Mariana Kotscho
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Famílias, escolas e comunidades impactam na capacidade das crianças lidarem com o estresse desde a primeira infância

Estudo revela como locais frequentados por crianças moldam sua capacidade de lidar com o estresse e emoções no futuro.

Redação* Publicado em 04/03/2026, às 06h00

Criança deitada no chão segura a cabeça em sinal de estresse
crianças que desenvolvem habilidades socioemocionais desde cedo tendem a apresentar melhor adaptação escolar. - Foto: Canva Pro

Pesquisas da Universidade de Lehigh destacam que os ambientes frequentados por crianças nos primeiros anos de vida influenciam sua capacidade de lidar com estresse no futuro, ressaltando a importância de famílias, escolas e comunidades na formação emocional e social dos pequenos.

O desenvolvimento socioemocional é crucial para a aprendizagem e adaptação escolar, com crianças que possuem essas habilidades apresentando melhor desempenho acadêmico e capacidade de resolução de conflitos, conforme apontado por especialistas na área.

Escolas de educação infantil, como a MiniMe, implementam práticas que promovem a expressão emocional e a autonomia, criando ambientes seguros que favorecem o desenvolvimento integral das crianças e ajudam a reduzir desigualdades sociais desde a primeira infância.

Resumo gerado por IA

Os locais que as crianças frequentam nos primeiros anos de vida tem impacto direto sobre como elas poderão lidar com o estresse no futuro. O assunto é tema de pesquisa do Departamento de Psicologia da Universidade de Lehigh, na Pensilvânia, nos Estados Unidos, que recentemente divulgou um artigo no jornal americano Time News, repercutindo como os ambientes desempenham um papel fundamental na resiliência social e emocional da criança.

Na publicação realizada no mês de fevereiro, a pesquisadora Allyson Andah também aponta o impacto das famílias, escolas e comunidades na formação da criança. A estudiosa demonstra como esses locais podem dar à criança ferramentas para lidar com sentimentos e a pressão, por exemplo. O tema lança luz na necessidade de ações constantes para o estímulo positivo das crianças, afirma Laila Mendes, diretora administrativa da MiniMe. A escola para crianças de quatro meses a seis anos de idade é inspirada em modelos americanos e europeus.

“As atividades voltadas para o desenvolvimento socioemocional são fundamentais para esse processo de formação dos pequenos e não apenas atividades “extras”. Desenvolver habilidades emocionais e sociais desde cedo é determinante para a evolução cognitiva das crianças, o que influenciará no desempenho acadêmico e na formação de cidadãos emocionalmente saudáveis”, afirma Laila.

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O desenvolvimento socioemocional na primeira infância refere-se à capacidade da criança de reconhecer e lidar com emoções, estabelecer vínculos afetivos, desenvolver empatia, autonomia, cooperação e autorregulação emocional. Essas competências influenciam diretamente a forma como a criança aprende, se relaciona com colegas e adultos e enfrenta desafios no ambiente escolar. 

Nos últimos anos, o avanço das discussões sobre saúde mental, convivência escolar e aprendizagem integral contribuíram para ampliar a atenção ao tema. Segundo Laila, crianças que desenvolvem habilidades socioemocionais desde cedo tendem a apresentar melhor adaptação escolar, maior capacidade de concentração, resolução de conflitos e participação em atividades coletivas. Organismos educacionais nacionais e internacionais reforçam que o investimento nessa etapa gera impactos positivos ao longo de toda a trajetória educacional.

Evidências científicas reforçam o papel das escolas como espaços estratégicos para o desenvolvimento integral na primeira infância. O estudo Padrões Alimentares e Matrícula em Creche: Uma Análise da Primeira Infância Brasileira foi financiado e desenvolvido com apoio da Fundação José Luiz Setúbal (FJLS) e da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs), realizado em 2025, com base em dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2019), também analisou a alimentação de mais de 3 mil crianças brasileiras entre 12 e 23 meses.

O levantamento aponta que a frequência à escola está associada a hábitos mais saudáveis e a melhores condições de desenvolvimento, especialmente entre crianças de famílias de menor renda. Os resultados indicam que o acesso à educação infantil contribui para reduzir desigualdades sociais desde cedo, ao promover ambientes estruturados que impactam positivamente a saúde, o bem-estar e o desenvolvimento das crianças ao longo da vida.

“Entendemos que as escolas de educação infantil desempenham papel central nesse processo, ao criar ambientes seguros, acolhedores e estimulantes para o desenvolvimento emocional das crianças. A rotina escolar, as interações mediadas por educadores e as propostas pedagógicas planejadas são consideradas fundamentais para que essas competências sejam trabalhadas de forma contínua e intencional”, compartilha a diretora.

Laila diz que, entre as práticas adotadas na MiniMe, estão atividades que estimulam a expressão de sentimentos, o trabalho em grupo, a escuta ativa, a resolução de conflitos e o fortalecimento da autonomia, sempre respeitando o ritmo de cada criança. Ela comenta que, ao integrar o desenvolvimento socioemocional ao cotidiano escolar, a educação infantil contribui não apenas para o aprendizado acadêmico, mas também para a formação de indivíduos mais equilibrados, empáticos e preparados para a convivência em sociedade.

FONTE PESQUISA:

https://www.tnonline.com/20260202/environment-holds-key-to-childs-social-emotional-resilience/

https://theconversation.com/creches-sao-aliadas-na-promocao-da-saude-futura-e-reduzem-desigualdades-sociais-desde-a-primeira-infancia-270043

* Edição por Lina Santiago

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