A UNESCO reconhece o esporte como ferramenta de inclusão social que promove hábitos saudáveis e transforma um país
Flávia Drummond* Publicado em 04/06/2026, às 06h00

Grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, têm um impacto social significativo, influenciando hábitos e a qualidade de vida das pessoas, além de mobilizar audiências e conversas sobre saúde e bem-estar.
Dados da OMS revelam que um terço dos adultos e 80% dos adolescentes não praticam atividade física suficiente, contribuindo para um aumento nas taxas de obesidade e problemas de saúde mental, especialmente no Brasil, onde 47% dos adultos são inativos.
Apoiar o esporte é visto como uma responsabilidade coletiva e uma oportunidade para empresas de saúde promoverem a prevenção e o engajamento em hábitos saudáveis, reconhecendo o esporte como uma ferramenta de inclusão social e desenvolvimento humano.
O impacto do esporte raramente termina no placar. Grandes competições, como a Copa do Mundo FIFA 2026 e as Olimpíadas de 2028 mobilizam audiência, criam conversas e despertam admiração, mas seu efeito mais profundo talvez esteja em outro lugar: na capacidade de influenciar hábitos, comportamento e qualidade de vida.
Quando uma criança começa a praticar esporte inspirada por um atleta ou uma família passa a valorizar mais atividade física, existe ali um efeito social que vai muito além do entretenimento. E é justamente por isso que apoiar o esporte se tornou uma agenda relevante também para empresas comprometidas com saúde e bem-estar.
Durante muito tempo, prevenção foi tratada de forma restrita, quase sempre associada apenas a exames e consultas. Existe uma contradição curiosa no comportamento do torcedor brasileiro. A mesma pessoa que acompanha cada detalhe da preparação física de um atacante — os exames pré-temporada, a monitoração cardíaca, o protocolo de recuperação — é muitas vezes a mesma que adia há dois anos uma consulta de rotina. Que nunca fez um check-up completo. Que só vai ao médico quando a dor já não pode esperar.
Mas hoje está cada vez mais evidente que saúde começa antes: na rotina, alimentação, movimento, sono, equilíbrio emocional e acesso à informação. Eu mesma, comecei a correr recentemente e percebi os benefícios amplos na minha saúde - física, mental e social.
Os dados ajudam a dimensionar esse desafio. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada três pessoas adultas no mundo não pratica atividade física suficiente¹. Entre adolescentes, o cenário é ainda mais preocupante: 80% estão abaixo dos níveis recomendados de exercício físico². A própria OMS estima que até 5 milhões de mortes por ano poderiam ser evitadas com uma população mais ativa³.
O esporte ocupa um papel poderoso nesse processo porque inspira pelo exemplo. Atletas de alto rendimento mostram, na prática, que performance depende de disciplina, acompanhamento, constância e cuidado com o corpo. Existe uma mensagem importante aí: saúde não é um evento isolado. É um processo permanente.
Essa discussão é especialmente urgente no Brasil. Vivemos um paradoxo: nunca se falou tanto em wellness, mas o sedentarismo segue crescendo. Segundo a OMS, a inatividade física aumentou 5 pontos percentuais entre 2010 e 2022 no mundo — e pode atingir 35% da população até 2030. No Brasil, o cenário é ainda mais grave: 47% dos adultos são considerados inativos fisicamente e o país lidera o ranking na América Latina⁴. Ao mesmo tempo, os números revelam um aumento expressivo da obesidade: o excesso de peso saltou de 42,6% para 62,6% da população em apenas 18 anos, segundo o Vigitel 2025⁵. Vivemos também uma piora de indicadores de saúde mental, inclusive entre jovens. Ao mesmo tempo, nunca tivemos tanta informação disponível sobre prevenção e qualidade de vida. O desafio deixou de ser apenas acesso ao conhecimento e passou a ser engajamento.
A UNESCO reconhece o esporte como uma ferramenta de inclusão social, desenvolvimento humano e promoção de uma cultura de paz⁶. Porque mobiliza comunidades, cria pertencimento, fortalece vínculos e estimula hábitos mais saudáveis desde cedo.
Por isso, para mim, apoiar o esporte não deve ser visto apenas como uma ação de patrocínio ou posicionamento de marca. Trata-se de investir em algo que produz impacto social concreto. Especialmente para empresas da área da saúde, existe uma oportunidade importante de ampliar a conversa sobre prevenção para além dos laboratórios, hospitais e consultórios.
As medalhas têm seu valor simbólico. Mas o legado mais importante do esporte talvez seja outro: lembrar que saúde se constrói todos os dias, e que promover uma sociedade mais ativa é uma responsabilidade coletiva.
Referências
* Flávia Drummond é diretora de marketing da Dasa, empresa líder de medicina diagnóstica no Brasil
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