo de produção e consumo. Ao contrário da lógica linear — extrair, fabricar, usar e descartar — a economia circular busca inspiração na natureza: reaproveitar, reparar, reciclar e regenerar.
No início do ano, a Escola percorreu mais de 30 cidades paulistas, sensibilizando comunidades, estudantes e empresários sobre a necessidade de repensar processos e comportamentos. Agora, essa jornada chega à COP30 para mostrar ao mundo que o Brasil tem vocação e capacidade de uma transformação real não apartada da realidade das pessoas, ao contrário, partindo delas. Transformação real, que combina inovação, tecnológica, educação e impacto social.
Logística inteligente e protagonismo feminino
Nada disso seria possível sem a inteligência logística da LOTS Group, braço da Scania que garante precisão e eficiência na operação. Toda a rota é monitorada em tempo real pelo Centro de Comando Digital (DCC), que acompanha desempenho, consumo e segurança em cada quilômetro percorrido.
Mas há um elemento ainda mais inspirador em toda essa jornada: o feminino ao lado do masculino, em um exemplo claro da mágica dessa combinação. O caminhão que levou a Escola Móvel até Belém foi também conduzido por Michelle Pereira, motorista da LOTS Group — um lembrete poderoso de que a transição para um futuro mais sustentável também precisa ser justa e plural.
Um convite a ação coletiva
A COP30 será um marco para o Brasil e para o mundo. E a Rota para Belém é um convite à reflexão: se conseguimos cruzar o país com caminhões movidos a resíduos, por que não acelerar de vez a transição para uma economia de baixo carbono?
Na Scania, acreditamos que sustentabilidade é, antes de tudo, uma jornada coletiva. Nenhuma empresa transforma o futuro sozinha. Por isso, seguimos lado a lado com nossos parceiros — indústria, academia, energia e transporte — pavimentando caminhos reais rumo à descarbonização. Ao longo dos 3 mil colocamos luiz na história dos brasis e das pessoas, razão que permeia todas as discussões e ações em torno das mudanças climáticas, a humanidade.
O futuro que queremos não está no discurso. E ele não é uma conta de chegada. Ele é a própria estrada.
*Patrícia Acioli é diretora de Sustentabilidade e Comunicação da Scania Latam
*Com edição de Marina Yazbek Dias Peres