A crise climática e as infâncias: o que eu tenho a ver com isso?

A diretora pedagógica Silvia Adrião comenta os impactos da crise climática na vida de nossos pequenos

Silvia Adrião* Publicado em 15/08/2022, às 06h00

Para a Unicef, a crise climática é uma crise dos direitos das crianças -

Diariamente, somos bombardeados por notícias alarmantes sobre o aumento da temperatura global, aquecimento dos oceanos, poluição do ar e muitos outros problemas que o nosso modo de vida tem causado. O fato é que esses problemas são reais e cada vez mais graves, e as crianças são as principais vítimas da chamada Crise Climática, é o que afirma o relatório “A crise climática é uma crise dos direitos das crianças”, divulgado pela Unicef.

Segundo o relatório, estamos cruzando os principais limites do sistema natural da Terra, incluindo a mudança climática e a perda de biodiversidade, e aumentando os níveis de poluição do ar, do solo, da água e dos oceanos. Os perigos das alterações no clima e no meio ambiente, os choques e estresses já causam impactos devastadores no bem-estar das crianças ao redor do mundo. Praticamente todas as crianças do mundo estão expostas ao menos a um dos riscos ambientais ou climáticos, como a poluição do ar, das águas e estresses.

E, sim, você tem tudo a ver com isso! Eu, você e todas as pessoas que são responsáveis por crianças ou que se preocupam com a qualidade de vida própria e das outras pessoas têm a ver com isso. Não podemos mais simplesmente desligar a televisão, pular a notícia do feed ou trocar a rádio. Ignorar a situação não ajuda a resolver. Porém, na vida, sempre preferi optar pela esperança. O problema existe e podemos ajudar a encontrar saídas, mesmo que sejam frestas, janelas para um futuro melhor, prefiro procurá-las. Sou uma realista esperançosa, parafraseando Ariano Suassuna.

 

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Além de revermos hábitos de vida e consumo, aposto no que chamo de “educação pela esperança” para ajudar crianças e jovens a enfrentarem os desafios ambientais que já vivem e ainda viverão. Para os pequenos, o risco de viver bombardeados por informações preocupantes pode afetar a perspectiva de futuro e a capacidade de fazer escolhas. As crianças precisam ser encantadas pela natureza antes de serem alarmadas pelos problemas. É uma das reflexões que encontramos no livro “A última criança na natureza”, de Richard Louv. Então, a educação pela esperança parte do princípio do encantar para cuidar.

As crianças e os adolescentes precisam de experiências diretas e prazerosas com o meio ambiente. É urgente promovermos mais saídas ao ar livre, visitas a praças, parques e praias. Acampamento, passeio em uma trilha da floresta ou mesmo um domingo no balanço de uma árvore – essas são atividades que podem ser feitas e quando combinadas com ações formativas para uma alfabetização ecológica, certamente, ajudarão nossos pequenos a criarem um senso de pertencimento, noção importante para despertar a consciência ambiental. Quem sabe, isso também os encorajará a encontrarem formas criativas e sustentáveis para o enfrentamento da crise climática nos próximos anos.

 

*Silvia Adrião é Diretora pedagógica da Escola AB Sabin

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