Entenda como a colaboração estratégica pode substituir a competição e impulsionar o crescimento feminino no mercado
Paula Petrucio* Publicado em 23/04/2026, às 06h00

A maternidade e o empreendedorismo são frequentemente percebidos como caminhos solitários, especialmente para mulheres que buscam equilibrar ambos, o que pode resultar em um sentimento paralisante de isolamento.
A construção de redes de apoio entre mulheres empreendedoras e mães é apresentada como uma solução eficaz, permitindo que elas compartilhem desafios e colaborem em vez de competirem.
Para transformar essa realidade, é recomendado ativar redes de proximidade, buscar colaboração estratégica e identificar lacunas que necessitam de ajuda, enfatizando que o suporte é essencial para o crescimento feminino sustentável.
Durante décadas, ouvimos que a maternidade é solitária. Recentemente, passamos a ouvir que empreender também é. Para a mulher que decide trilhar esses dois caminhos simultaneamente, a sensação de isolamento pode ser paralisante. Eu senti isso na pele. Morando longe da minha família, vi-me diante do desafio de equilibrar a expansão de um negócio com a criação da minha filha, sem ter o suporte tradicional de avós ou tios por perto.
Foi nesse cenário que descobri que o crescimento não precisa, e não deve, ser um processo solitário. A solução não veio de fórmulas mágicas de produtividade, mas da construção de uma rede de apoio real. Minhas amigas empreendedoras tornaram-se minhas conselheiras estratégicas, e as mães da escola tornaram-se meu braço direito em tarefas cotidianas.
Muitas vezes, o mercado tradicional vende a ideia de networking como algo transacional e interesseiro. Nas redes de apoio femininas, o jogo muda: não buscamos ser "interessadas", tornamo-nos interessantes umas para as outras. Há um ponto histórico fundamental aqui: no passado, nossas antecessoras se uniram para que tivéssemos direitos. Hoje, o nosso grande desafio é nos unirmos para conseguirmos, de fato, viver esses direitos. De nada adianta ter a liberdade de empreender se o custo disso for a exaustão mental.
Para as mulheres que desejam crescer sem se perder no processo, a rede de apoio não é um luxo, é estratégia.
Se você sente que está carregando o mundo sozinha, aqui estão os passos para transformar sua realidade:
As comunidades surgem para suprir a lacuna de um mercado que ainda não sabe acolher a complexidade da vida feminina. Nelas, aprendemos que não precisamos deixar de ser boas mães ou esposas para sermos CEOs de sucesso, mas precisamos, sim, abandonar a culpa de não acertarmos em tudo o tempo todo.
O novo motor do crescimento feminino não é a competição, é o suporte. O sucesso precisa caber na vida. E o caminho encurta quando a gente decide não andar só.
* Paula Petrucio é estrategista de negócios, especialista em marketing digital e consultora do SEBRAE
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