Escutar o corpo é um ato de amor-próprio

Entenda como a massoterapia promove a reconexão com suas emoções e como é necessário escutar o corpo

Renata Furiati* Publicado em 23/02/2026, às 06h00

Cuidar do corpo também é uma forma de cuidar de suas emoções e saúde mental - pexels

Ler resumo da notícia

Cresci em uma cidade na Zona da Mata mineira com menos de cinco mil habitantes. O tempo era outro e em todos os sentidos: o do relógio e o das coisas. E esse segundo é ainda mais precioso. Se eu tinha qualquer dor, minha avó tinha uma receita com alguma planta. Ouça seu coração, minha mãe dizia sempre. Não dê ouvido à maldade alheia, recomendava meu pai, que sempre emendava com um convite para um cafezinho. Ou seja, desde criança, fui estimulada a escutar o que meu corpo dizia e a evitar algo que pudesse me fazer mal. E essa sabedoria foi passada oralmente, dentro da família, entre pessoas.

Atualmente, vivo em São Paulo, uma cidade que eu amo de paixão e, justo por ter essa relação de afeto, enxergo alguns pontos com uma postura mais crítica. E um deles é a eterna pressa para chegar a algum lugar, seja lá onde for: a estação de metrô, a próxima reunião, um cliente, uma consulta, um encontro com algum amigo, ufa, haja disposição! Não é novidade dizer que, nesse ímpeto de correr sem parar, há quem perca uma habilidade: ouvir-se, acolher-se, abraçar seus próprios sentimentos.

O que percebo, como massoterapeuta, é que muitas pessoas vivem no automático. O ritmo acelerado faz com que a gente se desconecte de si mesmo sem perceber. O corpo dá sinais o tempo todo (um desconforto muscular, uma dor de cabeça, um peso nas pernas), mas essas alertas acabam sendo normalizadas. O mesmo acontece com os sinais emocionais: ansiedade, mente acelerada, dificuldade para dormir. Com o tempo, tudo isso passa a parecer “parte da rotina”, quando na verdade é um pedido claro de pausa.

Vivemos em uma cultura que valoriza a produtividade constante, como se parar fosse perda de tempo. Mas o corpo sente. E sente muito. O acúmulo de tensões, o cansaço mental e o distanciamento das próprias necessidades se tornam cada vez mais comuns. 

É justamente por isso que a massoterapia vai muito além do alívio físico. Ela é uma prática profunda de autocuidado e também de autoconhecimento. Durante uma sessão, existe um convite ao silêncio, à presença, à escuta. A pessoa tem a oportunidade de se perceber, de sentir o próprio corpo com mais consciência. Emoções e tensões que estavam escondidas aparecem, não como ameaça, mas como possibilidade de reconexão.

Veja também

Muitas pessoas só procuram terapias corporais quando a dor já está instalada. Isso revela o quanto ainda temos dificuldade de respeitar nossos limites. Ignorar os sinais iniciais pode até parecer funcional por um tempo, mas a longo prazo cobra um preço físico, emocional e mental.

Cuidar do corpo não é luxo. É necessidade básica. É nele que tudo acontece. Quando nos permitimos parar, respirar e cuidar de nós mesmos, fortalecemos também a autoestima e construímos uma relação mais gentil com quem somos.

Se eu pudesse deixar uma mensagem final, seria simples: o corpo está falando. Escutá-lo é um gesto essencial de amor-próprio. Comece com pequenos espaços de pausa. Seja mais gentil com você. Somos únicos e merecemos cuidado.

 

*Renata Furiati é massoterapeuta e fundadora da Sabai Bem-Estar

*Com edição de Marina Yazbek Dias Peres

Saúde relacionamento emoções autocuidado Amor-próprio

Leia mais

Vaidade e prisão invisível: quando a beleza se torna uma armadilha


Fisioterapia no autismo: motor, social e emocional em foco


Sumir para se reencontrar: a importância de um retiro na jornada materna


Finger Yoga: técnica japonesa que alivia dores e ansiedade pela orelha ganha espaço no Brasil


Exaustão feminina: quando a rede de apoio se torna essencial?