Ana Boyadjian, fundadora da Prateados, destaca a importância das conexões humanas para um envelhecimento ativo vivendo junto
Ana Boyadjian* Publicado em 10/09/2026, às 06h00

A qualidade das conexões humanas é essencial para um envelhecimento saudável, indo além de cuidados médicos e hábitos saudáveis, pois a solidão impacta diretamente a saúde física e mental na maturidade.
A conversa com o Prof. Dr. Manuel Pinto Coelho destacou que a longevidade deve ser acompanhada de uma busca por viver melhor, enfatizando a importância de ambientes sociais e oportunidades de pertencimento.
A medicina preventiva é crucial para a saúde, mas as relações humanas são fundamentais para dar significado à vida, reforçando que viver mais e melhor é um esforço coletivo.
Existe uma dimensão da saúde que, muitas vezes, passa despercebida nos debates sobre longevidade: a qualidade das conexões humanas. Acredito que envelhecer bem não é apenas manter exames em dia, alimentar-se de forma equilibrada ou praticar exercícios. Tudo isso importa — e muito —, mas envelhecer com plenitude exige olhar para aquilo que dá sentido ao tempo que conquistamos. Longevidade também se constrói nas relações.
Ao longo da minha trajetória, não falo a partir de uma perspectiva médica. Falo a partir da escuta, da convivência e da observação de uma geração 60+ que está envelhecendo de forma muito diferente das anteriores. A solidão, especialmente na maturidade, não é um mero incômodo emocional ou social; ela é um fator crítico que atravessa e impacta diretamente a saúde física e mental.
Recentemente, durante uma viagem a Lisboa, tive a oportunidade de conversar sobre esse cenário com o Prof. Dr. Manuel Pinto Coelho, médico português, escritor e uma das principais referências em medicina preventiva e longevidade na Europa. Autor do bestseller "Chegar Novo a Velho", o Dr. Manuel dedica sua carreira a defender uma medicina que não espera a doença se instalar, mas que analisa o ambiente, a rotina e as escolhas de cada indivíduo.
Nossa conversa deixou uma certeza ainda mais evidente: viver mais não pode ser o único objetivo. A grande questão do nosso tempo é como viver melhor.
A longevidade não é uma conquista isolada ou individual. Ela depende dos ambientes que frequentamos, dos estímulos que recebemos e, acima de tudo, das oportunidades de pertencimento que criamos. Se a medicina preventiva nos ajuda a olhar para o corpo antes que ele adoeça, a socialização nos ajuda a olhar para a vida antes que ela encolha.
Esse é o grande ponto de encontro entre a ciência e o propósito: a medicina nos ajuda a ganhar anos de vida, mas são as conexões humanas que dão vida aos anos. Afinal, viver mais e melhor é viver junto.
* Ana Boyadjian é fundadora da Prateados, plataforma voltada à socialização e longevidade ativa da comunidade 60+.
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