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O que transforma a educação vai além do boletim — e um prêmio mostra como

Prêmio EGG chega à 6ª edição reconhecendo escolas que transformam o cotidiano com gentileza, generosidade e cidadania

Marina Pechlivanis* Publicado em 31/03/2026, às 17h00

Mão segura um pequeno globo terrestre com chapéu de formatura
O Prêmio EGG reconhece escolas que assumem o compromisso de formar não apenas estudantes, mas cidadãos. - Foto: Canva Pro

O Prêmio Educação para Gentileza e Generosidade (EGG) destaca práticas pedagógicas que promovem transformação social nas escolas, evidenciando a importância de educar para valores e vínculos em um cenário de tensões sociais.

Na edição de 2025, 217 projetos foram inscritos, com 34 elegíveis, sendo 64,7% de instituições públicas, e pela primeira vez, as três primeiras colocações foram conquistadas exclusivamente por escolas públicas.

As escolas vencedoras, como a Escola Estadual Gentil de Albuquerque Malta, que ganhou com o projeto Protege Caatinga, demonstram que a educação pode mobilizar comunidades e transformar relações, reforçando o compromisso com a formação integral e a responsabilidade coletiva.

Resumo gerado por IA

Em um cenário marcado por tensões sociais e fragilização das relações, torna-se ainda mais evidente que educar vai além do conteúdo: envolve, de forma indissociável, a construção de valores — e, sobretudo, de vínculos.

É nesse contexto que o Prêmio Educação para Gentileza e Generosidade (EGG), em sua 6ª edição, se consolida como um espaço de projeção de práticas pedagógicas que promovem transformação social a partir do cotidiano escolar.

Quando decidimos criar o Prêmio, partimos de uma hipótese clara: iniciativas surpreendentes, com foco em competências sociotransformacionais — aquelas que estimulam a ação e a transformação — estavam “escondidas” no dia a dia escolar. Faziam diferença, mas não eram amplificadas. Faltava um espaço para dar projeção a esses projetos, às suas histórias, aos contextos e aos protagonistas.

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Em 2025, foram 217 projetos inscritos, com 34 elegíveis — 64,7% de instituições públicas. Pela primeira vez, as três primeiras colocações foram conquistadas exclusivamente por escolas públicas.

Mais do que números, o que se evidencia é um movimento consistente: escolas que assumem o compromisso de formar não apenas estudantes, mas cidadãos.

Escolas vencedoras: quando a prática ganha nome, forma e impacto 

O 1º lugar ficou com a Escola Estadual Gentil de Albuquerque Malta, com o projeto Protege Caatinga.

O professor Luiz César sintetiza: “Não é só um bioma, não é só uma árvore; é uma história que está por trás e nós estamos muito felizes, contentes, alegres e motivados a continuar trabalhando para proteger não só a caatinga, mas para proteger a natureza em si de forma geral. Muitas pessoas nos tratam como invisíveis e a gente não tem vez nem voz. É uma sensação única saber que nós estamos transformando o mundo. Esse prêmio reafirma a nossa fala de dizer que a Caatinga não é pobre, não é miséria: a caatinga é rica, é história, é sobrevivência.”

O 2º lugar foi conquistado pela Escola Municipal José Gomes Vieira, com o projeto Gentileza Transformando o Mundo.

A diretora Geidila Andrade destaca: “Receber a notícia foi um momento de muita alegria e gratidão; foi a certeza de que todo o trabalho desenvolvido com dedicação e compromisso está no caminho certo. É uma sensação de orgulho coletivo, pois essa conquista não é individual, mas de toda a comunidade escolar. Para os alunos, é a prova de que suas ações e aprendizados fazem a diferença. Pequenas atitudes, quando somadas, têm o poder de transformar realidades.”

O 3º lugar ficou com o CEI Caminho do Futuro, com o projeto Boneca Viajante.

A diretora Simone Fernandes ressalta: “Esse reconhecimento não é apenas sobre um projeto, mas ele fala sobre essas vidas que foram tocadas ao longo de todo esse processo: crianças, famílias, educadores e toda a comunidade. Tivemos, por exemplo, o relato de uma mãe que compartilhou a experiência: ajudou a filha a compreender a deficiência do avô, trazendo um olhar mais sensível, respeitoso e humano sobre as diferenças. Acreditamos profundamente que, ao cultivar esses valores, não estamos apenas formando bons alunos, boas crianças, mas seres humanos mais conscientes.”

Destaques que ampliam o alcance dos princípios

Além das vencedoras, outras sete escolas foram reconhecidas por projetos alinhados aos princípios do Prêmio, reforçando a diversidade de contextos e soluções presentes na educação brasileira:

  • Gentileza — EMEF Padre João Schiavo (Caxias do Sul/RS)
  • Generosidade — Instituto Dom Bosco (Campos dos Goytacazes/RJ)
  • Solidariedade — Espaço de Educação Infantil Chácara do Céu (Rio de Janeiro/RJ)
  • Sustentabilidade — EEBM Professora Noemi Vieira de Campos Schroeder (Pomerode/SC)
  • Diversidade — EM Antônio Andrade (Pinhais/PR)
  • Respeito — EE Prof. Domingos Cambiaghi (Franco da Rocha/SP)
  • Cidadania — Colégio Madre Imilda (Caxias do Sul/RS)

Reconhecer para fortalecer: o papel do prêmio

A avaliação contou com especialistas como Camila Brasil, Débora Verdan, João Paulo Vergueiro, Rachel Añón, Jady Veríssimo, Joel Scala, Paulo Emílio Andrade, Heloísa Renata de Santana, Natalia Lanni, Paulo André Bione e Amanda Malucelli.

A pluralidade de olhares contribui para consolidar o prêmio como uma referência emergente no reconhecimento de práticas voltadas à formação integral.

Ver escolas incluindo em suas chamadas de matrícula — “inscreva-se aqui, fomos vencedores do Prêmio EGG Escolas” — como um atributo sociotransformador relevante é um sinal concreto dessa transformação. Indica que valores como gentileza, generosidade e cidadania passam a ser reconhecidos também como diferenciais pedagógicos.

É a comprovação de que investir na divulgação do prêmio, ampliar seu alcance e fazer circular essas histórias tem um papel significativo não apenas para o ecossistema escolar, mas para a construção de um modelo de convivência mais equitativo, colaborativo e respeitoso.

Educação que chega às famílias — e transforma relações

Os projetos reconhecidos têm algo em comum: ultrapassam os muros da escola, mobilizam comunidades e transformam relações. Mostram que educar não é apenas transmitir conhecimento, mas construir repertório de convivência e responsabilidade coletiva. E confirmam que a educação que transforma é contínua, relacional e prática. 

São exemplos que nascem na sala de aula, atravessam a infância e se expandem para toda a sociedade. Ao dar projeção a essas iniciativas, o Prêmio EGG estimula o compromisso da educação, especialmente em tempos de inteligência artificial, em  formar seres humanos capazes de conviver com respeito, colaborar com inteligência e construir um futuro mais saudável e sustentável para todos, pautado pela responsabilidade coletiva.

Para conhecer todos os projetos vencedores e destaques da edição, acesse: www.gentilezagenerosidade.org.br

*Marina Pechlivanis é a idealizadora da plataforma de Educação para Gentileza e Generosidade (EGG), que oferece soluções sistêmicas integrativas, interdisciplinares e interpúblicos com base nos 7 princípios da Educação para Gentileza, Generosidade, Solidariedade, Sustentabilidade, Diversidade, Respeito e Cidadania (7PEGG).

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