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Por que a carreira internacional é o novo marco da liderança feminina?

Especialista aponta que a experiência internacional deixou de ser diferencial e se tornou estratégia para mulheres que querem chegar ao topo

Redação* Publicado em 23/03/2026, às 06h00

Paula Melo
Paula Melo, especialista em carreira internacional - Foto: Divulgação

O aumento da presença feminina em cargos de alta gestão, que subiu de 25,7% para 28,1% globalmente, destaca a necessidade de uma maior participação das mulheres em carreiras internacionais, essenciais para posições de liderança.

Embora as mulheres estejam bem qualificadas, o acesso a oportunidades internacionais é limitado, com barreiras históricas que dificultam sua inclusão em mobilidade global e promoções estratégicas.

A nova geração de profissionais femininas busca ativamente experiências internacionais e mentorias, reconhecendo que a liderança global exige exposição a diferentes mercados e culturas, o que pode acelerar sua ascensão nas organizações.

Resumo gerado por IA

O avanço das mulheres no mercado de trabalho é inegável. O Global Gender Gap Report mostra que a presença feminina em cargos de alta gestão cresceu na última década, de cerca de 25,7% para 28,1% no mundo. O movimento é consistente, especialmente entre as gerações mais jovens, que entram no mercado com maior qualificação e ambição internacional. Ainda assim, quando o assunto, a carreira internacional segue como um divisor de águas, e um território que precisa ser ocupado de forma mais estratégica pelas mulheres.

Para Paula Melo, Especialista em carreira internacional com foco no desenvolvimento de profissionais que querer construir uma carreira Internacional a experiência fora do país não é apenas um capítulo no currículo, mas um elemento determinante para quem deseja ocupar posições de decisão em escala global.

“A carreira internacional acelera maturidade profissional, amplia repertório e fortalece posicionamento. Mulheres que atuam em contextos multiculturais desenvolvem visão sistêmica, capacidade de adaptação e leitura estratégica de cenários complexos. Essas competências são cada vez mais exigidas em cargos executivos”, afirma.

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Segundo ela, empresas multinacionais tendem a valorizar profissionais com vivência internacional porque essas experiências funcionam como laboratório de liderança. Projetos globais, expatriações e posições regionais expõem executivas a mercados distintos, diferentes culturas organizacionais e modelos variados de tomada de decisão. Isso amplia não apenas a performance técnica, mas a autoridade percebida.

“O problema não é falta de qualificação. As mulheres estão altamente preparadas. A questão é acesso e posicionamento. Muitas vezes, elas não são incluídas no pipeline de mobilidade global que antecede promoções estratégicas”, explica Paula.

Ela observa que, historicamente, oportunidades internacionais foram oferecidas de forma menos estruturada para mulheres, especialmente quando envolvem mudanças de país ou decisões que impactam a dinâmica familiar. No entanto, o cenário vem se transformando. A nova geração de profissionais femininas demonstra maior intencionalidade na construção de trajetórias globais, investindo em formação internacional, networking fora do país e planejamento de carreira com foco em mercados mais competitivos.

“As mulheres mais jovens já entendem que liderar em empresas globais exige exposição internacional. Elas não esperam ser convidadas; elas se posicionam”, destaca.

Para Paula, a internacionalização deve ser vista como estratégia de longo prazo, não como movimento pontual. Isso inclui escolher projetos com impacto regional, buscar mentoria de líderes globais e negociar oportunidades que ampliem visibilidade dentro das organizações.

“Não se trata apenas de trabalhar fora do Brasil ou mudar de país. Trata-se de assumir responsabilidades que conectem diferentes mercados, culturas e centros de decisão. Quem participa das discussões globais aumenta significativamente suas chances de chegar ao topo”, afirma.

No Dia Internacional da Mulher, a reflexão proposta pela especialista vai além da celebração dos avanços numéricos. Para ela, a próxima etapa da equidade passa necessariamente pela presença feminina nas estruturas globais de poder corporativo.

“Se a liderança hoje é global, a carreira também precisa ser. As fronteiras geográficas não podem limitar a ambição profissional das mulheres. Quanto mais mulheres ocuparem espaços internacionais estratégicos, mais rápido veremos uma transformação real nos níveis mais altos das organizações.”

O crescimento da presença feminina na alta gestão é um sinal positivo. Mas, no cenário corporativo atual, é a experiência internacional que consolida trajetórias e amplia influência. E, como conclui Paula, o futuro da liderança feminina será cada vez mais global, para quem decidir cruzar fronteiras com estratégia.

* Com edição de Lina Santiago.

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