Mariana Kotscho
Busca
» MULHER NO ESPORTE

A valorização das mulheres no esporte

Desafios, desigualdades e a importância da valorização e do apoio para o crescimento do esporte feminino

Isabel Kotscho* Publicado em 04/05/2026, às 08h00

Isabel Kotscho é comentarista do programa Dibrano FC - foto: redes sociais
Isabel Kotscho é comentarista do programa Dibrano FC - foto: redes sociais

A desigualdade de gênero no esporte é uma questão persistente, com atletas femininas recebendo menos apoio e salários significativamente mais baixos do que seus colegas masculinos, mesmo realizando as mesmas funções. Essa disparidade reflete uma falta de visibilidade e oportunidades para as mulheres no esporte, que precisa ser abordada para promover uma sociedade mais justa.

Historicamente, o Brasil impôs restrições à prática de esportes femininos, com proibições que duraram até 1979, resultando em um atraso no desenvolvimento do esporte feminino. A diferença salarial entre atletas de diferentes gêneros é exacerbada pela cobertura desigual da mídia, que favorece os esportes masculinos e perpetua estereótipos de gênero.

O Brasil sediará a Copa do Mundo Feminina em 2027, um passo significativo para o reconhecimento do futebol feminino e a promoção da igualdade no esporte. Para avançar, é essencial que a sociedade, a mídia e as organizações esportivas se unam para aumentar a visibilidade e o apoio ao esporte feminino, criando um ambiente mais inclusivo e justo.

Resumo gerado por IA

O esporte é uma das formas de entretenimento mais consumidas no mundo. No entanto, nem todos os atletas recebem o mesmo nível de apoio. Na sociedade, os esportes masculinos têm muito mais visibilidade e oportunidades e os homens ganham salários significativamente mais altos do que as mulheres, mesmo desempenhando exatamente as mesmas funções.

A desigualdade de gênero no esporte é algo que precisa mudar, já que homens e mulheres ainda não possuem os mesmos direitos atualmente. Isso continua sendo relevante hoje porque, ao refletirmos e compararmos os gêneros no esporte, essa desigualdade fica evidente. Em busca de criar uma sociedade mais desenvolvida e um mundo melhor, essa desigualdade precisa se tornar menor e menos visível.

Olhando para o passado, é fato que essa situação já mudou e precisa continuar nesse caminho. Por exemplo: a primeira Copa do Mundo Feminina da FIFA aconteceu em 1991 na China, enquanto a primeira Copa do Mundo masculina foi realizada em 1930, 61 anos antes. Isso demonstra que, no passado, a realidade do esporte, especialmente do futebol, era ainda pior em nível global.

No Brasil, vários esportes femininos, como futebol e vôlei, foram proibidos por decreto federal entre 1941 e 1979. A justificativa era que esportes “violentos” não eram adequados para mulheres e eram considerados atividades “masculinas”. Em 1979, a lei foi atualizada para permitir a prática desses esportes, porém as ligas profissionais só começaram a surgir em 1983. Isso resultou em um grande atraso no desenvolvimento do esporte feminino no país, uma consequência que ainda é sentida hoje, mostrando a necessidade de maior desenvolvimento e reconhecimento nesse setor.

Um desenvolvimento mais recente mostra alguns avanços positivos e uma redução dessa desigualdade. Em 2027, o Brasil sediará a Copa do Mundo Feminina, o que representa um passo importante para o crescimento do futebol feminino no país. Esse evento mostra que o Brasil está começando a reconhecer os erros do passado, quando o esporte feminino foi proibido e desvalorizado por décadas. Sediar um torneio tão importante também representa mais respeito e visibilidade para as atletas, oferecendo uma plataforma maior e mais oportunidades de serem vistas pelo mundo. Mesmo que a desigualdade ainda exista, esse momento reflete progresso e a ideia de que o futebol feminino merece o mesmo reconhecimento, apoio e valor que o futebol masculino.

Veja também

Quando o Brasil foi eliminado da Copa do Mundo Feminina de 2019 após perder para a França, a jogadora Marta disse numa entrevista após o jogo: “O futebol feminino depende de vocês para sobreviver. Pensem nisso, valorizem mais. Chorem no começo para sorrir no final.” Essa declaração representa a luta contínua para que o futebol feminino seja mais valorizado tanto no Brasil quanto no mundo. Essa fala também inspira outras meninas e mulheres a não desistirem de seus sonhos e de sua luta por reconhecimento e igualdade no esporte.

A diferença salarial entre atletas homens e mulheres é outro exemplo claro de desigualdade de gênero na sociedade. Mesmo competindo no mesmo esporte, como o futebol, ainda existe uma grande diferença no quanto recebem apenas por causa do gênero. Por exemplo, jogadores de futebol masculinos podem ganhar cerca de 50 a 200 vezes mais do que jogadoras em níveis profissionais semelhantes, mesmo quando ambos treinam em alto nível, competem internacionalmente e seguem as mesmas exigências profissionais.

Essa diferença de salário está ligada à quantidade de atenção que cada grupo de atletas recebe. Os esportes masculinos são exibidos com mais frequência na TV, sites e redes sociais, o que naturalmente os torna mais populares entre o público. Como mais pessoas assistem a esses eventos, as empresas investem mais dinheiro por meio de publicidade e patrocínios. Ao mesmo tempo, os esportes femininos não são mostrados com tanta frequência, então têm menos público e menos apoio financeiro. Isso cria um ciclo em que menos visibilidade gera menos dinheiro e menos dinheiro gera ainda menos visibilidade. Outro fator é que a mídia esportiva tende a dar mais espaço, destaques e análises detalhadas aos jogos masculinos, mantendo-os em evidência. Com o tempo, ideias sociais e estereótipos de que o esporte é “mais importante” ou “mais emocionante” quando jogado por homens também influenciaram essa cobertura.

Veja também

A falta de visibilidade tem um impacto forte nas atletas femininas tanto em suas carreiras quanto no reconhecimento do público, já que elas precisam se destacar e trabalhar mais para serem vistas, porque a forma como são enxergadas é diferente. Por causa disso, as mulheres, desde as categorias de base até o nível profissional, precisam se destacar mais para serem valorizadas e levadas a sério no esporte. Essa necessidade constante de provar seu valor torna o caminho mais difícil, já que muitas vezes recebem menos atenção, menos oportunidades e menos apoio em comparação aos atletas masculinos. Como resultado, muitas mulheres talentosas não recebem o reconhecimento que merecem, mesmo alcançando alto desempenho em seu esporte.

Organizações, a mídia e a sociedade precisam se unir para que o esporte feminino em geral seja promovido, se torne mais ativo e tenha um maior impulso de mudança positiva, para que possa alcançar um nível de reconhecimento mais próximo ao dos esportes masculinos.

Por exemplo, organizações ligadas ao esporte feminino poderiam realizar mais peneiras em parceria com grandes clubes, oferecendo mais oportunidades para meninas que sonham em se tornar atletas profissionais mostrarem seu talento e alcançarem seus objetivos. Além disso, essas organizações também poderiam fornecer apoio financeiro a clubes menores para que eles consigam continuar funcionando e desenvolvendo jovens talentos.

A mídia também desempenha um papel essencial. Ela precisa dar mais cobertura ao esporte feminino, tornando-o mais visível e valorizado na sociedade, oferecendo às competições femininas o mesmo nível de atenção, destaques e exposição que o esporte masculino já recebe. Com mais visibilidade, apoio e investimento de todos os setores da sociedade, o esporte feminino pode continuar crescendo e se aproximando de um reconhecimento mais igualitário.

A sociedade deve valorizar, investir e assistir mais aos esportes femininos, pois isso ajuda a criar oportunidades iguais e permite que as mulheres tenham um papel mais forte e reconhecido no mundo esportivo. Quando as pessoas apoiam o esporte feminino, a visibilidade aumenta, o que leva a mais patrocínios, melhores salários e melhores condições profissionais para as atletas. Esse apoio também ajuda a quebrar estereótipos e mostra que o esporte feminino é tão competitivo, emocionante e valioso quanto o masculino.

Se essa mudança acontecer, muitos resultados positivos podem surgir. Mais meninas se sentirão inspiradas a praticar esportes e acreditar que podem construir uma carreira nessa área. Times e ligas irão crescer, atraindo mais público e mais investimentos. A sociedade como um todo também se beneficia, pois promover igualdade no esporte reflete um progresso social mais amplo e justo.

Além disso, é importante que as mulheres recebam respeito no mundo do esporte, não apenas as jogadoras, mas também aquelas que atuam em outras funções, como comentaristas, repórteres, narradoras, árbitras e assistentes. As mulheres estão cada vez mais presentes em diferentes áreas do esporte, mas ainda enfrentam muitas críticas e preconceito,  especialmente nas redes sociais. Muitos desses comentários negativos não são baseados em seu trabalho ou habilidades, mas apenas no fato de serem mulheres, é a misoginia no esporte. Isso cria um ambiente hostil e dificulta seu trabalho e sua aceitação. Promover respeito e igualdade em todas as áreas do esporte é essencial para criar um ambiente mais inclusivo e justo para todos.

Como conclusão, valorizar e investir no esporte feminino é fundamental para criar um ambiente esportivo mais justo e igualitário. Ao longo dos anos, as mulheres enfrentaram menos visibilidade, salários mais baixos e menos oportunidades em comparação aos homens. No entanto, essa realidade pode mudar com maior apoio da sociedade, da mídia e das organizações esportivas. Ao aumentar o reconhecimento e o respeito pelas atletas e por todas as mulheres envolvidas no esporte, é possível construir um futuro em que o talento seja valorizado igualmente, independentemente do gênero. Essa mudança não beneficiaria apenas as mulheres, mas também fortaleceria o mundo do esporte como um todo, tornando-o mais diverso, inclusivo e melhor para as próximas gerações e para o mundo.

*Isabel Kotscho é comentarista de esportes no Dibrano FC e estudante de mídia esportiva na Rider University (NJ, EUA)