Mariana Kotscho
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Novo decreto sobre educação inclusiva exige debate sobre práticas baseadas em evidências, alerta especialista

Educação inclusiva real vai além de colocar todos na mesma sala: é preciso adotar práticas baseadas em evidências

Redação Publicado em 07/11/2025, às 06h00

Criança atípica olha objeto com lente de aumento ao lado de professora
Especialista defende discussão profunda sobre o que realmente funciona para cada criança e o que se entende verdadeiramente sobre inclusão - Foto: Canva Pro

O decreto federal nº 12.686/2025 estabelece que todos os estudantes com deficiência devem ser matriculados em salas regulares, revogando a norma anterior de 2011, e reacende o debate sobre a eficácia da educação inclusiva no Brasil.

A pedagoga Renata Haddad enfatiza que a inclusão deve ser baseada em equidade e que a simples junção de alunos com diferentes necessidades pode resultar em exclusão, destacando a importância de ambientes especializados para crianças com deficiências severas.

A Pluralità, fundada por Renata, oferece formação para educadores e consultoria para escolas, visando implementar práticas inclusivas eficazes, enquanto o debate sobre o novo decreto deve envolver diversos stakeholders e ser guiado por evidências científicas e as necessidades das crianças.

Resumo gerado por IA

O recente decreto do governo federal nº12.686/2025 que determina, além de outras coisas, que todos os estudantes com deficiência devem estar matriculados em salas de aula regulares, reacende o debate sobre os limites e possibilidades da educação inclusiva no Brasil. Esse Decreto revoga o decreto nº 7.611/2011.

Para Renata Gonzalez Cecato Haddad, pedagoga, neuroeducadora, neuropsicopedagoga e fundadora da Pluralità Assessoria Educacional e Inclusiva, a medida precisa ser acompanhada de uma discussão profunda sobre o que realmente funciona para cada criança e o que se entende verdadeiramente sobre inclusão. “O desafio de colocar todos na mesma sala é que nem sempre isso funciona bem. Cada criança tem necessidades diferentes; o que na teoria é incluir, muitas vezes, na prática, é exatamente o contrário, é exclusão. A sociedade tem, muitas vezes, uma ideia errada de inclusão. A inclusão não é igualdade, e sim, equidade. Colocar todos juntos, sem o apoio certo, definitivamente não é a melhor solução”, afirma.

Renata, além de especialista na área, é mãe de uma criança com desenvolvimento atípico. Esta vivência pessoal, somada às suas credenciais acadêmicas – é mestranda em Neurociência e especialista em Neuroeducação, Neuropsicopedagogia e Educação Especial Inclusiva –, confere à profissional uma visão única sobre o tema: a capacidade de traduzir a teoria em práticas aplicáveis, com empatia e acolhimento.

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A especialista destaca que a existência de salas e escolas especializadas não deve ser vista como segregação, mas como uma alternativa legítima e, em muitos casos, necessária. “Em caso de deficiências severas, existem salas e escolas com professores treinados especialmente para trabalhar com esse tipo de público. Esses lugares têm recursos, materiais e profissionais preparados. Isso não é ruim ou segregação. É uma forma de dar o que cada criança realmente precisa para se desenvolver da melhor maneira possível.”, pontua Renata.

“Uma educação boa de verdade precisa respeitar as diferenças. Não é só colocar todo mundo junto. É preciso dar o apoio certo para cada um. A prática mostra que algumas crianças aprendem melhor em ambientes especializados. Outras se desenvolvem bem na escola comum. O importante é escolher o que funciona para cada criança, levando em consideração suas especificidades.” defende a especialista.

Renata Haddad ressalta que a Pluralità trabalha justamente nesta lacuna: oferece formação continuada para professores, atendimento clínico multidisciplinar e consultoria para escolas que buscam implementar práticas inclusivas baseadas em evidências. “Não se trata de ser contra a inclusão. Pelo contrário. Trata-se de defender uma inclusão real, que funcione de verdade, que respeite a individualidade de cada criança e que ofereça os recursos necessários para que todos possam aprender e se desenvolver plenamente”, conclui.

A discussão sobre o novo decreto deve continuar nos próximos meses, envolvendo educadores, famílias, especialistas e gestores públicos. Para Renata, o mais importante é que "esse debate seja pautado pela ciência, pela escuta das famílias e, acima de tudo, pelo melhor interesse das crianças", finaliza.

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