Músicas que elevam o espírito e trazem conforto: em crônica, autor explora as músicas que escolheria para seu próprio funeral para uma despedida memorável
Renato LM Laragnoit* Publicado em 02/11/2026, às 06h00 - Atualizado às 14h27

A escolha das músicas para a cerimônia de cremação é uma decisão importante que deve ser feita pela família, refletindo o desejo do falecido e impactando a atmosfera do momento final.
Músicas como 'More Than Words' do Extreme e 'Ain't No Mountain High Enough' de Marvin Gaye são citadas como exemplos de trilhas sonoras que podem elevar o espírito e marcar a vida do homenageado.
O autor sugere que as pessoas considerem suas escolhas musicais antecipadamente, já que a cerimônia é um momento único e irreversível, e convida os leitores a acompanhar sua própria cerimônia no futuro para descobrir sua seleção musical final.
Existem coisas que a gente desconhece e, quando precisamos saber, pode ser tarde demais. Por exemplo, na cremação: você sabia que a família precisa escolher as músicas que serão tocadas durante a cerimônia?
É como no Fantástico, mas ao contrário.
Lá, o artilheiro escolhe uma música ao marcar três gols na mesma partida. Aqui, na partida, são escolhidas três músicas. É o show da vida!
Se você é entusiasta da boa música e deseja virar pó, talvez seja conveniente definir sua trilha sonora agora. Porque, depois, não vai ter SAC para reclamar…
Já pensou se colocam para tocar o funk “Um Morto Muito Louco”?
Seria engraçado e até combinaria com meu tipo de humor, mas o momento exige algo mais discreto.
Muitas músicas marcaram minha vida e seria justo que três delas estivessem no meu último capítulo.
“More Than Words”, do Extreme, é uma que tento tocar no violão desde os meus 17 anos. Até hoje não consigo tocá-la inteira, mas continuo amando essa canção.
Os Paralamas do Sucesso é minha banda nacional favorita e também seria uma boa escolha.
Djavan, que eu adoro, transformaria a cremação em um bar com música ao vivo. Imagine a cena : “E o meu jardim da vida, ressecou, morreu…”
Há canções que elevam o espírito e seriam apropriadas para o momento.
“Ain’t No Mountain High Enough” é um exemplo.
Otimista, sempre coloco essa música de Marvin Gaye quando preciso de uma injeção de ânimo. Só não espere que eu levante do caixão.
Uma outra é “Walk”, do Foo Fighters.
O riff da guitarra estridente contrasta com a doçura da letra, que fala de superação e recomeço. É linda.
Essas duas já estão definidas.
E a terceira?
Bom, a terceira é surpresa e não vou dar spoiler por enquanto.
Se quiser saber, fica aqui o meu convite para que, no futuro, você acompanhe a cerimônia e descubra in loco.
* Renato LM Laragnoit é escritor, designer e publicitário. É autor de Bonne Fin, seu primeiro romance, um suspense sobre uma agência de turismo de luxo que oferece viagens sem volta à alta sociedade. Sua escrita aborda escolhas, envelhecimento e finitude, com humor e reflexões sobre as relações humanas.
Bonne Fin é o romance de estreia de Renato LM Laragnoit, publicado pela Editora Viseu. Na trama, uma agência de viagens de alto luxo oferece experiências exclusivas e serviços de morte assistida. Ao acompanhar dois amigos com diferentes motivações para procurar a empresa, o leitor encontra uma história de suspense sobre escolhas, envelhecimento e finitude, guiada pela pergunta: morrer bem é um luxo?
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