Especialista explica como as escolas podem transformar as diretrizes da BNCC em práticas concretas
Redação* Publicado em 29/04/2026, às 06h00

A inclusão da Computação na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) exige que escolas adaptem seus currículos para incorporar Pensamento Computacional e Inteligência Artificial, visando desenvolver competências essenciais para a vida acadêmica e social dos alunos.
Essas novas diretrizes priorizam habilidades como reconhecimento de padrões e resolução de problemas, que podem ser ensinadas mesmo em escolas com infraestrutura limitada, através de atividades desplugadas.
A formação de professores é crucial para a implementação eficaz dessas diretrizes, focando na integração pedagógica das tecnologias, enquanto a Inteligência Artificial deve ser utilizada como uma ferramenta de apoio ao aprendizado, sem substituir o pensamento crítico dos estudantes.
Com a inclusão da Computação na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), escolas de todo o país começam a adaptar seus currículos para incorporar o Pensamento Computacional e a Inteligência Artificial ao cotidiano da aprendizagem. Mais do que inserir tecnologia em sala de aula, o desafio agora é transformar as novas diretrizes em práticas pedagógicas que desenvolvam competências essenciais para o desempenho acadêmico e para a vida em sociedade.
Segundo Jonas Moraes Sousa, assessor pedagógico da Amplia, o primeiro passo é compreender que o Pensamento Computacional é uma abordagem lógica e estruturada que vai além do ensino da programação e da área de tecnologia. “A Educação Digital e o Pensamento Computacional não dependem exclusivamente de tecnologia digital. Suas abordagens no currículo tratam de formas de organizar o pensamento e resolver problemas. Seu foco está direcionado à sequência lógica, organização, tomada de decisão e resolução de problemas”, afirma.
A proposta prevista na BNCC considera habilidades como reconhecimento de padrões, abstração, pensamento algorítmico e decomposição de problemas em partes menores. Essas competências podem ser trabalhadas mesmo em escolas com pouca infraestrutura tecnológica, por meio de atividades chamadas de desplugadas.
“O próprio Pensamento Computacional possui uma abordagem chamada desplugada, que oferece práticas sem uma infraestrutura tecnológica permeada por aparelhos eletrônicos”, explica Sousa. “Sendo assim, o Pensamento Computacional pode ser trabalhado por meio de jogos de tabuleiro, desafios de lógica, brincadeiras com regras, mapas mentais etc.”, complementa.
Além do desenvolvimento cognitivo, a Inteligência Artificial também começa a ocupar um espaço importante no processo de ensino e aprendizagem. Quando utilizada de forma estratégica, pode contribuir para a organização dos estudos, revisão de conteúdos e acompanhamento do desempenho individual dos estudantes, auxiliando na conquista do alto rendimento escolar.
“Ferramentas como o ChatGPT permitem que os estudantes estruturem cronogramas personalizados, organizem conteúdos de forma hierarquizada e realizem revisões sistemáticas, favorecendo a gestão do tempo e a autonomia nos estudos”, destaca.
No entanto, o especialista alerta que o uso da tecnologia exige mediação pedagógica para que a IA não substitua processos essenciais de aprendizagem. “Um dos principais equívocos ao usar ferramentas de Inteligência Artificial é transferir a responsabilidade de atividades pró-humanas, terceirizando o raciocínio e tratando-as como resolutores de tarefas”, afirma.
Para evitar esse risco, ele defende que os estudantes devem encarar a tecnologia como uma ferramenta de apoio, e não como substituta do pensamento crítico. “Para não prejudicar o aprendizado, o aluno deve olhar a Inteligência Artificial como uma espécie de tutor, que o ajuda a explorar ideias, levantar possibilidades, pedir explicações de conceitos complexos numa linguagem mais acessível, quizzes para estudos, revisões, comparações e sugestões de melhorias”, ressalta.
A implementação das novas diretrizes da BNCC também passa pela formação dos professores, que precisam compreender não apenas as ferramentas, mas principalmente como integrá-las à prática pedagógica.
“A preparação e capacitação de professores para o trabalho com Pensamento Computacional e Inteligência Artificial não é, antes de tudo, somente uma questão técnica, mas sim uma questão pedagógica e formativa”, explica. “O desafio central é deslocar o foco do ‘aprender a usar ferramentas’ para a compreensão de como ensinar a pensar com (e apesar de) tecnologias.”
Ao integrar Pensamento Computacional e Inteligência Artificial ao currículo escolar, a expectativa é que os estudantes desenvolvam não apenas habilidades técnicas, mas também competências transferíveis para diferentes áreas da vida acadêmica e profissional.
“Os estudantes não desenvolvem apenas habilidades técnicas, mas também um conjunto amplo de habilidades cognitivas, sociais e até ligadas ao socioemocional”, conclui Sousa.
*Edição por Lina Santiago.
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