Mariana Kotscho
Busca
» MÊS DA MULHER

Reflexões sobre o Dia Internacional da Mulher

Refletir sobre a cultura de violência contra a mulher é essencial para promover mudanças efetivas na sociedade

Dra. Pamela Villar* Publicado em 19/03/2026, às 06h00

A advogada Pamela Villar
Dra. Pamela Villar, advogada - Foto: Assessoria

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, traz à tona a realidade da violência contra mulheres no Brasil, que permanece alarmante, com mais de 13 mil assassinatos desde a promulgação da Lei do Feminicídio há 11 anos.

Dados recentes revelam que os estados com os maiores índices de feminicídio são Acre, Rondônia e Mato Grosso, com São Paulo apresentando um aumento significativo nos últimos quatro anos, destacando a vulnerabilidade de mulheres jovens e negras em relação à violência doméstica.

A ineficácia das medidas punitivas atuais é evidente, levando a iniciativas como as do Instituto Mapear, que promovem a equidade de gênero e a conscientização, enfatizando a necessidade de uma mudança cultural em vez de ações superficiais.

Resumo gerado por IA

No mês de março as redes sociais se inundam de homenagens às namoradas, esposas e mães por causa do Dia Internacional da Mulher. No dia 8, data da celebração, palavras honestas de carinho e admiração, acompanhadas de flores e bombons. Hoje, no entanto, tudo voltará ao normal. A sobrecarga nas tarefas domésticas, a responsabilidade exclusiva com os filhos, a dupla jornada e a violência permanecerão exatamente iguais ou, o que é mais preocupante, continuarão a se agravar, demonstrando, assim, que a sociedade brasileira está doente.

Quando a Lei nº 13.104, mais conhecida como Lei do Feminicídio, completa 11 anos de sua vigência, fomos todos devastados pela publicação dos dados sobre o assassinato de mulheres no Brasil, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. São mais de 13 mil vítimas desde a promulgação da lei, 1568 só no último ano. Acre, Rondônia e Mato Grosso lideram os índices. Nos últimos 4 anos, São Paulo chegou a duplicá-los. Os maiores alvos são as mulheres jovens e negras; os maiores agressores os seus companheiros afetivos.

O cenário mostra que as medidas adotadas até então não estão se mostrando efetivas. Em grande medida, porque se restringem ao recrudescimento das penas previstas para a prática de tais condutas. Quase que como se, por medo da reprimenda que virão a sofrer, os homens simplesmente parassem de assassinar as mulheres.

Veja também

Os casos mais recentes, no entanto, mostram o exato oposto.

Juliana Garcia dos Santos foi brutalmente agredida com mais de 60 socos por seu namorado durante uma briga do casal. Tainara Souza Santos foi arrastada pela Marginal Tietê pelo ex-namorado por ciúme. Priscila Verson foi perseguida e espancada pelo companheiro em via pública após desentendimento em uma festa.

Todos esses casos têm algo em comum: os agressores não tiveram receio em praticar os crimes. Eles foram todos cometidos em locais públicos e com monitoramento por meio de câmeras de segurança. Fizeram, portanto, às vistas de todos, confiantes na impunidade de seus atos ou ignorando por completo as suas consequências.

Uma pena de 40 anos não muda esse cenário. E o considerável número de agressores no sistema prisional é prova disso. Educação e conscientização mudam.

Nesse cenário, projetos como aqueles desenvolvidos pelo Instituto Mapear, no qual meninos e homens atuam ativamente para a equidade de gênero, exsurgem como um exemplo a ser seguido e replicado. Nas escolas, nas faculdades, nas empresas, nos estabelecimentos prisionais e dentro das casas de cada um dos cidadãos brasileiros.

Em um mês que não é de comemoração, mas de reflexão, o desejo é por uma mudança de cultura. Flores e bombons não contribuem com a cura de nosso país, tampouco medidas populistas e apelativas, ações sim.

*Dra. Pamela Villar é sócia do Salomi Advogados. 

Quer incentivar este jornalismo sério e independente? Você pode patrocinar uma coluna ou o site como um todo. Entre em contato com o site clicando aqui.