Instalações seguras e revisões periódicas são fundamentais para evitar acidentes com eletricidade; confira dicas essenciais para sua segurança.
Edson Martinho* Publicado em 06/03/2026, às 06h00
A Abracopel apresentou os números gerais de acidentes elétricos que serão publicados no Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica em março e apesar do número de óbitos por choque elétrico e por descargas atmosféricas (raios) terem caído, não há nada para comemorar ainda. O número total ainda é muito alto, considerando que esse é um acidente praticamente 100% evitável, mas depende de atitudes. Atitudes que devem ser encaradas com precaução. Por exemplo, uma instalação elétrica que não é revisada há mais de 5 anos pode apresentar situações críticas que podem causar acidentes elétricos. A ausência do IDR, Interruptor Diferencial Residual – dispositivo que desliga do circuito na ocorrência de uma fuga de corrente que pode ser um choque elétrico – está em menos da metade dos imóveis no Brasil, segundo o Panorama das Instalações Residenciais, publicado pela Abracopel em 2025, e é nesse ambiente que acontece quase 1/3 dos óbitos no Brasil, segundo o Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica, também publicado pela Abracopel.
Os números mostram que das 646 mortes por choque elétrico, 150 aconteceram dentro de ambientes residenciais. Se considerarmos os incêndios gerados por sobrecarga ou curto-circuito, os números são ainda mais assustadores. Em 2025 foi registrado pela Abracopel 1304 incêndios com 60 mortes. Destas, quase 50% foram em ambientes residenciais, assim como 51 das das 60 mortes. Neste caso, uma instalação adequada, revisada com as devidas proteções, poderia contribuir significativamente para essa redução.
Observem que em poucas palavras, descrevi pequenas atitudes que podem garantir simplesmente a vida em um caso de acidente de origem elétrica. Mas essa situação não acontece somente nos ambientes residenciais. Na rua, no comércio, na indústria também acontecem, e as vítimas também surgem. Um exemplo que nos perturba é o número de profissionais intitulados “eletricistas” que são vítimas de choque elétrico e vão a óbito em uma atividade cujo risco eles deveriam conhecer e se precaver. O ano de 2025 mostrou que das 646 mortes por choque elétrico, 119 eram profissionais da área que se acidentaram, e 68 perderam a vida. Em um país em que uma norma regulamentadora do Ministério do Trabalho e Emprego (NR-10) exige que os trabalhadores que interajam direta ou indiretamente com eletricidade conheçam os riscos e garantam procedimentos de trabalho seguro, sendo a regulamentação complementada pela Norma Técnica ABNT NBR 16384, que fornece conhecimento e boas práticas para um trabalho seguro, esses números são muito tristes.
E aí, você leitor deve estar se perguntando: o que eu posso fazer para que isso não aconteça comigo e com meus familiares? Preparei algumas dicas:
Respeite a eletricidade. Um choque elétrico acima de 50 volts pode ser fatal, não brinque com isso!
*Edson Martinho é Engenheiro Eletricista e Segurança do Trabalho, fundador e CEO da ABRACOPEL – Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade, Presidente da ABRAPEEL – Associação Brasileira de Profissionais Eletricistas e Eletrônicos, Presidente da Associação de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Salto, além de Coordenador Pedagógico da Fluke Academy e Sócio Diretor da Lambda Consultoria. Autor de livros, palestrante nacional e internacional.
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