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Meu filho precisa mudar de escola, e agora?

Educadora da dicas de como passar por essa transição com seu filho e os passos para fazer a escolha certa

Valquiria Rodrigues* Publicado em 09/06/2023, às 12h00

Existem alguns sinais que indicam a necessidade da mudança
Existem alguns sinais que indicam a necessidade da mudança

Nesta época do ano, algumas famílias se deparam com a necessidade de mudar os filhos de escola. São muitas as razões que podem levar a essa decisão. E também são inúmeras as dúvidas que surgem neste momento.

Será que a troca é realmente necessária? Alguns sinais podem responder a essa pergunta. A logística familiar é um dos fatores mais evidentes. Se a família muda de endereço, por exemplo, muitas vezes o deslocamento fica inviável e a mudança de escola se torna inevitável.

A inadaptação pedagógica pode ser outro entrave para permanecer na mesma instituição de ensino. Se o estudante não consegue se adaptar à proposta pedagógica da escola e apresenta baixo rendimento acadêmico, é preciso acender o sinal de alerta. Neste caso, é importante a família estar atenta também à falta de motivação e de vontade de ir à escola, ao surgimento de tristeza e de apatia. Caso esses sinais estejam presentes, vale considerar a mudança.

Questões comportamentais e socioemocionais são o terceiro motivo mais comum para a troca de escola. Esses fatores estão diretamente ligados às relações pessoais e interpessoais, como a falta da construção de vínculo afetivo com os colegas de classe, dificuldade em fazer amigos e não aceitação do grupo, por exemplo.

Vamos mudar de escola. Como ajudar meu filho nesta transição?

Independentemente da razão, a mudança de escola é sempre um momento delicado para famílias e para estudantes. Sabemos que o primeiro dia de aula em uma nova escola é um dos maiores desafios para crianças e para adolescentes, pois eles têm que lidar diretamente com o novo, precisam conhecer o ambiente e o espaço físico, os novos colegas e professores, precisam se adaptar à cultura daquela comunidade.

Os problemas que mais observamos durante esse processo são medo de perder os amigos da escola de origem, medo de não gostar dos professores e novos colegas, medo de não ser aceito pelo novo grupo-classe, ansiedade e insegurança ao enfrentar o desconhecido.

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Caso perceba que seu filho está enfrentando problemas na transição, é preciso aproximar-se da escola para compreender como é o processo de adaptação e como seu filho está passando por ele. Aproxime-se e converse também com ele a fim de perceber quais são as angústias, o que está incomodando ou até mesmo o que está faltando. Peça orientações aos profissionais da escola. Demonstre segurança e confiança na nova escola. Incentive o seu filho a enfrentar desafios, valorize as conquistas, por menores que sejam. Diminua as críticas. Fique perto de seu filho, evite deixá-lo sozinho nesse momento. Estar ao lado dele fará toda a diferença.

E como escolher a escola certa?

Essa é uma das questões que mais afligem as famílias. A decisão, realmente, não é simples e envolve diversos fatores. Cada criança e cada adolescente possui sua singularidade, que precisa ser respeitada no momento da transição escolar. É fundamental que as famílias estejam atentas aos gostos, à forma de aprender, que observem os modos de relacionamento, como acontecem os enfrentamentos dos desafios, dos medos e das frustrações. Assim, quanto mais os pais conhecerem seus filhos, mais assertiva será a escolha da escola.

Partindo da premissa de que a melhor escola é aquela que atende às necessidades da sua criança ou adolescente, considero aqui alguns aspectos que podem ajudar a nortear o momento dessa difícil e importante decisão:

  • Alinhar princípios e valores da família com os da escola;
  • Conhecer e compreender a proposta pedagógica, bem como a metodologia da escola;
  • Avaliar se o ambiente escolar promove aprendizagens diversas e permite o bem-estar do aluno;
  • Verificar se a comunicação família-escola é clara e eficaz;
  • Saber como a escola lida com as dificuldades e problemas que ocorrem no dia a dia;
  • Considerar a logística familiar, como a localização e o tempo de deslocamento;
  • Avaliar aspectos financeiros, verificar todos os serviços oferecidos dentro e fora da mensalidade escolar.

E por parte da escola? O que é possível fazer para tornar a transição mais leve?

O acolhimento é a chave para que a chegada do aluno novo seja a mais tranquila possível. Temos uma concepção de criança e adolescente como sujeito potente e competente, protagonista da própria aprendizagem, sempre valorizando as dimensões intelectual, social e emocional e respeitando as características de cada faixa etária. Nesse sentido, investimos muito no diálogo, na escuta ativa, na transparência e na empatia para trazer o apoio e a segurança que família e alunos precisam – não só nos momentos de transição.

*Valquiria Rodrigues é educadora, apaixonada pela arte de educar por meio de perguntas.  Atualmente é diretora do Colégio Rio Branco, unidade Higienópolis, em São Paulo. Mestre em Linguística Aplicada na área de Linguagem e Educação, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP).