Mariana Kotscho
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NR-1 passa por atualização e reforça saúde mental como prioridade nas empresas

Nova norma exige adequação nas empresas até 26 de maio de 2026 e reposiciona a segurança do trabalho como estratégia de gestão

Redação* Publicado em 15/05/2026, às 06h00

A atualização da NR-1 ajuda prevenir riscos e situações como sobrecarga, burnout, e estresse crônico. - foto: pexels
A atualização da NR-1 ajuda prevenir riscos e situações como sobrecarga, burnout, e estresse crônico. - foto: pexels

As atualizações da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) estão transformando a abordagem das empresas brasileiras em relação à saúde e segurança no trabalho, enfatizando a saúde mental como parte fundamental da gestão empresarial.

A norma introduz o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e substitui o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) pelo Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), exigindo uma avaliação contínua de riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e psicossociais.

As empresas devem implementar o PGR, monitorar riscos e capacitar trabalhadores, com um prazo de adequação até maio de 2026; a falta de conformidade pode resultar em penalidades severas, destacando a necessidade de uma mudança de mentalidade em relação à saúde no ambiente de trabalho.

Resumo gerado por IA

As recentes atualizações da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) estão promovendo uma transformação significativa na forma como as empresas brasileiras encaram a saúde e a segurança no trabalho. Mais do que uma norma introdutória, a NR-1 se consolida agora como um pilar estratégico da gestão empresarial, ampliando o olhar para além dos riscos físicos e incorporando, de forma mais clara, a saúde mental no ambiente corporativo.

Entre as principais mudanças está a implementação do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), que organiza de forma sistêmica a gestão de riscos dentro das empresas, além da substituição do antigo Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) pelo Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A nova abordagem exige identificação, avaliação e controle contínuo não apenas de riscos físicos, químicos e biológicos, mas também de fatores ergonômicos e psicossociais.

Na avaliação da advogada empresarial, Dra. Nívea Ferreira, a norma inaugura uma postura mais preventiva e estratégica. “Com o GRO e o PGR, a empresa deixa de atuar de forma reativa e passa a antecipar riscos, reduzindo custos com afastamentos, fortalecendo o compliance e aumentando a segurança jurídica”, explica.

A atualização também traz impactos diretos na cultura organizacional. Para a psicóloga cognitivo-comportamental, Karine Brock, o novo texto representa um avanço ao reconhecer o impacto do ambiente de trabalho na saúde emocional dos colaboradores. “As empresas passam a ter a responsabilidade de identificar e prevenir situações como estresse crônico, sobrecarga e burnout. Isso muda a forma como o trabalho é estruturado e como as pessoas são cuidadas,” destaca.

Sob a ótica da psicologia, ambientes de pressão constante podem desencadear pensamentos de insuficiência, ansiedade e esgotamento, muitas vezes silenciosos e invisíveis. Nesse contexto, a atuação preventiva e o fortalecimento de habilidades emocionais ganham protagonismo. “Cuidar da saúde mental não é custo, é investimento em produtividade e sustentabilidade do negócio,” reforça Brock.

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Na prática, a NR-1 exige das empresas uma série de adequações, como a elaboração e implementação do PGR, o monitoramento contínuo dos riscos, a capacitação dos trabalhadores, a organização documental e o cumprimento integrado com outras normas, como a NR-7 (PCMSO) e a NR-17 (Ergonomia). A digitalização de registros e a integração com o eSocial também ampliam a transparência e a fiscalização.

Apesar de aplicável a empresas de todos os portes, as especialistas alertam para erros comuns, como a adoção de documentos genéricos e a falta de envolvimento da liderança. A negligência no cumprimento pode resultar em multas, interdições, ações trabalhistas e até responsabilização civil e criminal. O prazo para adequação às novas diretrizes da NR-1 já está em vigor, com exigências progressivas, e empresas devem estar totalmente adaptadas até maio de 2026. Mais do que atender à legislação, o momento exige uma mudança de mentalidade. “A NR-1 não trata apenas de normas, mas de pessoas. Ela propõe um ambiente de trabalho mais seguro, saudável e sustentável, onde produtividade e bem-estar caminham juntos,” concluem as profissionais.

*Com edição de Marina Yazbek Dias Peres