Depois dos 40, mudanças hormonais aumentam riscos e tornam o acompanhamento da saúde cardiovascular ainda mais importante
Redação* Publicado em 13/09/2026, às 06h00
A menopausa marca uma nova fase para o organismo feminino. Além das mudanças mais conhecidas, como ondas de calor, alterações no sono e no ciclo menstrual, a queda dos níveis de estrogênio também pode estar relacionada a transformações metabólicas que merecem atenção.
Com o passar dos anos, algumas mulheres apresentam aumento da pressão arterial, alterações no colesterol, mudanças na glicemia e maior concentração de gordura na região abdominal. Isoladamente ou em conjunto, esses fatores podem contribuir para o aumento do risco cardiovascular.
Segundo a endocrinologista Patricia Gracitelli, a menopausa deve ser encarada também como um momento de revisão dos indicadores de saúde.
“A queda do estrogênio não é a única responsável pelo aumento do risco cardiovascular, porque o envelhecimento e outros fatores também participam desse processo. Porém, a menopausa pode favorecer mudanças no perfil metabólico, como alterações no colesterol e na distribuição da gordura corporal. Por isso, é importante acompanhar esses parâmetros de forma individualizada”, explica a médica.
O aumento da gordura abdominal pode vir acompanhado de maior resistência à insulina e alterações nos níveis de glicose. Quando associado a colesterol elevado e pressão arterial fora dos níveis adequados, o conjunto passa a exigir ainda mais atenção.
“Não devemos olhar apenas para o peso. Uma mulher pode não ter uma grande alteração na balança, mas apresentar mudanças importantes na composição corporal, especialmente aumento da gordura visceral. Avaliar pressão arterial, glicemia, colesterol e circunferência abdominal ajuda a ter uma visão mais completa do risco cardiovascular”, orienta Patricia.
A chegada da menopausa pode ser uma oportunidade para rever hábitos, atualizar exames e identificar fatores de risco que antes não estavam presentes. Alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e acompanhamento médico fazem parte dessa estratégia.
“O objetivo não é criar medo em torno da menopausa, mas aproveitar essa fase para fortalecer a prevenção. A mulher não precisa esperar apresentar uma doença cardiovascular para começar a cuidar do coração. O acompanhamento periódico permite identificar alterações precocemente e definir estratégias de acordo com as necessidades de cada paciente”, afirma a endocrinologista.
O alerta ganha força com a proximidade do Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, data que reforça a importância da prevenção das doenças cardiovasculares.
* Edição por Lina Santiago.
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