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Álcool e amamentação: o que toda mãe precisa saber

No Agosto Dourado, CISA alerta que o álcool passa para o leite materno e pode interferir tanto na amamentação quanto no cuidado com o bebê

Redação* Publicado em 13/08/2026, às 06h00

Agosto Dourado: a recomendação mais segura é não consumir álcool durante a lactação. - Foto: Canva Pro
Agosto Dourado: a recomendação mais segura é não consumir álcool durante a lactação. - Foto: Canva Pro

A amamentação e o consumo de álcool geram dúvidas, especialmente durante o Agosto Dourado, que promove o aleitamento materno. Especialistas recomendam que as mães evitem o álcool, mas enfatizam a importância de orientações sobre os riscos e como minimizar os efeitos no bebê.

O álcool presente no sangue da mãe é transferido para o leite materno, podendo afetar o comportamento e o sono do bebê. Além disso, o consumo de álcool pode inibir a produção de leite, contrariando a crença popular de que bebidas como cerveja aumentam a lactação.

Para reduzir riscos, recomenda-se que as mães amamentem antes de consumir álcool e evitem grandes quantidades. Caso optem por beber, devem planejar a ingestão e garantir que um adulto sóbrio cuide do bebê durante esse período.

Resumo gerado por IA

Amamentar e consumir bebidas alcoólicas já é, por si só, um tema cercado de dúvidas e mitos. No Agosto Dourado, campanha dedicada à promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, essas questões ganham ainda mais importância.

“A recomendação mais segura é não consumir álcool durante a lactação. Mas não se deve julgar ou culpabilizar a mãe, e sim ajudá-la a entender como a substância funciona no organismo e quais escolhas podem reduzir os riscos para ela e para o bebê, no caso de uma eventual ingestão”, orienta Natalia Haddad, psiquiatra e presidente do CISA – Centro de Informações sobre Saúde e Álcool, referência nacional no tema.

Para isso, confira as respostas do CISA para seis dúvidas comuns sobre o tema:

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  1. O álcool passa para o leite materno?

Sim, o álcool presente no sangue da mãe passa para o leite materno, e sua concentração no leite acompanha de perto a concentração no sangue da mãe. Os níveis costumam atingir o pico entre 30 e 60 minutos após o consumo, embora esse intervalo possa variar conforme a quantidade ingerida, a presença de alimentos no estômago, o peso corporal e o metabolismo individual.

2. É verdade que cerveja aumenta a produção de leite?

Não. O álcool inibe a ocitocina, hormônio responsável pela descida do leite. Sem a descida adequada, o leite não chega ao bebê, que acaba bebendo menos. Ou seja, o efeito prático é o inverso do que o mito sugere. O que melhora a produção do leite é o consumo de água por parte da mãe e, quanto mais o bebê mama, mais leite será produzido.

3. O que pode acontecer com o bebê se ele ingerir o álcool presente no leite materno?

O organismo do bebê ainda está em desenvolvimento e tem capacidade limitada para metabolizar o álcool. Por isso, muita atenção, especialmente quando o consumo de álcool materno é elevado ou frequente. Estudos relatam que a ingestão de leite contendo álcool pode alterar temporariamente o comportamento e o sono do bebê, além de reduzir a quantidade de leite ingerida pelo bebê nas horas seguintes ao consumo. Em geral, o bebê compensa nas mamadas posteriores, mas, se o uso de álcool pela mãe é frequente, essa redução pode interferir no ganho de peso.

4. Quanto tempo é preciso esperar para amamentar depois de beber?

Não existe um intervalo único que sirva para todas as mulheres, porque a eliminação do álcool varia conforme fatores individuais e a quantidade consumida. Entidades médicas orientam aguardar de duas a três horas para cada dose de álcool consumida. Uma estratégia possível, caso a mãe decida consumir álcool, é amamentar antes de beber e, quando necessário, ter leite previamente ordenhado disponível para o período de espera. Outra informação importante é que ordenhar e descartar o leite não acelera a eliminação do álcool.

5. Tudo bem beber cerveja sem álcool?

“Sem álcool” não significa necessariamente ausência absoluta de álcool. Algumas bebidas classificadas dessa maneira podem conter pequenas quantidades, por isso vale conferir as informações do rótulo.

6. E se a mãe beber: quais cuidados podem reduzir os riscos?

A primeira recomendação é que se abster de álcool é a opção mais segura durante a amamentação. Mas, caso a mulher opte por consumir eventualmente, algumas medidas podem reduzir a exposição do bebê, como: amamentar antes de consumir a bebida, evitar grandes quantidades de álcool, planejar a ingestão considerando o intervalo até a próxima mamada, ter leite previamente ordenhado disponível, se necessário, e não cuidar do bebê enquanto estiver sob efeito do álcool.

A presidente do CISA lembra, por fim, que sob efeito do álcool, a mãe ou outro cuidador podem ter a atenção, julgamento, reflexos e capacidade de resposta comprometidos. Por isso, nesses casos, um adulto sóbrio deve assumir os cuidados com o bebê.

Sobre o CISA

O Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) é uma das principais referências no Brasil sobre este tema e desde sua fundação, em 2004, vem contribuindo para a conscientização, prevenção e redução do uso nocivo de bebidas alcoólicas. Qualificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), a instituição dedica-se ao avanço do conhecimento na área, atuando na divulgação de pesquisas e dados científicos com linguagem acessível, na produção de materiais e conteúdos educativos e no desenvolvimento de outros projetos, como a publicação “Álcool e a Saúde dos Brasileiros”, um levantamento inédito que anualmente traz análises exclusivas sobre o uso de álcool no Brasil e seu impacto na saúde da população. Acesse os canais no YouTube, Instagram e Facebook.

* Edição por Lina Santiago

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