Mariana Kotscho
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Eu sobrevivi a uma tentativa de feminicídio e transformei minha história em alerta

Hanna Castro superou uma tentativa de feminicídio e se tornou uma voz de alerta para outras mulheres

Hanna Castro* Publicado em 27/04/2026, às 06h00

Hanna Castro
Hanna Castro sobreviveu a uma tentativa de feminicídio e é autora do livro "180", escrito a partir desta vivência. - Foto: Divulgação

Hanna Castro, sobrevivente de uma tentativa de feminicídio, relata sua experiência de controle e abuso emocional desde a adolescência, culminando em uma tentativa de estrangulamento que a levou a perceber a gravidade da situação.

Ela enfrentou isolamento, ameaças e violência crescente, o que a fez se afastar de sua família e amigos, até que um evento trágico interrompeu a perseguição do agressor.

Após conseguir escapar, Hanna escreveu o livro '180' para alertar outras mulheres sobre os sinais de abuso e destacar a importância de redes de apoio e canais de denúncia disponíveis atualmente.

Resumo gerado por IA

Meu nome é Hanna Castro. Eu sobrevivi a uma tentativa de feminicídio.

Minha história começou quando eu tinha 14 anos. Eu era uma menina, vivendo uma rotina simples, sem imaginar que minha vida estava prestes a mudar completamente.

Ele era um adulto. No início, não parecia errado. O que eu via como cuidado, hoje eu sei que era controle. O ciúme parecia proteção. As escolhas foram deixando de ser minhas — e eu nem percebi.

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Sem perceber, eu já estava presa.

Aos 15 anos, engravidei. Aos 16, já era mãe. E foi nesse momento que tudo mudou de verdade.

Vieram as proibições, o isolamento e as críticas. Aos poucos, fui me afastando da minha família, dos meus amigos e de mim mesma.

Depois vieram as ameaças.

Ele dizia que mataria minha família se eu tentasse sair. Dizia que iria me encontrar onde eu estivesse. Que a policia não iria me ajudar, eu estava sozinha. Vivia com medo o tempo todo.

Com o passar do tempo, ele se envolveu com drogas, perdeu o controle e se tornou ainda mais agressivo. Eu era perseguida, vigiada e constantemente intimidada.

Houve momentos em que pensei em desistir da própria vida.

Mas eu tinha um filho.

E foi por ele que eu continuei.

No dia em que ele tentou me matar estrangulada, eu entendi que aquilo não era amor. Era algo doentio. E que, se eu não saísse, eu não sobreviveria.

Eu consegui fugir.

Mas ele não parou.

Ele continuou me perseguindo, rondando minha família e aparecendo no meu trabalho. Até que, em meio a uma situação de violência, um homem que não tinha relação com a história perdeu a vida.

Depois disso, ele fugiu, desapareceu. Nunca mais o vi . Ele não desistiu de me matar,  foi interrompido.

Eu sobrevivi. Mas quase não deu tempo.

Hoje, eu consigo enxergar sinais que, na época, eu não entendia. O controle disfarçado de cuidado, o ciúme excessivo, o isolamento e as ameaças estavam presentes desde o início.

Foi a partir dessa vivência que escrevi o livro "180", transformando uma história de dor em um alerta para outras mulheres.

Mais do que um relato pessoal, trata-se de um chamado à conscientização sobre sinais que muitas vezes passam despercebidos, mas podem evoluir para situações extremas.

Atualmente, existem redes de apoio, canais de denúncia e caminhos possíveis para quem precisa de ajuda.

*Hanna Castro é uma mulher que sobreviveu a uma tentativa de feminicídio e autora do livro "180", escrito a partir desta vivência.

Instagram: https://www.instagram.com/180.hannacastro

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