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» DIFICULDADE DE APRENDIZADO

Quando a matemática deixa de ser uma disciplina e passa a limitar o futuro

Estudo revela que apenas uma pequena fração de alunos tem domínio em matemática, evidenciando a necessidade de intervenções precoces

Marizane Piergentile * Publicado em 29/09/2026, às 06h00

No Brasil, apenas 8,5% dos estudantes atingem um nível considerado adequado em matemática no Ensino Médio. - Foto: Canva Pro
No Brasil, apenas 8,5% dos estudantes atingem um nível considerado adequado em matemática no Ensino Médio. - Foto: Canva Pro

Apenas 8,5% dos estudantes brasileiros do Ensino Médio alcançam um nível adequado em matemática, evidenciando um problema educacional que se acumula desde as etapas iniciais da aprendizagem.

As dificuldades em matemática, frequentemente não identificadas a tempo, resultam em lacunas que comprometem o entendimento de conteúdos mais avançados, limitando o desempenho dos alunos.

Para melhorar os resultados, é essencial implementar avaliações contínuas, oferecer formação aos professores e mostrar a aplicação prática da matemática, visando preparar os estudantes para desafios futuros e ampliar suas oportunidades profissionais.

Resumo gerado por IA

Dados recentes da aprendizagem no Brasil mostram avanços importantes, mas também revelam um problema que não pode ser tratado como algo comum: apenas 8,5% dos estudantes atingem um nível considerado adequado em matemática no Ensino Médio.

Esse resultado não aparece nos últimos anos da escola, ele costuma ser consequência de dificuldades acumuladas em outros anos, desde as etapas iniciais. Na matemática, uma lacuna quase sempre interfere na seguinte e quando o aluno não compreende bem as operações básicas, encontra mais dificuldade em frações, proporções, porcentagens, equações e outros conteúdos. O problema cresce quando essas defasagens não são identificadas a tempo e o estudante segue avançando de série sem ter consolidado conhecimentos essenciais.

Também é preciso rever a ideia de que algumas pessoas simplesmente “não são boas em matemática”. Essa frase cria distância entre o aluno e a disciplina, já que aprender não depende de um talento restrito a poucos, depende de explicação adequada, prática, acompanhamento e oportunidade de retomar o que não foi compreendido.

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Outro ponto importante está na forma de ensinar. A matemática ganha sentido quando o estudante percebe sua aplicação na vida real, em tudo o que ele compra, nos juros, nos descontos, no planejamento, nos gráficos, nas pesquisas e nas decisões cotidianas. Mostrar essa relação ajuda a transformar um conteúdo abstrato em conhecimento que pode ser usado fora da sala de aula.

A avaliação também precisa fazer parte da solução. Não podemos esperar o fim do bimestre ou do ano para descobrir que o aluno não aprendeu; avaliar deve servir para identificar dificuldades durante o percurso, permitir intervenções e orientar novas estratégias de ensino. Quanto mais cedo a escola identifica uma lacuna, maiores são as chances de recuperação.

E, claro, esse trabalho exige apoio ao professor. Melhorar os resultados passa por formação continuada, recursos pedagógicos e condições para acompanhar diferentes ritmos de aprendizagem dentro da mesma turma. O professor precisa dominar o conteúdo, mas também precisa ter instrumentos para perceber onde o raciocínio do estudante se perde e como ajudá-lo a continuar.

A dificuldade em matemática não termina na escola, ela pode afetar a capacidade de interpretar dados, organizar o orçamento, compreender taxas, avaliar decisões financeiras e acessar diferentes áreas profissionais. Quando um jovem termina a educação básica sem esse domínio, suas possibilidades de escolha também podem ficar limitadas.

O Brasil já demonstra que consegue avançar em educação. O próximo passo é transformar essa evolução em aprendizagem mais consistente e, para isso, precisamos acompanhar cada estudante de perto, agir antes que as dificuldades se acumulem e tratar a matemática como uma linguagem necessária para compreender o mundo. Ensinar bem essa disciplina significa ampliar autonomia, repertório e possibilidades para o futuro.

* Marizane Piergentile é pedagoga, mestre em Educação e diretora da Rede Adventista de Educação do Vale do Paraíba.

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