Estudos mostram que crianças com acesso a saneamento têm renda 46% maior na vida adulta em comparação com as que não têm.
Renato Espírito Santo* Publicado em 04/09/2026, às 06h00

A falta de saneamento básico impacta negativamente a vida e o desenvolvimento das crianças, resultando em problemas de saúde e desnutrição, além de comprometer sua educação e futuro econômico.
Dados do Instituto Trata Brasil indicam que crianças com acesso a saneamento têm uma renda até 46% maior ao longo da vida, enquanto a ausência desses serviços é uma das principais causas de morte infantil por doenças como diarreia e cólera.
O Novo Marco Legal do Saneamento estabelece metas ambiciosas para 2033, visando garantir água potável para 99% da população e tratamento de esgoto para 90%, mas a implementação dessas metas ainda enfrenta desafios significativos.
Posso iniciar afirmando, sem maiores dúvidas, que a falta do saneamento básico é um dos fatores que mais interferem na vida e no desenvolvimento das crianças, não só no Brasil, mas por todo esse mundo afora.
A ausência de água tratada, de coleta de esgotos e de manejo dos resíduos sólidos (lixo), interfere de forma direta, profunda e, muitas vezes, com consequências irreversíveis.
Segundo relatório do Instituto Trata Brasil, a criança que teve acesso aos serviços de saneamento na infância alcança renda financeira até 46% maior ao longo de sua vida profissional do que outra que cresceu sem acesso aos serviços básicos de saneamento.
A falta desses serviços afeta diretamente a sobrevivência das crianças, pois sua saúde é deficiente, fato gerado principalmente por doenças graves como diarreia, cólera, hepatite e leptospirose, entre outras.
É sabido que a diarreia crônica causada pela falta de saneamento é uma das maiores causas de mortes de crianças menores de 5 anos no mundo.
Mesmo que a criança se alimente bem, infecções e verminoses repetitivas impedem que o organismo absorva os nutrientes necessários ao seu desenvolvimento, o que provoca desnutrição e compromete o crescimento.
Esse cenário causa um grave prejuízo intelectual e impacta diretamente a frequência escolar e o aprendizado.
Crianças doentes faltam mais às aulas.
Em regiões sem saneamento nas escolas as meninas sofrem mais ainda, por falta de banheiros adequados e privacidade.
Essa escassez de infraestrutura apropriada não se restringe às escolas: nas próprias residências, a ausência de banheiros seguros expõe os jovens a riscos de violência e abusos, já que eles são forçados a procurar locais distantes ou públicos para atender as suas necessidades fisiológicas.
Há também o impacto econômico na família, pois os pais precisam cuidar de seus filhos doentes, muitas vezes perdendo dias de trabalho, o que afeta diretamente os recursos da família e da sobrevivência de todos.
O Novo Marco Legal do Saneamento estabelece regras e metas para que até 2033, o acesso a água potável atinja 99% da população brasileira e 90% conte com coleta de tratamento de esgotos, isso sem falar na erradicação dos lixões, mas atingir essas metas já é uma outra história; enquanto isso não acontece, vamos buscando soluções que permitam diminuir o sofrimento desses que dependem do bom senso dos nossos administradores e governantes.
* Renato Espírito Santo é engenheiro sanitário e presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES-RJ)
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