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Saúde mental no trabalho deixa de ser "opcional"

Entenda como a atualização da NR1 exige foco em riscos psicossociais e a importância de uma cultura organizacional saudável

Bruno Gonçalves* Publicado em 28/05/2026, às 06h00

Entenda como a atualização da NR1 exige foco em riscos psicossociais e a importância de uma cultura organizacional saudável
Entenda como a atualização da NR1 exige foco em riscos psicossociais e a importância de uma cultura organizacional saudável

A recente atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR1) no Brasil exige que as empresas abordem os riscos psicossociais, além dos tradicionais riscos físicos, visando prevenir problemas como assédio e esgotamento, o que pode impactar significativamente a cultura organizacional.

Dados indicam um aumento nos afastamentos por transtornos mentais, tornando essencial que as empresas adotem práticas de gestão contínua e escuta ativa para identificar e mitigar esses riscos antes que se tornem problemas maiores.

As empresas devem implementar diretrizes que promovam ambientes de trabalho saudáveis, como a modernização da liderança e o empoderamento dos colaboradores, para evitar multas e reter talentos, adaptando-se às novas exigências legais e sociais.

Resumo gerado por IA

Com a atualização da NR1, empresas são obrigadas a olhar para além do físico e encarar os riscos psicossociais, especialista explica como transformar a cultura organizacional para evitar multas e esgotamento

Durante décadas, a segurança do trabalho foi resumida ao uso de capacetes, botas de aço e luvas de proteção. No entanto, a realidade do mercado atual impôs uma mudança drástica que as normas brasileiras finalmente acompanharam. A Norma Regulamentadora nº 1 (NR1), recentemente revisada, trouxe para o centro do debate um tema que, por muito tempo, foi negligenciado ou "escondido sob o tapete" pelas organizações: a saúde mental.

Agora, gerenciar riscos ocupacionais no Brasil exige, obrigatoriamente, olhar para os riscos psicossociais. Não se trata mais apenas de evitar uma queda em um canteiro de obras; trata-se de prevenir o assédio, o esgotamento e a cultura do medo. A verdadeira cultura de uma empresa é o que o colaborador sente na noite de domingo. Se o sentimento é de angústia, a sua gestão de riscos já falhou.

Abaixo, o palestrante e especialista em Experiências Humanas (Experiência do Cliente e do Colaborador), Bruno Gonçalves, elenca cinco diretrizes fundamentais para que as empresas não apenas cumpram a legislação, mas transformem seus ambientes em lugares onde as pessoas prosperem.

1. Mapear o "risco invisível"


A NR1 exige que o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) inclua fatores psicossociais. Isso significa identificar tecnicamente onde o "calo aperta": há sobrecarga de trabalho? Falta autonomia? Existe uma cultura de vigilância punitiva? O que não é medido, não pode ser gerenciado. A escuta ativa e as pesquisas de clima reais tornam-se, agora, ferramentas de conformidade legal.

2. A aposentadoria do "líder jurássico"


A norma agora atua como um gatilho para a modernização da liderança. O gestor que acredita na máxima do "manda quem pode e obedece quem tem juízo" tornou-se um risco jurídico e financeiro para a operação. Um ambiente psicologicamente seguro onde o erro é tratado como aprendizado e não como motivo de humilhação é a melhor barreira contra doenças ocupacionais modernas.

3. Feedback como processo vivo, não evento anual


Muitas empresas falham ao esperar a avaliação de desempenho anual para ouvir o colaborador. A nova diretriz favorece modelos de gestão contínua. Ciclos frequentes de conversa permitem identificar sinais precoces de Burnout ou desengajamento antes que eles se transformem em um afastamento pelo INSS ou em uma grande multa.

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4. Entender que saúde mental é custo operacional


O Brasil registrou, nos últimos anos, recordes de afastamentos por transtornos mentais e comportamentais. Investir na NR1 sob a ótica do bem-estar não é um projeto "filantrópico" do RH, é inteligência financeira. As multas por descumprimento são pesadas, mas o custo de substituir um talento perdido pelo esgotamento, um novo processo seletivo, treinamento, é imensurável para o negócio.

5. Trocar a "chibata" pelo empoderamento


A empresa que prospera é aquela que foca na autonomia. O microgerenciamento é um dos principais gatilhos de estresse no ambiente corporativo. Quando o colaborador se sente dono do seu processo e respeitado em sua individualidade, o risco psicossocial diminui drasticamente e, por consequência direta, o lucro aumenta. Autonomia não é deixar fazer o que quiser, mas dá-la de forma que a pessoa entenda que o seu trabalho importa.

O recado da nova legislação é claro: ou a empresa humaniza a sua gestão de riscos, ou ficará para trás seja pela via judicial, seja pela incapacidade de reter talentos em um mundo que não aceita mais o trabalho à custa da sanidade.


*Bruno Gonçalves é um palestrante profissional e renomado especialista em Felicidade Corporativa e Experiência do Cliente. Com uma carreira marcada por passagens significativas em grandes empresas como Microsoft, HP e Apple, ele traz uma visão inovadora e prática para suas palestras.
Formado em Engenharia da Computação, com extensão na França, e um MBA em Marketing pela USP, Bruno também possui formação especializada no Disney Institute, que complementa sua abordagem única. Foi Head de Experiências do Hopi Hari, onde desenvolveu projetos que transformaram a experiência do visitante e também na experiência do colaborador.
Ao longo de sua trajetória, Bruno já impactou mais de 200 mil colaboradores em empresas como Volkswagen, Natura, Porto, Hotmart e Yamaha, ministrando palestras e workshops em todo o Brasil e na Europa. Em 2024, foi reconhecido como TOP VOICE no setor de RH pelo LinkedIn e convidado a atuar como curador de palestrantes no HJ Conference. TEDx speaker, foi destacado como um dos 10 melhores palestrantes de CX na CSX Week 2024.

*Com edição de Marina Yazbek Dias Peres.