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Por que alguns antibióticos deixam de funcionar?

O uso inadequado de antibióticos pode agravar a resistência bacteriana, uma das maiores ameaças à saúde global

Redação* Publicado em 19/06/2026, às 06h00

Nem toda infecção precisa de antibiótico e especialistas reforçam a importância do uso racional de antibióticos. - Foto: Canva Pro

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Com o aumento da circulação de vírus respiratórios, cresce também o número de pessoas que recorrem aos antibióticos na tentativa de acelerar a recuperação. O problema é que, na maioria dos casos, infecções virais não respondem a esse tipo de medicamento, e o uso inadequado pode contribuir diretamente para um problema considerado uma das maiores ameaças globais à saúde: a resistência bacteriana.

Mas afinal, por que um antibiótico funciona em algumas situações e em outras não?

Segundo o pesquisador Dr. Pedro Andrade, fundador do Instituto Genoma, a resposta está na própria capacidade de adaptação das bactérias.

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“As bactérias conseguem sofrer mutações e desenvolver mecanismos de defesa contra determinados medicamentos. Algumas passam a produzir enzimas que degradam o antibiótico, enquanto outras alteram sua estrutura ou dificultam a entrada do remédio na célula bacteriana”, explica o especialista.

O resultado é o surgimento de infecções cada vez mais difíceis de tratar, exigindo medicamentos mais fortes, tratamentos prolongados e, em alguns casos, aumentando o risco de complicações graves.

Uso incorreto acelera resistência

De acordo com Dr. Pedro Andrade, um dos principais fatores por trás da resistência bacteriana é justamente o uso inadequado dos antibióticos.

Entre os erros mais comuns estão:

“Quando o antibiótico é usado de forma incorreta, ele cria uma pressão seletiva. As bactérias mais frágeis morrem, mas as resistentes sobrevivem e continuam se multiplicando”, alerta.

Por que infecções virais podem evoluir para quadros bacterianos?

Embora vírus e bactérias sejam agentes completamente diferentes, algumas infecções virais podem favorecer o surgimento de infecções bacterianas secundárias, especialmente em pessoas mais vulneráveis.

“Nem toda gripe evolui para uma infecção bacteriana, mas processos inflamatórios intensos, alterações nas mucosas e mudanças da resposta imune podem abrir espaço para esse tipo de complicação”, explica o pesquisador.

Por isso, sintomas persistentes ou piora clínica após alguns dias devem sempre ser avaliados por um profissional de saúde.

Imunidade vai muito além de suplementos

Outro ponto reforçado pelo especialista é que fortalecer a imunidade não depende apenas de vitaminas ou suplementos isolados.

“O funcionamento adequado do sistema imunológico envolve uma combinação de fatores ligados ao estilo de vida, metabolismo, sono, alimentação, saúde intestinal e equilíbrio emocional”, afirma.

Entre os principais pilares associados à resposta imunológica estão:

Nutrientes como zinco, vitamina D, vitamina A e selênio também desempenham papel importante na integridade das barreiras de defesa e na modulação inflamatória do organismo.

Dr. Pedro Andrade também destaca o conceito do método “RAÍZES”, baseado em pilares que influenciam diretamente a saúde humana:

“No fim, cuidar da imunidade é cuidar do ser humano como um todo”, resume.

Em um cenário de alta circulação viral, especialistas reforçam que o uso racional de antibióticos e o fortalecimento do organismo continuam sendo algumas das principais ferramentas para prevenção e recuperação saudável.

“Nem toda infecção precisa de antibiótico. Mas toda imunidade precisa de cuidado”, finaliza o médico e pesquisador.

* Edição por Lina Santiago

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