Fatores como perfeccionismo e medo do julgamento dificultam a comunicação de quem possui grande conhecimento
Fabiana Bertotti* Publicado em 28/04/2026, às 06h00

Um relatório da Harvard Business Impact de 2025 revela que muitos profissionais possuem habilidades técnicas avançadas, mas enfrentam dificuldades em se comunicar e influenciar nas estruturas de liderança, o que limita seu impacto nas organizações.
Fatores como a síndrome do impostor, o perfeccionismo e a falta de referências contribuem para a hesitação na expressão, evidenciando que o problema não é a falta de capacidade, mas sim a ausência de ambientes que valorizem a comunicação.
A transformação na comunicação pode ser alcançada por meio da prática de uma fala autêntica e confiante, enquanto ambientes que promovem a expressão geram maior segurança e disposição para se comunicar efetivamente.
Relatório global da Harvard Business Impact, publicado em 2025, aponta que organizações ainda enfrentam um descompasso: profissionais com alta capacidade técnica, mas com dificuldade em transmitir conhecimento e influenciar dentro das estruturas de liderança. O dado ajuda a evidenciar que não basta ter o que dizer, é preciso que a fala encontre reconhecimento, espaço e validação para produzir efeito.
Pessoas com amplo repertório e conteúdo consistente tendem a se retrair. Síndrome do impostor, perfeccionismo, medo do julgamento e ausência de referências aparecem como barreiras. Não se trata de falta de capacidade, mas de trajetórias marcadas por ambientes que não valorizaram ou puniram a expressão.
Ainda assim, há uma chave de transformação. Aprender a se comunicar com presença, intenção e autenticidade altera esse jogo, não apenas melhora a fala, mas reconfigura a forma de percepção. A comunicação reescreve o lugar social de alguém, quem era invisível pode se tornar referência e quem não ocupava espaços passa a disputá-los.
Isso ocorre porque a força de uma fala não reside apenas na técnica. Estrutura, dicção e linguagem corporal importam, contudo não sustentam sozinhas uma comunicação que mobiliza. O que move é a sensação de pertencimento, estar à vontade no próprio discurso, acreditar no que se diz e se conectar de forma genuína.
Há, ainda, elementos frequentemente negligenciados. A escuta ativa, por exemplo, amplia o próprio capital comunicacional ao gerar confiança e conexão. O corpo, por sua vez, revela o que a palavra tenta esconder.
Reconhecer o papel do status nesse processo não resolve a desigualdade, mas expõe seu mecanismo, e talvez seja esse o primeiro passo para redistribuir, ainda que parcialmente, o direito à escuta.
Ambientes que incentivam a expressão produzem pessoas mais confiantes. Já contextos que silenciam, geram hesitação, insegurança e até medo de falar.
*Fabiana Bertotti é especialista em oratória. Direcionou sua carreira para a formação de comunicadores, com especialização em Cinema e Audiovisual pela PUC-PR e cursos de escrita no Brasil e na Inglaterra. Possui mais de 20 anos de experiência em palco, mais de 12 livros publicados e atuação em palestras e conferências no Brasil e no exterior.
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