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Equilíbrio possível

Entre as transformações do corpo, da casa e do trabalho, o equilíbrio possível é aquele que acolhe imperfeições e valoriza pausas

Patrícia Villa Nova* Publicado em 14/10/2025, às 06h00

mulher de meia idade no trabalho
Menopausa: o corpo muda, a energia oscila e as emoções transbordam - Foto: Canva Pro

O climatério e a pré-adolescência dos filhos representam um desafio significativo para muitas mulheres, especialmente aquelas em posições de liderança, que precisam equilibrar suas responsabilidades profissionais com as mudanças pessoais e familiares.

A autora destaca a importância da vulnerabilidade e da autoconsciência, reconhecendo que é normal não conseguir dar conta de tudo e que a saúde mental deve ser priorizada em vez de vista como um luxo.

Pausar e se reconectar consigo mesma são ações essenciais para manter o equilíbrio, e a mensagem central é que, embora não haja um manual para essas fases, é possível encontrar força na vulnerabilidade e coragem para continuar avançando.

Resumo gerado por IA

Há momentos da vida que não vêm com manual. O climatério é um deles. A pré-adolescência dos filhos, outro. E quando essas duas fases se encontram em meio a uma carreira exigente, nasce um desafio silencioso e profundo: como liderar sem perder de vista a si mesma?

Após anos gerenciando equipes, projetos e estratégias, descubro que a liderança mais complexa não acontece dentro das empresas, mas dentro de nós. O corpo muda, a energia oscila, as emoções transbordam. Em casa, a minha filha de 11 anos atravessa as suas próprias transformações, entre dúvidas, descobertas e intensidades. Somos duas em turbulência — e isso me pede menos resposta e mais escuta, menos pressa e mais presença.

Não existe fórmula mágica para esse equilíbrio. Existe vulnerabilidade. Existe a coragem de admitir “hoje não dou conta” e, mesmo assim, continuar. Existe a escolha consciente de desacelerar sem renunciar quem somos. E existe, sobretudo, a sabedoria de compreender que liderar não significa controlar tudo, mas acolher o que não pode ser controlado.

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A verdade é dura, mas libertadora: alguns pratinhos vão cair. E tudo bem. O problema está em continuarmos a tratar qualidade de vida como um luxo, quando deveria ser prioridade absoluta. A saúde mental não pode ser negociada.

Pausar não é fraqueza, é sobrevivência. Reaprender a se conectar consigo mesma — por meio de uma caminhada, de uma conversa sincera, de um tempo em silêncio ou de uma atividade que faça sentido — é tão essencial quanto qualquer reunião de trabalho ou entrega de resultados.

Se você também equilibra climatério, maternidade e carreira, saiba que não está sozinha. Não há manual, mas há escolhas possíveis. Há força na troca, há coragem na vulnerabilidade e há valor em continuar dançando, mesmo quando a música muda.

Porque a vida não pede perfeição — pede coragem para seguir em movimento.

*Patrícia Villa Nova é palestrante e empreendedora com 30 anos de experiência em áreas comercial e de Recursos Humanos.

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