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Osteoporose: uma doença silenciosa que pode comprometer a autonomia

Entenda como a osteoporose pode evoluir sem sintomas e a importância do acompanhamento preventivo para a preservar a saúde dos ossos e evitar fraturas

Dr. Maurício Leite* Publicado em 14/10/2026, às 06h00

A osteoporose é caracterizada pela diminuição da densidade mineral óssea , o que aumenta significativamente o risco de fraturas. - Foto: Canva Pro
A osteoporose é caracterizada pela diminuição da densidade mineral óssea , o que aumenta significativamente o risco de fraturas. - Foto: Canva Pro

A osteoporose, muitas vezes assintomática, pode levar a fraturas que comprometem a mobilidade e a qualidade de vida, especialmente em pessoas idosas e mulheres pós-menopausa. A falta de sintomas até o momento da fratura torna essencial o acompanhamento preventivo da saúde óssea.

Cerca de 10 milhões de brasileiros convivem com a osteoporose, uma condição que não deve ser vista como uma consequência inevitável do envelhecimento, mas sim como resultado de fatores como genética, sedentarismo e dieta inadequada. A prevenção deve começar na infância e incluir hábitos saudáveis como alimentação balanceada e exercícios físicos.

O diagnóstico da osteoporose é feito principalmente por densitometria óssea, e o tratamento deve ser individualizado, podendo incluir suplementação e atividades físicas específicas. A conscientização sobre a importância da saúde óssea em todas as idades é fundamental para reduzir os riscos associados à doença.

Resumo gerado por IA

No meu dia a dia no consultório, percebo que muitos pacientes só passam a se preocupar com a saúde dos ossos depois que algum sintoma ou acontecimento chama a atenção. É comum receber pessoas após uma queda, diante de uma dor persistente ou até mesmo depois de uma fratura e, durante a investigação, descobrirmos que já havia uma perda importante de massa óssea.

Esse é um dos principais desafios da osteoporose: ela pode evoluir sem provocar sintomas. O paciente não sente que os ossos estão ficando mais frágeis. Muitas vezes, a primeira manifestação da doença é justamente uma fratura. Por isso, considero o acompanhamento preventivo fundamental, principalmente à medida que envelhecemos.

A osteoporose é caracterizada pela diminuição da densidade mineral óssea e pela deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, o que aumenta significativamente o risco de fraturas. Segundo dados da International Osteoporosis Foundation (IOF), uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens com mais de 50 anos sofrerão fraturas osteoporóticas ao longo da vida.

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Na prática clínica, vejo que uma fratura pode representar muito mais do que uma lesão óssea. Dependendo da idade e das condições de saúde do paciente, ela pode comprometer a mobilidade, a autonomia e a capacidade de realizar atividades simples do cotidiano. As regiões mais afetadas são a coluna vertebral, o fêmur e o punho, e as consequências podem ser significativas para a qualidade de vida.

No consultório, também observo que muitas pessoas chegam com a ideia de que a perda de massa óssea é uma consequência inevitável do envelhecimento. Não é. O envelhecimento é um dos fatores relacionados à osteoporose, mas existem outros aspectos que precisam ser considerados, como predisposição genética, sedentarismo, baixo consumo de cálcio e vitamina D, tabagismo e consumo excessivo de álcool.

As mulheres no período pós-menopausa merecem atenção especial devido à redução dos níveis de estrogênio, hormônio que desempenha papel fundamental na manutenção da saúde óssea. É uma fase em que o acompanhamento médico pode fazer diferença na identificação de fatores de risco e na adoção de medidas preventivas.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, cerca de 10 milhões de pessoas no Brasil convivem com a osteoporose. É um número expressivo que ajuda a dimensionar a importância de falarmos mais sobre o assunto. Embora silenciosa, a doença está diretamente relacionada ao aumento do risco de fraturas, especialmente entre pessoas idosas e mulheres após a menopausa.

Vale ressaltar que cuidar dos ossos não é uma preocupação que deve começar apenas na velhice. A prevenção começa na infância e deve se estender por toda a vida. Alimentação adequada, consumo suficiente de cálcio e vitamina D, prática regular de exercícios físicos, especialmente aqueles que promovem impacto e fortalecimento muscular, exposição moderada ao sol e interrupção do tabagismo são medidas importantes para reduzir os fatores de risco.

Outro aspecto importante é a investigação de pacientes que apresentam fatores de risco ou histórico familiar da doença. O diagnóstico da osteoporose é realizado, principalmente, por meio da densitometria óssea, exame que avalia a densidade mineral dos ossos. A indicação deve considerar a idade, os fatores de risco e o histórico clínico de cada paciente.

Não existe uma única abordagem para todos os pacientes. Quando a osteoporose é identificada, o tratamento deve ser individualizado e pode envolver suplementação de cálcio e vitamina D, medicamentos que atuam na manutenção ou no aumento da densidade óssea e atividades físicas específicas. A orientação médica é fundamental para definir a estratégia mais adequada e acompanhar a resposta de cada paciente.

É importante que as pessoas compreendam que a prevenção deve fazer parte dos cuidados com a saúde em todas as fases da vida. Uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividades físicas, a exposição moderada ao sol e a realização de exames quando indicados são atitudes fundamentais para preservar a estrutura óssea e reduzir o risco de doenças como a osteoporose.

Como ortopedista e cirurgião de mão e punho, acompanho de perto o impacto que uma fratura pode provocar na vida de um paciente. Muitas vezes, não se trata apenas de uma lesão, mas da perda temporária ou permanente de independência. Cuidar da saúde óssea também significa preservar a autonomia, a segurança e a qualidade de vida.

* Dr. Maurício Leite é Ortopedista Cirurgião de Mão e Punho. Membro Titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Membro da Sociedade Americana de Cirurgiões Ortopedistas (AAOS) e membro da Sociedade Americana de Cirurgia de Mão (ASSH).

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