Ansiedade no Enem: como transformar pressão em equilíbrio

A ansiedade no Enem pode ser controlada com rotinas equilibradas de estudo, descanso e apoio emocional, garantindo foco e bem-estar

Maria Silvia Andrade* Publicado em 29/09/2025, às 06h00

Manter equilíbrio entre estudos e bem-estar é fundamental no período que precede o ENEM - Foto: Canva Pro

Nada mais aflitivo do que o “tique-taque” do relógio, sobretudo para quem tem um prazo. Seja uma contagem regressiva durante uma avaliação, seja uma expectativa ao se lançar em um desafio: há sempre aquele frio na barriga, que, se dosado, pode ser até mesmo um combustível nessa jornada.

A menos de 50 dias do Enem, muitos estudantes vivem um misto de emoções: expectativa, ansiedade e, em situações mais extremas, a temida pressão (interna ou externa). É natural que esse período seja mais intenso, e é justamente por isso que manter equilíbrio entre estudos e bem-estar é fundamental.

Isso se torna ainda mais relevante quando olhamos para os números: um levantamento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do Sistema Único de Saúde (SUS) indica que, de 2013 a 2023, a taxa de ansiedade entre adolescentes de 15 a 19 anos foi de 157 a cada 100 mil, superando a dos adultos, que foi de 112,5 a cada 100 mil. Outra pesquisa do mesmo órgão relata que, entre 2014 e 2024, o número de atendimentos de crianças com transtornos de saúde mental cresceu quase 2.500%.

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Esses dados mostram que a ansiedade é um desafio real entre os jovens e tende a se intensificar em períodos de alta pressão, como a reta final para o Enem. Mas o cuidado deve seguir adiante. Não por acaso, instituições de ensino têm criado iniciativas de prevenção, abrindo espaço para apoiar jovens que ingressam no ensino superior.

A ansiedade pode ser transformada em energia positiva. O segredo está em saber administrá-la. Criar rituais simples, como pausas para respirar fundo, exercícios físicos regulares ou práticas de relaxamento, ajuda a acalmar a mente.

Outro ponto é reconhecer a própria trajetória: lembrar o quanto já se dedicou durante o ano fortalece a confiança e reduz a sensação de que “falta tudo”. Conversar sobre sentimentos com pessoas de confiança ou profissionais especializados também é uma estratégia eficaz para aliviar a pressão.

Rotina com equilíbrio

Muitos estudantes acreditam que estudar cada minuto disponível é a solução, mas isso gera sobrecarga. O descanso é parte fundamental da aprendizagem, já que durante o sono o cérebro consolida o que foi estudado. Dados do dossiê “Horários Escolares e Implicações no Sono de Adolescentes”, da Associação Brasileira do Sono (ABS), mostram que mais da metade dos adolescentes participantes relatam ter dificuldade para iniciar o sono, dormindo em média entre 6 e 7 horas por noite, o que está abaixo das 8 horas recomendadas para manter atenção e desempenho acadêmico ideais. A falta de sono pode aumentar a desatenção e comprometer o rendimento escolar, especialmente em períodos de alta pressão, como a reta final para o Enem.

O lazer, por sua vez, recarrega as energias e traz leveza, seja em um encontro com amigos, seja em um hobby prazeroso. Estudo, descanso e lazer não competem entre si: são complementares. Quando bem dosados, aumentam a motivação, a concentração e a clareza mental.

Erros comuns e como evitá-los

Um dos maiores equívocos nessa fase é tentar aprender todo o conteúdo de última hora. O ideal é revisar pontos-chave e treinar com simulados semanais, que ajudam na gestão do tempo e fortalecem a segurança.

Outro erro é negligenciar o corpo: noites mal dormidas e má alimentação comprometem a memória e a disposição. Refeições leves e nutritivas, junto com um sono regular, sustentam o desempenho. Também é essencial criar um cronograma realista, priorizando as disciplinas mais relevantes e alternando áreas de estudo para evitar cansaço mental.

Apoio da família faz diferença

Os pais ou responsáveis podem ser aliados, mas também fontes de pressão extra. O papel mais valioso é acolher, ouvir sem julgamentos e valorizar o esforço, não apenas os resultados. Criar em casa um ambiente positivo e evitar comparações entre colegas diminui a ansiedade. Atitudes simples, como cuidar da alimentação, garantir boas noites de sono e transmitir palavras de apoio, dão ao estudante a segurança de que não está sozinho.

Além disso, é importante manter pequenas pausas de relaxamento, praticar exercícios físicos e alimentar pensamentos positivos para sustentar a motivação. Estabelecer metas viáveis, celebrar cada conquista e reconhecer limitações sem culpa também são atitudes que fortalecem a autoconfiança. No dia da prova, reservar alguns minutos para respirar, brincar com o pet, andar de bicicleta em um parque ainda que por meia hora, lembrar aonde se chegou e repetir frases de incentivo pode ser decisivo para começar com foco e tranquilidade.

Equilibrar estudos e saúde mental não significa abrir mão do esforço, e sim potencializá-lo. É um exercício de autogestão que prepara o estudante não só para a prova, mas para os desafios da vida. Mais do que decorar conteúdos, é aprender a lidar com emoções, respeitar limites e confiar no próprio percurso. Essa combinação é o que garante sucesso acadêmico, além de bem-estar ao longo de toda a jornada.

*Maria Silvia Andrade é psicóloga do Bernoulli Educação

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