Quando a sustentabilidade deixa de ser tema e passa a ser compromisso nas escolas

Descubra os desafios de implementar a sustentabilidade nas escolas e como superá-los com ações contínuas e efetivas

Edson Grandisoli* Publicado em 05/05/2026, às 06h00

Os desafios enfrentados pelos educadores de sustentabilidade serão discutidos no painel da Bett Educar 2026 - Foto: Divulgação

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A ideia de que a sustentabilidade deve se tornar um valor institucional nas escolas é recorrente. Mais do que um tema complementar, ela se apresenta como um eixo formativo, capaz de influenciar a construção de pessoas que reconhecem o coletivo como parte essencial de suas decisões e atitudes.

A dificuldade está menos no “por quê” e mais no “como”. Em meio à rotina acelerada das escolas, que envolve gestão, planejamento, demandas pedagógicas e múltiplas urgências, incorporar a sustentabilidade de forma consistente ainda é um desafio. Não por falta de caminhos, mas pela dificuldade de mantê-los ao longo do tempo.

Um dos pontos de partida mais comuns são as efemérides socioambientais. Datas específicas mobilizam a comunidade escolar, promovem discussões relevantes e ampliam o repertório dos estudantes. Funcionam como porta de entrada. O problema é quando se tornam ponto de chegada. Sem continuidade, essas ações tendem a se esgotar no próprio evento, gerando conscientização momentânea, mas pouco impacto duradouro.

Para que a sustentabilidade se consolide, é necessário que essas iniciativas deixem um legado. Isso significa transformar informação em prática, intenção em hábito. E, nesse processo, é fundamental reconhecer que cada escola opera dentro de uma realidade própria, com diferentes recursos, culturas e possibilidades.

Nesse cenário, a coerência entre discurso e prática se torna um critério central. O que se ensina em sala de aula precisa encontrar correspondência no cotidiano da instituição. E isso envolve um ponto sensível: nem todos os atores da comunidade escolar compartilham, na mesma medida, a percepção sobre a urgência do tema. Por isso, o papel da gestão é determinante. Cabe a ela fomentar o debate, direcionar investimentos, dar o exemplo e sustentar o engajamento.

Quando a sustentabilidade avança para além de ações pontuais e passa a integrar o projeto institucional, o nível de exigência também se eleva. Trata-se de um movimento que demanda planejamento, tempo e envolvimento coletivo. Nesses casos, o tema atravessa o currículo, orienta decisões sobre o espaço físico e influencia as relações internas.

Na prática, no entanto, o que se observa com frequência é a fragilidade dessas iniciativas diante de momentos de pressão financeira ou operacional. A sustentabilidade, não raro, aparece entre os primeiros cortes ou perde força por falta de apoio contínuo. Esse movimento revela, de forma direta, o lugar que o tema ocupa na hierarquia de prioridades. Ajustes são parte da gestão; incoerência entre discurso e prática, não.

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Ao mesmo tempo, há avanços importantes. A educação para a sustentabilidade evoluiu nos últimos anos, tanto em termos tecnológicos quanto pedagógicos. Experiências em diferentes contextos mostram que, quando integrada ao currículo, ela amplia o sentido do aprendizado, aproxima conteúdos da realidade e estimula valores como empatia e corresponsabilidade.

A questão, portanto, não está na ausência de caminhos, mas na decisão de percorrê-los com consistência. Incorporar a sustentabilidade como valor institucional exige mais do que adesão pontual, mas requer continuidade, coerência e disposição para transformar o cotidiano. 

Esse debate estará em pauta no dia 8 de maio, às 14h30, no painel “Sustentabilidade na prática desafios e caminhos para educadores”, durante a Bett Educar 2026, maior evento de educação da América Latina. Para participar, é necessário realizar inscrição prévia na programação oficial do evento. 

 

*Edson Grandisoli é referência brasileira em Educação e Meio Ambiente, um dos criadores do Movimento Escolas pelo Clima. Biólogo, mestre em Ecologia, doutor em Educação e Sustentabilidade pela Universidade de São Paulo e pós-doutor pelo Instituto de Estudos Avançados da USP.

*Com edição de Marina Yazbek Dias Peres.

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