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Conheça tratamentos alternativos à Terapia de Reposição Hormonal no climatério

Desde alopatia, passando por fitoterapia e acupuntura, as mulheres que não podem ou querem repor hormônios têm outras opções no climatério

Vanessa Kopersz* Publicado em 16/08/2026, às 06h00

Os problemas vasomotores, responsáveis pelos famosos fogachos ou ondas de calor, são uma das  principais queixas das mulheres na peri e na menopausa. - Foto: Canva Pro
Os problemas vasomotores, responsáveis pelos famosos fogachos ou ondas de calor, são uma das  principais queixas das mulheres na peri e na menopausa. - Foto: Canva Pro

Mulheres com histórico familiar de câncer de mama não têm contraindicação absoluta para a terapia de reposição hormonal, segundo a ginecologista Dra. Joele Lerípio, que destaca a importância da investigação genética em casos específicos.

No Brasil, muitas mulheres que enfrentam o câncer de mama sofrem com os sintomas da menopausa, mas têm alternativas alopáticas, como antidepressivos e novos medicamentos não hormonais, para aliviar os incômodos como ondas de calor e incontinência urinária.

Além de opções fitoterápicas e acupuntura, especialistas recomendam que mulheres que não podem usar hormônios considerem tratamentos alternativos, embora a terapia hormonal ainda seja considerada mais eficaz no controle dos sintomas e na prevenção de doenças crônicas associadas ao envelhecimento.

Resumo gerado por IA

Antes de começar a discorrer nesta coluna, gostaria de deixar bem clara uma importante opinião da Dra. Joele Lerípio, ginecologista: ‘’Não é verdade que mulheres com histórico familiar de câncer de mama tenham contraindicação à terapia de reposição hormonal. Somente um histórico pessoal, ou seja, a mulher que teve ou está em tratamento do câncer de mama corre riscos com a TRH’’, enfatiza a Dra. ‘’O histórico familiar nos levanta suspeitas de presença genética, em alguns casos se faz a investigação, mas ele não é uma contraindicação absoluta.  Recomenda-se uma investigação de presença de oncogenes, os genes do câncer, mas isso não é uma contraindicação absoluta à terapia de reposição hormonal’, completa a médica.

Mas infelizmente temos muitas mulheres que possuem ou tiveram câncer de mama (ou de ovários e de outros tipos) no Brasil e que sofrem imensamente com os incômodos da menopausa, sem poder recorrer ao estradiol, o principal hormônio para amenizar sintomas como ondas de calor, transtornos psiquiátricos, dores nas juntas - além de agir como protetor do coração e preventor de osteoporose.

Porém, nem tudo é pessimismo: estas mulheres têm à disposição opções alopáticas para substituição. Os problemas vasomotores, responsáveis pelos famosos fogachos ou ondas de calor, são uma das  principais queixas das mulheres na peri e na menopausa. Nesses casos, o uso de certos medicamentos psiquiátricos pode auxiliar. ‘’Em intervenções medicamentosas para esse incômodo, utilizamos antidepressivos como a paroxetina e a venlafaxina, em baixas doses, não nas mesmas quantidades que se usam para  depressão’’, elucida a Dra. Joele. Já para a Dra. Karen Abrão, ginecologista, ‘’os novos antagonistas dos receptores de neurocininas, como o fezolinetant (Veoza) e o elinzanetant (Lynkuet) representam o principal avanço recente no tratamento não hormonal dos fogachos, atuando diretamente nas áreas cerebrais responsáveis por regular a temperatura corporal’’.

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Para as mulheres que sofrem com a incontinência urinária, uma opção boa e não hormonal é a oxibutinina, segundo a Dra. Lerípio. O princípio ativo deste medicamento atua bloqueando a ação da acetilcolina em receptores muscarínicos - proteínas presentes no corpo humano que respondem à acetilcolina (um neurotransmissor) para controlar funções automáticas. O fármaco reduz as contrações involuntárias e o espasmo do músculo detrusor da bexiga, aumentando sua capacidade de armazenamento e diminuindo a urgência de urinar.

Já para a Dra. Karen, para tratar ressecamento e incontinência, o tratamento com estrogênio vaginal em baixa dose é extremamente benéfico e pode ser usada com segurança na grande maioria das pacientes, mesmo aquelas com contraindicação para hormônios em geral. São fórmulas vaginais de baixo teor de estradiol que praticamente não são absorvidas no restante do organismo, apenas na vagina. Por essa razão, podem ser utilizados pela grande maioria das mulheres que não podem receber hormônios pela via oral ou transdérmica.

E atenção: segundo a Dra. Abrão, ‘’mesmo as mulheres com antecedente de câncer de mama podem, em muitas circunstâncias, utilizar estrogênio vaginal em baixa dose após falha das medidas não hormonais, mediante decisão compartilhada com oncologista’’.

A Fitoterapia é outra via não hormonal  muito usada para combater sintomas da peri e da menopausa. Há uma combinação destes compostos mais naturais que pode ajudar nos calores, na ansiedade, na insônia, nas dores articulares e outras queixas. A Dra. Joele, em sua prática clínica, usa a morus nigra, o extrato da amora, que ajuda no cansaço, no calor e até tem um componente que pode auxiliar no ressecamento íntimo. ‘’Eu também gosto muito do feno grego, que ajuda na melhora da libido, na disposição, na resposta muscular e no exercício’’, aconselha.

Outra opção que a Dra. Joele elenca é a cúrcuma, que deve ser usada em doses baixas - por isso deve vir acompanhada de prescrição médica ou de nutricionista. ‘’Trata-se de um potente anti-inflamatório, que ajuda bastante no controle da inflamação sistêmica, já que a mulher no climatério começa a ter resistência à insulina, ganho de peso e dores articulares’’. Para outro sintoma bastante relatado pelas mulheres no climatério, que é a ansiedade, o fitoterápico recomendando é a ashwagandha, que modula o cortisol, o famoso ‘’hormônio do stress’’.

Ainda há a berberina, fitoterápico que ajuda na resistência à insulina, ‘’já que no climatério a mulher começa a ter ganho de peso, início de gordura visceral e esse composto tem uma ação  muito parecida no corpo com a metformina, o famoso Glifage, para diabetes, fazendo uma comparação com uma medicação alopática’’, indica a Dra. Lerípio.

A verdade é que a terapia com fitoterápicos associada a um estilo de vida bem primoroso, que une alimentação rica em proteínas, baixa em ultra processados e com o controle da quantidade de carboidratos, vai ajudar muito nos sintomas e na qualidade do envelhecimento. Mas, atenção: ‘’a gente não pode dizer que esse plano de ação será igual à terapia de reposição hormonal. Principalmente no controle da prevenção de perda óssea e na de nível cardiovascular. A terapia de reposição hormonal via hormônios bioidênticos é superior no controle dos sintomas e no controle do aparecimento de doenças crônicas que vem com o envelhecimento, sem dúvida’’, crava a Dra. Joelle.

Também fica aqui um importante aviso para as mulheres que optarem pelos fitoterápicos: ‘’a paciente que teve câncer de mama ou de ovário qualquer ou qualquer câncer hormônio dependente não pode usar fitoterápicos que tenham fito estrogênio, alerta Joele. ‘’ Então, há de se evitar a amora, a soja e a isoflavona da soja, a isoflavona do feno do trevo vermelho e o feno grego.  ‘’Para estes pacientes, eu lanço mão da Cimicífuga racemosa, que tem uma ação mais central, no cérebro, e não tem ação em receptores de estrogênio. Angélica Sinensis é o outro fitoterápico que nos ajuda no controle dos sintomas’’.

Outra opção para essas mulheres: a coenzima Q10, que ajuda na melhora da disposição porque entra dentro da rota de formação de energia celular.

E os famosos suplementos e vitaminas? A Dra. Karen Abrão enfatiza que ‘’magnésio, ômega-3, vitamina E, complexo B e outros suplementos não demonstraram redução consistente de sintomas do climatério em estudos de boa qualidade’’ Estes devem ser indicados para corrigir deficiências documentadas ou atender a necessidades nutricionais específicas - e não como tratamento geral da menopausa.

Ainda segundo ela, ‘’cálcio e vitamina D são importantes para a saúde óssea quando a ingestão ou os níveis são inadequados, mas não tratam diretamente os sintomas menopausais.’’

E para as mulheres ainda mais alternativas e avessas à alopatia, há a acupuntura. A Dra. Helena Campiglia, médica acupunturista e especializada em saúde da mulher, diz que ‘’o climatério compara-se à estação do outono, considerado na Medicina Tradicional Chinesa como um tempo de recolhimento, do elemento Metal - aquele que corta o supérfluo. Suas características são de introversão, recolhimento e reorganização. Este é um movimento Yin, para dentro, de aquietamento. Com a chegada da menopausa, muitas mulheres passam a ter questões com o sono, com o humor, fogachos, mudanças físicas e psíquicas’’.

Ainda de acordo com a Dra. Campiglia ‘’para as mulheres que optam por não fazer a reposição hormonal, os sintomas costumam ser mais expressivos, até que esta onda de mudança se aquiete, e a mulher entre completamente na nova fase – a da segunda metade da vida’’.

Um trecho do livro ‘’Medicina Integrativa & Saúde da Mulher’’, de autoria da Dra., aborda diretamente o climatério: ‘’Quando a mulher inicia os sintomas da perimenopausa e da menopausa o corpo inteiro sente essa mudança. Podem aparecer ondas de calor, suor noturno, insônia, irritabilidade, ansiedade, palpitações, dores de cabeça, cansaço e uma sensação bastante comum entre as mulheres: a de que o organismo perdeu o ritmo que tinha antes. A acupuntura pode ser de grande auxílio para estas pacientes’’.

Para ela,‘’a aplicação das agulhas provoca respostas reais no sistema nervoso. Ao estimular determinados pontos da pele e dos músculos, a acupuntura envia sinais para a medula e para o cérebro. Esses estímulos podem influenciar a liberação de substâncias envolvidas na dor, no sono, no humor e na resposta ao estresse, além de interferir no funcionamento do sistema nervoso autônomo — aquele que controla funções que não comandamos conscientemente, como frequência cardíaca, suor e temperatura corporal. Além disso a acupuntura influencia o próprio eixo hormonal’’.

A Dra. Helena também aborda, na obra, o efeito ‘’cascata’’ do climatério: ‘’na menopausa, os sintomas costumam vir em conjunto e alimentar uns aos outros. A mulher tem calor à noite e acorda várias vezes. Dorme mal, passa o dia mais cansada e irritada. Com menos sono, fica mais sensível à dor e ao estresse. A ansiedade aumenta e, com ela, podem aumentar também as palpitações e os próprios fogachos, gerando um ciclo vicioso de mal-estar, estresse e cansaço. A acupuntura pode ajudar justamente porque não atua apenas sobre um único sintoma. Ela pode modular diferentes vias do sistema nervoso e contribuir para que esse organismo fique menos reativo’’.

* Vanessa Kopersz é jornalista. 

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