Entenda como a diversidade de gênero, inclusive com liderança feminina, também contribui para o sucesso e inovação no setor de petróleo e gás
Redação Publicado em 04/04/2025, às 06h00
O setor offshore (de operações realizadas em ambientes marítmos), tradicionalmente dominado por homens, tem testemunhado uma crescente presença feminina nos últimos anos. A inclusão das mulheres nesse ambiente, muitas vezes desafiador, representa não apenas uma evolução cultural, mas também a chegada de novas perspectivas que podem impulsionar a inovação e a eficácia nos negócios. No entanto, as mulheres que ocupam cargos de liderança enfrentam desafios significativos para conquistar respeito e igualdade nesse espaço.
De acordo com dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2023, a participação feminina na força de trabalho global no setor de energia e petróleo foi de 22%, um número ainda distante da paridade. Contudo, o aumento da presença feminina no setor offshore tem sido notável. Estudo da McKinsey & Company revela que empresas com maior diversidade de gênero têm 25% mais chances de ter uma performance financeira acima da média.
Essa mudança de cenário, em parte, pode ser atribuída à entrada de mulheres em posições de liderança, como a de Amanda Carvalhal, que é uma das poucas CEOs femininas em uma indústria historicamente masculina.
Amanda Carvalhal, CEO Lifting Group, destaca que, apesar das dificuldades, como a necessidade constante de provar sua competência em um campo majoritariamente masculino, a gestão feminina tem mostrado ser um fator determinante para o sucesso e a inovação.
"A liderança feminina em setores desafiadores como o offshore não é apenas uma questão de equidade, mas também de resultados. Mulheres trazem uma abordagem colaborativa, focada na resolução de problemas e na busca pela inovação, aspectos cruciais em um ambiente de alto risco e complexidade", afirma Amanda Carvalhal.
O estudo de Harvard Business Review (2022) aponta que empresas com mulheres em cargos de liderança têm, em média, uma maior propensão a investir em tecnologias inovadoras e práticas sustentáveis, o que é essencial em setores como o offshore, que enfrentam pressões crescentes por práticas mais responsáveis em relação ao meio ambiente. "Liderança feminina não significa apenas uma presença mais inclusiva, mas uma abordagem estratégica que abraça a diversidade de pensamento e de soluções, essencial para o desenvolvimento sustentável no setor", complementa a empresária.
Além dos desafios inerentes à masculinização do setor, como a resistência cultural e o preconceito, as mulheres também enfrentam barreiras práticas, como a escassez de infraestrutura e apoio para a conciliação entre vida profissional e pessoal, uma realidade ainda mais acentuada em ambientes offshore, onde o deslocamento e as longas jornadas de trabalho são comuns.
Ainda assim, o panorama está mudando. A crescente demanda por diversidade de gênero nas empresas e a implementação de políticas inclusivas têm aberto portas para mulheres como Amanda, que já tem mostrado o caminho para um futuro mais igualitário no setor. E embora os desafios continuem a existir, as conquistas da liderança feminina no setor offshore são um sinal claro de que as mulheres têm muito a oferecer em ambientes tradicionalmente dominados por homens.