Ordenha, armazenamento do leite e organização da rotina podem ajudar a mãe a continuar amamentando mesmo após a volta ao trabalho
Dra. Luiza Drumond* Publicado em 03/10/2026, às 06h00

O retorno ao trabalho não precisa interromper a amamentação, pois com planejamento é possível organizar a retirada de leite e manter as mamadas durante os momentos em que mãe e bebê estão juntos.
A especialista Dra. Luiza Drumond destaca que, em vez de acumular grandes quantidades de leite, é mais eficaz criar uma rotina de ordenha que se adapte ao dia a dia da mãe e à idade do bebê.
Para facilitar a adaptação, é essencial que a mãe estabeleça horários para a ordenha e que o cuidador do bebê esteja preparado para oferecer o leite, permitindo uma transição mais suave para ambos.
A volta ao trabalho costuma trazer muitas dúvidas para as mães que desejam continuar amamentando. Como manter a produção de leite? É preciso fazer um grande estoque antes do retorno? Como organizar as mamadas durante o período em que mãe e bebê estarão separados?
Apesar das mudanças na rotina, o retorno às atividades profissionais não precisa significar o fim da amamentação. Com planejamento, é possível organizar os horários de retirada do leite e manter as mamadas nos períodos em que mãe e bebê estiverem juntos.
“O retorno ao trabalho representa uma mudança importante na rotina, mas não precisa significar o desmame. Com planejamento, a mãe consegue organizar os momentos de ordenha e deixar leite para o período em que estará longe do bebê, mantendo as mamadas quando estiverem juntas”, explica a Dra. Luiza Drumond, médica obstetra e consultora da Lansinoh.
Uma das principais preocupações antes da volta ao trabalho é conseguir armazenar uma grande quantidade de leite. Mas, segundo a especialista, mais importante do que encher o freezer é encontrar uma estratégia que seja possível manter no dia a dia.
A preparação pode começar antes do retorno, com a mulher testando a ordenha e entendendo quanto leite consegue retirar. Também é importante considerar quantas horas ficará longe do bebê e quem ficará responsável por oferecer o leite nesse período.
“Não existe uma quantidade de leite que funcione para todas as mães. O planejamento deve levar em conta a rotina da mulher, a idade do bebê e o tempo que eles ficarão separados. Criar uma reserva possível e manter uma frequência de ordenha adequada pode ser mais eficiente do que tentar armazenar grandes volumes de uma só vez”, orienta a Dra. Luiza.
A frequência da retirada do leite é importante para a manutenção da produção. Isso acontece porque a produção está relacionada ao esvaziamento das mamas: quanto mais leite é retirado, maior tende a ser o estímulo para a produção.
Por isso, a mãe pode estabelecer horários para a ordenha durante o expediente, levando em consideração sua rotina profissional e o padrão de mamadas do bebê.
Ter um ambiente adequado, com privacidade e tempo suficiente, também pode tornar esse momento mais confortável e facilitar a continuidade da amamentação.
Deixar a preparação para a última hora, ficar muitas horas sem retirar o leite e tentar montar uma reserva muito maior do que a necessária podem tornar o processo mais difícil.
Também é importante que a pessoa que ficará responsável pelo bebê saiba como o leite deverá ser armazenado e oferecido.
A rotina, porém, não precisa ser perfeita. A mãe pode amamentar quando estiver com o bebê e utilizar o leite ordenhado durante os períodos em que estiver trabalhando.
A mudança não acontece apenas para a mãe. O bebê também precisa se acostumar com uma nova dinâmica, principalmente quando outra pessoa passa a oferecer o leite durante algumas horas do dia.
Testar essa rotina antes do retorno ao trabalho pode ajudar. O cuidador pode começar a participar da oferta do leite, permitindo que a família observe como o bebê reage e faça os ajustes necessários.
“É importante lembrar que cada família vai encontrar uma dinâmica diferente. O objetivo não é criar uma rotina perfeita, mas uma rotina possível e sustentável. A mãe não precisa escolher entre trabalhar e amamentar: com informação, planejamento e apoio, é possível conciliar as duas coisas”, completa a especialista.
* Dra. Luiza Drumond é médica obstetra e consultora da Lansinoh.
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